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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 14 Jun (Reuters) – O relatório final da Polícia
Federal sobre a operação Cui Bono, que investiga irregularidades
bilionárias na Caixa Econômica Federal, apontou haver "indícios
suficientes" de que o presidente Michel Temer cometeu o crime de
embaraço a investigação ao avalizar a suposta compra de silêncio
do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) e do delator
Lúcio Funaro, conforme delação de executivos da J&F.
"No edifício probatório dos autos do inquérito 4483/STF, da
Operação Patmos, foram verificados indícios suficientes de
materialidade e autoria atribuível a Michel Miguel Elias Temer
Lulia, presidente da República, no delito previsto no artigo
2.º, inciso 1, da Lei 12.850/13, por embaraçar investigação de
infração penal praticada por organização criminosa", diz o
relatório da PF, obtido pela Reuters.
O documento afirma que Temer "incentivou a manutenção de
pagamentos ilegítimos a Eduardo Cunha, pelo empresário Joesley
Batista, ao mesmo tempo em que deixou de comunicar a autoridades
competentes de suposta corrupção de membros da magistratura
Federal e do Ministério Público Federal que lhe fora narrada
pelo mesmo empresário".
O documento da PF, com 561 páginas, indicia por crimes 16
pessoas, como Cunha, Funaro, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e
executivos de empresas como a J&F. Temer não é indiciado por ter
foro privilegiado.
A PF, entretanto, lembra que o caso envolvendo o presidente
foi desmembrado em relação a outros investigados –a própria
polícia já havia chegado a idêntica conclusão em junho do ano
passado.
Em 14 de setembro passado, com base na posição da PF, o
então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu
denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra Temer pelo episódio
–a Câmara dos Deputados, posteriormente, negou a autorização
para o julgamento de Temer e o caso permanece congelado até ele
deixar a Presidência.
O relatório final da PF agora relata que o "ilícito começa a
despontar" quando da apuração do diálogo estabelecido entre
Temer e o empresário Joesley Batista, da J&F. Na ocasião,
Joesley revela que vinha prestando apoio financeiro a Cunha e a
Funaro, mesmo após a prisão, de modo a dissuadir que eles
viessem a firmar um acordo de delação premiada.
Posteriormente, em depoimento no dia 16 de junho de 2017,
cita o relatório final da PF, Joesley confirmou os repasses a
Cunha após a prisão no valor de 5 milhões de reais como "saldo
da propina", de um total de 20 milhões de reais decorrentes da
atuação do parlamentar na tramitação de uma lei referente à
desoneração tributária do setor de frango, uma das áreas de
atuação da JBS , braço da J&F.
Segundo o documento, o empresário também disse que Temer
sabia do término dos pagamentos a Cunha, bem como da realização
de entregas de valores mensais, de 400 mil reais, a Funaro. O
presidente, diz o relatório, teria recomendado a manutenção de
tais repasses.
"Joesley deixou inconteste que esses pagamentos a Cunha e a
Funaro se destinavam a garantir o silêncio de ambos", diz o
relatório.

"NADA A VER"
Em nota divulgada na quinta-feira, a Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República chama de
"mentirosa" a insinuação de que Temer incentivou pagamentos
ilícitos ao ex-deputado e ao empresário.
"Isso jamais aconteceu. A gravação do diálogo com Joesley
Batista foi deturpada para alcançar objetivo político. A verdade
é que, na conversa grampeada, quando o empresário diz que
mantinha boa relação com o deputado, o presidente o incentiva a
não alterar esse quadro", diz a nota.
A nota da Presidência afirmou que Temer "não tem nada a ver
com aval a qualquer pagamento a quem quer que seja".
"Assim, é ridículo dizer que houve obstrução à Justiça e,
muito menos, relativamente a qualquer caso envolvendo
integrantes da Magistratura e do Ministério Público", afirma a
nota.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 5511 56447702; Reuters
Messenger: [email protected]))


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