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O saldo da balança comercial acumulado até fevereiro de 2018 foi de US$ 7,7 bilhões, um valor próximo ao resultado para esse mesmo período em 2017, US$7,3 bilhões. Em termos de valor, as exportações cresceram 12,9% e as importações 15,1% entre os dois primeiros bimestres de 2017 e 2018. A corrente de comércio alcançou US$ 61 bilhões, o melhor resultado desde o acumulado no ano até fevereiro de 2015. Os dados são da FGV/IBRE e foram apresentados hoje.

No caso das exportações, a principal contribuição para o aumento das exportações entre os dois primeiros bimestres de 2017 e 2018 coube às manufaturas com percentual de 90%. O resultado foi influenciado pela exportação de uma plataforma de petróleo em fevereiro, mas mesmo excluindo esse item, as manufaturas contribuíram com 84%. Entre 2016 e 2017, mesmo período, a liderança foi dos produtos básicos, com contribuição de 72%.

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No caso das importações, a principal diferença foi o desempenho das importações de bens de capital que passaram de uma contribuição negativa (2016/17) para uma contribuição positiva (11%) entre os dois primeiros bimestres de 2017 e 2018. Esse resultado confirma a expectativa de melhora no crescimento econômico para o presente ano.

“Apesar dos resultados similares entre os dois primeiros bimestres de 2017 e 2018 esperamos que ao longo do ano o saldo comercial tenda a recuar com a retomada do crescimento econômico, embora se mantenha a previsão de um superávit comercial ao redor de US$ 50 bilhões” segundo Lia Valls.

A análise dos índices de preços e volume do comércio exterior (ICOMEX) mostra as principais diferenças nos resultados do primeiro bimestre de 2018 e de 2017.

Os índices de comércio exterior

O aumento no valor exportado em 2018 é explicado pelo comportamento dos preços que cresceram 13% enquanto o volume recuou 0,3%. Em relação às importações, os preços também lideraram o crescimento, mas o volume também registrou aumento de 1,4%. Na comparação 2016/2017, o volume importado (12,3%) cresceu acima dos preços (1,3%). Nesse início de 2018, portanto, os desempenhos favoráveis dos fluxos da balança comercial foram influenciados pelo aumento dos preços.

A queda no volume exportado é explicado pelas exportações de commodities que caíram 11,8% entre 2017/2018, enquanto as não commodities registraram crescimento de 15,8%. Além disso, na comparação dos bimestres de 2016/2017, chama atenção o elevado crescimento nos preços das commodities (34,9%) comparado com igual período de 2017/2018 (13,4%). Em síntese, as exportações de não commodities registraram melhor desempenho em volume e similar em preço do que as commodities no primeiro bimestre de 2018.

A queda no volume exportado foi puxada pelo petróleo e seus derivados (-23,4%), outros minerais (-9,5%) e o minério de ferro (1,4%), que explicaram 42% do total da cesta de commodities. O complexo da soja, participação de 20% na cesta, registrou variação de 4,9%, o que não compensou as perdas em volume dos outros produtos antes mencionados. Observa-se ainda que o aumento do volume do complexo da soja é atribuído ao óleo de soja e o farelo de soja, pois o volume de soja em grão recuou 18,4%, entre os meses de fevereiro de 2017/18. No caso dos preços das commodities, petróleo e derivados, celulose, semimanufaturados de ferro e aço estão entre os 11 produtos que registraram aumento de preços.

Os preços das exportações das commodities são os principais determinantes dos termos de troca. Entre os dois primeiros bimestres de 2017 e 2018, os termos de troca recuaram 1,3%.

Por tipo de indústria, o maior volume exportado foi da agropecuária (14%), seguido da indústria de transformação (7,4%) e o da extrativa caiu 33,9%. Na comparação com o 2016/17, piorou o desempenho da indústria extrativa e melhorou da transformação e da agropecuária. Em termos de preços, apenas a indústria de transformação registrou aumento de preço superior na comparação do bimestre 2017/2018 do que 2016/2017. Na agropecuária os preços recuaram em 5,2% e na extrativa o aumento, embora elevado, 43,6%, foi menor do que em 2016/2017, 90%.

O volume importado cai na agropecuária, extrativa e cresce 4,1% na indústria de transformação, um percentual menor do que 2016/17 (20,8%). Em temos de preços, é registrado aumento apenas na indústria de transformação. O menor crescimento no volume importado da indústria de transformação em comparação com 2016/17 leva a que se observe a decomposição desse resultado por categoria de uso.


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