Clicky

MetaTrader 728×90

O Monitor do PIB-FGV apresentado nesta quinta-feira sinalizou o crescimento de 0,1% do PIB no terceiro trimestre, comparado ao segundo trimestre e de 0,1% no mês de setembro, em comparação ao mês de agosto, de acordo com a série ajustada sazonalmente. Considerando que este é um trimestre excepcional para as estimativas do Monitor do PIB-FGV, já que na divulgação do terceiro trimestre das Contas Nacionais Trimestrais, o IBGE irá incorporar os resultados definitivos recém divulgados do PIB de 2015, revisando a taxa negativa de -3,8% (do PIB Tri) para -3,5%, e alterando os resultados de 2016 e 2017, anteriormente divulgados. Era imprescindível, portanto, emular tais procedimentos, a despeito das limitações deste exercício.

A atenção segue para a taxa de variação do PIB de 2016, estimado pelo Monitor do PIB-FGV, se torna menos negativa (de -3,6% para -3,4%) e os trimestres de 2017 também sofrem alterações.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

Em termos monetários, o PIB de 2016 foi de R$ 6,26 trilhões, enquanto o PIB acumulado em 2017 até o mês de setembro, em valores correntes, alcançou a cifra estimada em aproximadamente de R$ 4,91 trilhões. Para se obter os números de 2016 foi usada a Tabela de Recursos e Usos disponibilizada, de 12 setores do IBGE a valores correntes. Para os meses dos dois primeiros trimestres de 2017 foram utilizados os deflatores do PIB-Tri do IBGE anteriormente divulgados. Para os meses deste terceiro trimestre de 2017 foram utilizados os deflatores desenvolvidos pela equipe do Monitor do PIB-FGV.

“No mês de setembro, a economia continuou a crescer e no terceiro trimestre se completaram 3 trimestres de taxas positivas na série com ajuste sazonal. Nessa comparação, a agropecuária após um primeiro trimestre espetacular apresentou no segundo e terceiro trimestres taxas de variação negativas, enquanto a indústria e os serviços foram positivos. A indústria de transformação e o comércio apresentam os melhores resultados. Surpreende a taxa positiva (+0,2%) da Construção após 10 trimestres de resultados negativos.”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

Vale a pena destacar as desagregações dos elementos pela ótica da demanda, exclusivas do Monitor do PIB-FGV, que possibilitam uma análise mais robusta, e que já permitia antecipar esse processo de recuperação: São eles o consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo.

O consumo das famílias continua puxando o crescimento pela ótica da demanda; a reação do consumo iniciou em março com os resultados positivos do consumo de bens semiduráveis (vestuário, calçados etc.), passou para os bens duráveis (autos, televisores, etc.) a partir de maio, abrangeu o consumo dos não duráveis (alimentação, gasolina, etc.) a partir de junho e, em setembro a única taxa trimestral interanual ainda negativa é a de serviços (-0,1%).

A Formação Bruta de Capital Fixo, por sua vez, apresenta pela primeira vez em 40 meses (desde abril de 2014) resultado positivo na taxa trimestral móvel interanual (+0,2%); este resultado não é melhor devido ao fraco desempenho da construção civil (-5,3%), pois, o componente máquinas e equipamentos já vinha sinalizando com taxas timidamente positivas desde janeiro e, em setembro, apresenta resultado expressivo (9,7%), com resultado positivo também para sua importação.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o PIB apresentou crescimento de 1,3%, no terceiro trimestre. Os destaques foram os desempenhos da agropecuária (+10,2%), da transformação (+3,3%), do comércio (+5,3%) e dos transportes (+3,6%). A construção, embora apresente tendência ascendente, ainda se encontra em significativa retração (-6,4%), enquanto serviços de informação vêm apresentando taxas mais negativas desde o trimestre findo em maio de 2017, chegando a -4,9% no terceiro trimestre. Na taxa mensal interanual, o PIB apresentou crescimento de 1,3% no mês de setembro, sendo esta a quinta taxa mensal positiva consecutiva.

O consumo das famílias apresentou crescimento de 2,8% no terceiro trimestre, comparativamente ao mesmo trimestre em 2016. Todos os bens de consumo continuam com aceleração do crescimento: o consumo de bens não duráveis cresceu 2,5%, o de semiduráveis 11,6%, e o consumo de duráveis 11,7%. A única taxa negativa, ainda que ínfima, foi a de consumo de serviços (-0,1%). Em termos da série ajustada sazonalmente, há três trimestres consecutivos o consumo das famílias é positivo e neste terceiro trimestre foi de 0,9%, comparativamente ao segundo. Adicionalmente, há 2 trimestres todos seus componentes se mostram positivos em relação aos trimestres anteriores.

A formação bruta de capital fixo (FBCF) apresentou crescimento de 0,2% no terceiro trimestre, comparativamente ao mesmo trimestre em 2016; esta é a primeira variação positiva da FBCF após 40 meses consecutivos de queda. Todos os componentes da FBCF apresentaram melhora com relação as taxas divulgadas nos meses recentes

A taxa de investimento (FBCF/PIB), a preços constantes, após alcançar o ápice de 24,3% em outubro de 2013, declinou sistematicamente até o início de 2017 e, no mês de setembro do corrente ano, apresenta sinais de melhora chegando a 18,1%.

A exportação apresentou crescimento de 6,8% no terceiro trimestre, comparativamente ao mesmo trimestre em 2016, e tem sido crescentemente positiva desde o primeiro trimestre.

O destaque positivo se deve ao desempenho da exportação dos produtos da agropecuária (+38%), da extrativa mineral (+12,9%), de bens de consumo duráveis (+31,7) e de bens intermediários (+11,1%).

A importação apresentou crescimento de 6,9% no terceiro trimestre, comparativamente ao mesmo trimestre em 2016. Chama a atenção o desempenho positivo de todas as categorias de bens, à exceção dos bens de consumo duráveis cuja taxa é negativa em 8,1%.


Assuntos desta notícia