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Por Philip Pullella
CIDADE DO VATICANO, 23 Nov (Reuters) – O papa Francisco
visitará Mianmar na próxima semana, em uma viagem delicada do
líder católico para um país de maioria budista acusado pelos
Estados Unidos de "limpeza étnica" da população muçulmana
rohingya.
Francisco também visitará Bangladesh, para onde mais de 60
mil pessoas fugiram do que a Anistia Internacional chama de
"crimes contra a humanidade", incluindo assassinato, estupro,
tortura e expulsões forçadas, alegações que as Forças Armadas de
Mianmar negam.
A viagem é tão delicada que alguns dos assessores do papa o
aconselharam a sequer pronunciar a palavra "rohingya", para
evitar um incidente diplomático que possa fazer o governo e os
militares se voltarem contra a minoria cristã do país.
Os momentos mais tensos da visita marcada para entre os dias
26 de novembro e 2 de dezembro devem ser os encontros privados
com o chefe do Exército, o general Min Aung Hlaing, e,
separadamente, com a líder civil do país, Aung San Suu Kyi.
Mianmar não reconhece os rohingyas como cidadãos, nem como
um grupo com identidade própria, o que coloca Francisco em um
dilema numa visita a um país de 51 milhões de pessoas e apenas
cerca de 700 mil católicos.
"Ele corre o risco ou de colocar sua autoridade moral em
perigo ou de colocar em risco os cristãos daquele país", disse o
padre Thomas Reese, um proeminente autor e analista do Religion
News Service.
"Tenho grande admiração pelo papa e por suas habilidades,
mas alguém deveria tê-lo convencido a não fazer essa viagem",
escreveu.
Fontes do Vaticano afirmam que alguns na Santa Sé acreditam
que a viagem foi decidida de forma açodada depois que laços
diplomáticos totais foram estabelecidos em maio durante uma
visita de Suu Kyi, cuja reputação global como uma vencedora do
prêmio Nobel da Paz tem sido manchada pela manifestação de
dúvidas sobre as acusações de abusos de direitos humanos e pelo
fracasso em condenar as ações dos militares.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759))
REUTERS ES PF


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