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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

BRASÍLIA, 30 Abr (Reuters) – A procuradora-geral da
República, Raquel Dodge, apresentou nesta segunda-feira denúncia
ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, a presidente do PT, senadora Gleisi
Hoffmann (PR) e os ex-ministros de gestões petistas Antonio
Palocci e Paulo Bernardo sob a acusação de terem cometido atos
de corrupção e lavagem de dinheiro para beneficiar a Odebrecht
em linhas de crédito no BNDES e outros favores
politico-administrativos.
Essa é a primeira acusação criminal feita por Dodge, na
chefia do Ministério Público Federal desde setembro, contra Lula
no âmbito da operação Lava Jato. O ex-presidente é líder nas
pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto, mas está
preso desde 7 de abril cumprindo pena por corrupção e lavagem de
dinheiro no processo do tríplex do Guarujá (SP).
Também foi denunciado Leones Dall Adnol, chefe de gabinete
da senadora e o empresário Marcelo Odebrecht –esse último fez
delação premiada e deverá ser beneficiado pelos prêmios da
colaboração.
A denúncia, narra que, em 2010, começaram os atos criminosos
quando a construtora prometeu ao então presidente Lula a doação
de 40 milhões de dólares em troca de decisões políticas que
beneficiassem o grupo econômico. As investigações revelaram que
a soma –avaliada na época do acerto em 64 milhões de reais–
ficou à disposição do PT, tendo sido utilizada na disputa ao
governo do Paraná, em 2014, que teve Gleisi como candidata.
A denúncia baseia-se, segundo Dodge, em delação premiada e
também em outras apurações feitas. "A investigação feita pela
autoridade policial coligiu muitos documentos, apreendidos por
ordem judicial de busca e apreensão (como planilhas, e-mails),
inclusive mediante quebra de sigilo telefônico, requeridas pelo
Ministério Público Federal", disse a peça encaminhada ao
ministro Edson Fachin, relator do caso no STF.
A procuradora-geral afirmou que, como contrapartida, houve
um aumento de linha de crédito do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social a Angola.
Na condição de exportadora de serviços, a Odebrecht recebeu
do governo angolano parte dos valores conseguidos com
financiamentos liberados pelo banco estatal brasileiro. O país
africano teve o limite de crédito ampliado para 1 bilhão de
reais, graças à interferência dos envolvidos, segundo a
assessoria de imprensa da PGR.
Dodge detalha, na denúncia, como parte do dinheiro repassado
pela construtora chegou à atual presidente da legenda. Com base
nas provas reunidas durante a tramitação do inquérito, a PGR
afirma que, em 2014, Gleisi e Bernardo aceitaram receber, via
caixa 2, a doação de 5 milhões de reais, destinados à campanha
eleitoral.

"ACUSAÇÕES INCONGRUENTES"
Em nota, o PT diz que a PGR atua novamente "de maneira
irresponsável, formalizando denúncias sem provas a partir de
delações negociadas com criminosos em troca de benefícios penais
e financeiros".
"Além de falsas, as acusações são incongruentes, pois tentam
ligar decisões de 2010 a uma campanha eleitoral da senadora
Gleisi Hofmann em 2014", afirma a nota.
O PT lembra que a denúncia ocorre num momento em que Lula
"lidera todas as pesquisas para ser eleito o próximo
presidente".
A defesa de Palocci disse que só se manifestará quanto ao
teor dessa nova acusação após estudar o conteúdo da denúncia.
A Reuters não conseguiu contato de imediato com as defesas
dos demais citados.
Na denúncia, a PGR requer a condenação de Lula, dos
ex-ministros e do chefe de gabinete por corrupção passiva e de
Marcelo Odebrecht, por corrupção ativa. No caso da senadora,
além da corrupção ativa, a denúncia inclui lavagem de dinheiro.
Há pedido para que Lula, Bernardo e Palocci paguem 40
milhões de dólares e outros 10 milhões de reais a título de
reparação de danos. Outra solicitação é para que a senadora,
Paulo Bernardo, marido de Gleisi, e o chefe de gabinete paguem 3
milhões de reais como ressarcimento pelo dano causado ao erário.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

(Reportagem de Ricardo Brito
Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 55-11-56447702; Reuters
Messaging: [email protected]))


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