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Por Alvaro Bandeira

Sócio e Economista Chefe home broker modalmais

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O momento parece ser de otimismo em alta no Brasil, depois de longo período depressivo. No plano político, encontramos a estabilidade na última semana com o preenchimento dos cargos de presidente da Câmara e Senado e, ainda, com a designação de Luiz Edson Fachin como novo relator da operação Lava Jato. Além de homologação das delações de 77 executivos da Odebrecht.

Independente dos nomes serem ou não de agrado da maioria, o fato é que o governo conseguiu emplacar nomes de sua preferência e, com isso, abre espaço maior para aprovar medidas que consolidem o rumo correto do ajuste econômico imprescindível. Conseguiu reforçar sua base de apoio dando maior poder ao PSDB, independente de ter desgostados alguns parlamentares do PMDB. Essa consolidação da base de Temer e maior diálogo junto ao parlamento, dão força à gestão de Temer que começou desacreditado e com baixa popularidade.

Na economia, temos noticiado durante as últimas semanas que o quadro está melhorando. Basta olhar o último relatório Prisma e as três últimas pesquisas Focus do Banco Central para consolidar essa visão. A inflação estimada pelo IPCA para 2017 voltou a cair para 4,64%, podendo cair ao ponto de chegarmos na virada do semestre no centro da meta de 4,50%. Aliás, já começa a ser sinalizado que em 2018 poderemos estar trabalhando com viés de 3,0% de inflação, o que ampliaria ainda mais as expectativas de queda da taxa Selic, com os juros reais na direção de 4,5%/5,0%.

Claro que algumas variáveis ainda vão piorar nesse processo, mas são claramente projetadas. O desemprego vai seguir subindo nos próximos meses, assim como a dívida bruta brasileira. Porém, a ainda farta liquidez internacional vai seguir nos ajudando, com o déficit em conta corrente coberto amplamente pelo investimento direto no país (IDP). De outra feita, não parece ser ainda uma tendência, mas no mês de janeiro formatamos superávit na balança comercial de US$ 2,7 bilhões, mesmo considerando retomada das importações no montante de US$ 12,2 bilhões.

Esse vasto otimismo relato está na razão direta do governo seguir trilhando os caminhos de ajuste e até contingenciando mais o orçamento para conseguir manter o déficit de R$ 143 bilhões de 2017 em linha. Talvez seja preciso cortes adicionais da ordem de R$ 40 bilhões ou nova rodada de repatriação de recursos do exterior que tanto ajudaram a União e Estados na composição do déficit de 2016.

Outro fator que nos deixa otimista é a postura de Temer favorável à quebra de sigilo das delações da Odebrecht. Pelo andar da carruagem, o comprometimento de pessoas ligadas a Temer não deve ser tão grande e certamente seria muito bom evitar o fatiamento seletivo de vazamentos e dispersão pelo tempo, com ruídos desnecessários.

Se tudo isto estiver na direção correta, os mercados irão destravar com claros benefícios para a Bovespa e reprecificação positiva dos ativos. Ficam faltando ajudar as empresas de uma forma mais global sobre o nível de endividamento elevado e produtividade. Mas até sobre isso o governo na última semana acenou com a possibilidade de novas medidas microeconômicas que esperamos vá nessa direção e na ampliação da eficiência.

Essa é só uma possiblidade, mas cremos que podemos estar no limiar de novos horizontes. Aliás, sempre lembrado como provável ministro, Armínio Fraga, deu declarações que o “trem da política econômica já não está mais desgovernado e nem na direção do precipício”. 


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