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Estamos na reta final do julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff que pode acontecer até o final do mês de agosto. Todos os recursos usados pela defesa parecem estar exauridos. Ainda nessa semana, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, negou anulação do impeachment. Então, vida que segue.

Com a vida seguindo, tudo indica que Dilma será efetivamente afastada e Michel Temer será efetivado no cargo. Apesar de existir tecnicamente a possibilidade de uma virada de mesa (bom não esquecer do Brexit que era certo não acontecer), ela é mínima e o governo de Temer pode ter mesmo mais de 60 votos pró-impeachment, bem acima dos 54 votos necessários.

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Supondo que essa etapa será travessada sem susto, Temer já teria agendado visitas aos exterior, começando pela reunião do G-20 logo no início de setembro, com encontro já marcado com Xi Jinping e Li Keqiang, respectivamente presidente e primeiro ministro da China. Ficamos sabendo ainda que Temer pretende viajar mais ainda, tendo como escopo dessas viagem “vender” o Brasil para investidores e governos no exterior e reforçar o aumento da credibilidade das instituições do país.

Certamente isso seria extremamente oportuno. Mas como dizia um ex-ministro e negociador da dívida brasileira, conversar com banqueiros é fácil. O que não é fácil é negociar e depois ter que explicar isso no Congresso. O problema não está em angariar a simpatia e atrair investidores para o país mostrando mudanças. O problema está em promover tais mudanças tendo que obter os votos necessários no Congresso.

Assim será vida dura para Temer. Até aqui o presidente interino conseguiu “pentear a juba do Leão” sem nenhum incidente, se considerarmos que voltar atrás em algumas posições assumidas não é tão grave. Porém, Temer e sua equipe econômica terão de serem bem menos maleáveis a partir do day after do impeachment. Devemos acrescentar a isso todos os pontos polêmicos que foram sendo empurrados para depois do impeachment.

O reajuste de servidores do judiciário é um desses pontos e já provoca fissuras até na base de apoio de Temer. A renegociação das dívidas dos Estados já foi bastante desidratada em seus cinco pontos de honra, ficando somente o limite de teto de gastos estabelecido também para a União. Mesmo assim não conseguiu quórum para votação pela terceira vez seguida. A própria PEC 241 que limita os gastos dos próximos anos à correção pela inflação anterior vem encontrando resistências, principalmente no que tange à saúde e educação.

Os ministros Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) advertem para coisas do tipo: sem mudança na dinâmica a dívida sobe descontrolada. Sem medidas o país entraria no rol daqueles que colapsaram. Não dá para resolver déficit e dívida por aumento de impostos. O país já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, mas aumentos não podem ser descartados. O controle de despesas é fundamental para ampliar a credibilidade do país.

Pois bem, no dia seguinte ao impedimento de Dilma, o governo terá que falar grosso. Terá que falar e agir sobre um dos maiores derrames de despesas que é a Previdência Social.

Sem reforma da Previdência não há muita solução para o déficit fiscal, nível de endividamento e, com gastos expansionistas para controlar a inflação e reduzir juros nominais e reais. Mais que isso, sem uma base de apoio político coesa será difícil caminhar sem sustos na direção correta. Notem que não estamos levando em conta eventuais estragos que possam ser feitos pela Lava Jato e seus filhotes sobre a classe política.

Uma coisa temos certeza: os caminhos para chegar ao rumo certo são muito tortuosos e vai exigir grande habilidade do grupo palaciano, sem poder tergiversar.

Por Alvaro Bandeira

Sócio e Economista Chefe home broker modalmais


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