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RESUMO DA SEMANA do Mercado Financeiro – 17/06/2016

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A semana embutiu muitos dados importantes no Brasil e no mundo, mas foi mesmo a aversão ao risco no cenário internacional que acabou dominando e fazendo preço para os ativos.

Mexeu muito também com os juros, com investidores buscando “porto seguro” em títulos americanos e alemães, esses com taxa negativa para 10 anos, historicamente as menores.

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Igualmente, o ouro cravou sete pregões seguidos de alta e afrouxamento de algumas commodities especialmente o petróleo. No cerne da questão, o estresse dos investidores com o Brexit e o plebiscito que definirá a situação em 23 de junho, com placar apertado, entre ficar na União Europeia e sair. Só melhorou a permanência após o assassinato da deputada Jo Cox.

Com isso, notamos que os bancos centrais passaram a aguardar a votação para somente depois tomarem decisões. Isso inclui FED, BOE, BOJ, e até o BC suíço. Todos evitando mexer na política monetária para ter que fazer novo movimento após a votação. Janet Yellen, por exemplo, mostra-se reticente e a leitura de sua coletiva indica que o FED não deve elevar juros em julho e mesmo em setembro, quando os EUA já estarão próximos da eleição presidencial.

O BOE indica que a saída da União Europeia exigiria queda dos juros, ocasionaria desvalorização da libra e desemprego, além de cortes de gastos. A situação de David Cameron também complicaria.

Tudo isso serve para justificar a postura errática dos mercados de risco durante a semana e, aqui, não foi diferente tendo que acrescentar todas as conturbações políticas e até o vencimento do índice futuro que sempre agrega volatilidade pelo ajuste de posições.

Na semana, tivemos indicadores importantes. No Reino Unido, o CPI (Consumidor) de maio subiu 0,2% e anualizado em +0,3% Na zona do euro, o CPI subiu 0,4% e a taxa anualizada com deflação de 0,1%.

Nos EUA, o CPI de maio foi de +0,2%, pouco abaixo do esperado. A produção industrial de abril na zona do euro cresceu 1,1% (ano +2,0%) e nos EUA encolheu 0,4%. Nos EUA, o índice de atividade de NY teve alta para 6,01 pontos, quanto o previsto era -4,0 pontos. O índice de atividade de Filadélfia subiu para 4,7 pontos de anterior em -1,8 pontos. A construção de novas residências caiu 0,3% em maio e permissões evoluiu 0,7%. Os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior cresceram 13000 posições para 277000.

No comunicado do FED sobre a reunião de política monetária, o crescimento previsto para 2016 foi reduzido de 2,2% para 2,0%, mesma taxa projetada para o ano de 2017. A inflação subiu para 1,4% de 1,2% e o desemprego projetado em 4,7%.

Resumindo: três assombrações rondam os mercados. O Brexit com desfecho próximo, a situação de crescimento da China que periga não atingir a meta de 6,5% e, as indefinições sobre juros nos EUA, que na nossa visão vão ficando para final do ano ou início do próximo.

Internamente o quadro político dominou. Rodrigo Janot e Teori Zavascki foram manchetes todos os dias, com pedido de prisão de lideranças do PMDB, retorno das investigações sobre Lula para Moro, bloqueio de bens do casal Eduardo Cunha, aprovação na comissão de Ética da cassação de Cunha e procuradores dizendo terem argumento para colocar Lula na prisão.

A delação de Sergio Machado também produziu estrago com a renúncia de Henrique Alves (3º ministro de Temer), e citações de propina para Aécio e ainda Temer. Aliás, Temer fez coletiva irada para comentar o fato. A comissão de impeachment ouviu testemunhas de acusação e defesa e Lewandowski autorizou perícia do processo de impeachment. O TCU também rejeitou as contas de Dilma de 2015.

Na área econômica, destaque para exposição de Henrique Meirelles sobre a PEC do teto de gasto clareando dúvidas, mas deixando a sensação de que isso ainda é pouco para domar o déficit e estancar elevação da dívida pública. O IBGE mostrou vendas no varejo em alta de 0,5% em abril e queda no ano de 6,9%. Também anunciou que o volume de serviços de abril encolheu 4,9% e a receita nominal bruta no comparativo com abril de 2015 subiu somente 0,4%.

O saldo da balança comercial até a segunda semana de junho acumulava superávit de US$ 21,0 bilhões e o Bacen divulgou o IBC-BR de abril em +0,03%, mas contra igual período queda de 4,9%. Foi o pior abril desde 2009. A inflação medida pelo IGP-M na segunda prévia de junho subiu 1,33% (anterior em 0,68%). Na Bovespa, tivemos saques importantes de investidores estrangeiros e, até 15 de junho ainda estava positivo em R$ 497 milhões e no ano com ingresso de R$ 11,9 bilhões.

RESUMO DA SEMANA
IBOV +0,22% (49533) Dow Jones -1,07% Nasdaq -1,92% Dólar -0,12 (R$ 3,421)

PERSPECTIVAS

O que anda movendo o mundo no momento é a expectativa do Brexit em 23 de junho. A disputa acirrada pode empurrar resultados para 27 de junho com os mercados tendo que ajustar apesar de os reflexos sobe as economias não serem imediato. Caso haja permanência, vida que segue. Caso a saída ocorra, bancos centrais terão que adotar novas posturas.

A hipótese de saída pode prejudicar países emergentes, principalmente os exportadores de commodities como o Brasil. E na Bovespa afetar ações como Petrobras, Vale e siderúrgicas. Reflexos também sobre o endividamento das empresas com possível desequilíbrio de moedas pelo mundo.

Para o mercado local, temos que considerar ainda as mudanças requeridas na área econômica, liberações de delações e seus efeitos. A operação abafa Lava Jato pode estar começando a partir do impeachment de Janot e declarações de Renan Calheiros.

Do ponto de vista da análise gráfica, não deveríamos perder a faixa de 48200 pontos do Ibovespa, sob pena de o mercado ficar sem suporte até cerca de 44000 pontos. Já na avaliação positiva teríamos que superar patamar de 50000 e 51000 pontos para abrir objetivos superiores. O certo é que teremos semana sofrida e de grande volatilidade, exigindo prudência na assunção de posições.


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