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A chanceler alemã, Angela Merkel, lamentou nesta sexta-feira o resultado do referendo no Reino Unido, que rotulou de “ponto de inflexão” para a Europa, e pediu “calma” e “moderação” para as negociações que começarão em breve entre Bruxelas e Londres.

Merkel fez estas declarações em breve declaração para se posicionar em relação ao resultado do referendo no Reino Unido, onde – segundo os resultados já definitivos – o bloco favorável a abandonar a União Europeia (UE) venceu ontem com 52% dos votos.
“Não há nada a ser falado. O dia de hoje representa um ponto de inflexão para a Europa e para o projeto europeu”, afirmou Merkel, destacando que a “Alemanha tem um interesse especial e uma responsabilidade especial” em que o projeto comunitário prospere.

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Merkel defendeu que as relações futuras com o Reino Unido sejam “estreitas” e amistosas, e garantiu que nas negociações defenderá os interesses dos cidadãos alemães e da indústria nacional.

A chefe do governo alemão pediu a unidade dos demais 27 países-membros da UE porque “os desafios” derivados da globalização “são muitos grandes para superá-lo sozinhos” e apostou em manter uma “união solidária e de valores” que forneça aos cidadãos “paz, bem-estar e estabilidade”.

Também pediu aos demais membros da UE que não busquem agora “decisões rápidas” a respeito da futura relação do Reino Unido com o bloco, já que, segundo sua opinião, isto só “dividirá a Europa”, e pediu “calma e moderação para tomar juntos as decisões corretas”.

Merkel também pediu para aproximar o projeto europeu dos cidadãos, levando em conta que a Europa é “diversa” e, em consequência, as “expectativas” de seus habitantes também são.

Neste sentido, advertiu contra o euroceticismo, indicando que as “dúvidas fundamentais” em torno do processo europeu crescem “não só no Reino Unido, mas em todos os países”.
Em sua opinião, é essencial assegurar que todos os cidadãos percebam que a UE contribui para a melhora de suas vidas em nível individual.

Merkel anunciou que convidou para uma cúpula extraordinária prevista para a próxima segunda-feira em Berlim o presidente francês, François Hollande, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Hollande

O presidente da França, François Hollande, afirmou que “os procedimentos previstos pelos tratados (para a saída do Reino Unido) serão rapidamente aplicados”.

Hollande, em declaração institucional, lamentou “profundamente pela França e pela Europa” a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) decidida pelos britânicos em referendo, embora tenha lembrado que é “sua escolha, e é preciso respeitá-la”.

Premiê da Escócia diz que referendo de independência “é altamente provável”

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, disse nesta sexta-feira que a convocação de um novo referendo de independência na Escócia “é altamente provável”, depois que o conjunto do Reino Unido decidiu deixar a UE.
Sturgeon “lamentou” o resultado do referendo realizado ontem, no qual 52% dos britânicos votaram pelo “brexit”, e garantiu em entrevista coletiva que vai fazer “o possível” para manter a Escócia na UE.

Ao contrário de Inglaterra e País de Gales, a autonomia escocesa votou majoritariamente em favor da permanência na UE, por isso o governo autônomo considera agora que será tirado do bloco comunitário à força.

“Tal como estão as coisas, a Escócia enfrenta a perspectiva de ser tirada da UE contra sua vontade. Considero que isso é democraticamente inaceitável”, declarou a premiê.

A líder independentista afirmou que o “brexit” representa “a mudança material de circunstâncias” que seu governo precisava para contemplar um segundo plebiscito, por isso este “deve estar e está sobre a mesa”.

Nesse sentido, Sturgeon informou que o parlamento escocês começará a preparar “a legislação necessária” para possibilitar uma segunda consulta e seu gabinete se reunirá amanhã para determinar os passos seguintes.

Além disso, a premiê escocesa disse que pedirá ao governo central que permita ao Executivo em Edimburgo estar informado e envolvido em todos os passos da negociação para sair da União Europeia, uma vez que se invoque o Artigo 50 do Tratado de Lisboa.
Sturgeon também antecipou que pedirá uma reunião com o presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker.

O governo do Partido Nacionalista Escocês (SNP) convocou um referendo de independência em 18 de setembro de 2014, no qual os independentistas foram derrotados, depois que 55% da população apoiou a continuidade no Reino Unido.

Em seu discurso de hoje, a primeira-ministra da Escócia lembrou que a derrota dos independentistas nessa consulta foi, em parte, porque os unionistas conseguiram convencer os escoceses que deixar o Reino Unido significaria que a Escócia também ficaria fora da UE, o que acabou ocorrendo no fim das contas.

“Isto significa que há uma mudança material e significativa nas circunstâncias nas quais a Escócia votou contra a independência em 2014”, afirmou a premiê.

Por outro lado, Sturgeon opinou que o voto favorável ao “brexit” foi consequência, sobretudo, do “descontentamento” dos cidadãos com os cortes do Partido Conservador e com o abandono do Partido Trabalhista.

Com Ag. EFE


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