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A Bovespa seguiu o embalo dos mercados acionários globais nesta sexta-feira, com o rompimento do Reino Unido com a União Europeia, o que pegou o mundo de surpresa depois que as pesquisas no final da tarde desta quinta-feira (23) apontavam para a permanência no bloco formado por 28 nações.

Ao final, o Ibovespa caiu 2,82% aos 50.105 pontos. O volume financeiro com as vendas seguia para R$6,9 bilhões.

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O dólar comercial, a exemplo nos demais mercados, ganhou força. No interbancário, a moeda fechou cotada aos R$3,378 na compra e R$3,379 na venda, alta de 1,05%.

“Foi uma surpresa e um impacto grande, já que todos esperavam a permanência. Os mercados responderam imediatamente perdendo força. A partir de agora, o Reino Unido viverá um momento agudo e nocivo, considerando que a União Europeia também terá sua parcela negativa, já que são muitos detalhes econômicos e políticos que estão em jogo. Foi um tiro no pé? Sim! E os efeitos começarão a ser sentidos nos próximos dias. Em relação a zona do euro, com as ameaças no ano passado da Grécia em abandonar o bloco, os efeitos seriam grandes mas não como na UE. A zona do euro enfrenta dificuldades econômicas, principalmente, com a chegada de imigrantes e sem uma liderança de expressão. O Reino Unido vai ter que enfrentar os riscos, com projetos relevantes, com uma política forte, entre tantos detalhes que estão no acordo do bloco dos 28 países. Foi realmente um tiro no pé!”, considerou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

As primeiras reações vieram dos mercados asiáticos, em destaque a Bolsa de Tóquio com o índice Nikkei 225 despencando quase 8%. O iene valorizou ante o dólar, o ouro seguiu na esteira de ativos mais atraentes.

Diversas reações sobre o Brexit seguem ocorrendo e, em especial, a mais contundente foi a do primeiro-ministro David Cameron anunciando que deixará o posto em outubro em comunicado pessoalmente a Rainha Elizabeth II.

O presidente em exercício, Michel Temer, também se manifestou nesta manhã. “Nós precisamos verificar quais são as repercussões econômicas que possam atingir o Brasil. O ministro Meirelles vai se encontrar com o representante do governo britânico, discutir um pouco essas questões e vamos esperar os acontecimentos.”

Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em nota disse que o Brasil tem fundamentos econômicos sólidos e dispõe de instrumentos para lidar com turbulências na economia internacional. Com a saída da Grã Bretanha da União Europeia, a pasta destacou que o país está preparado para instabilidades na economia global.

Segundo o ministério, o Brasil tem expressivo volume de reservas internacionais e o ingresso de investimento direto estrangeiro tem sido suficiente para financiar o déficit nas contas externas. Esses dois fatores ajudam a conter pressões para a elevação da cotação do dólar.

O comunicado destacou que as condições de financiamento da dívida pública brasileira permanecem sólidas apesar da volatilidade nos mercados financeiros. Isso porque o Tesouro Nacional tem amplo colchão de liquidez (reserva de recursos para pagar os vencimentos da dívida pública) e porque, diferentemente de muitos países, a dívida pública brasileira é composta majoritariamente de títulos públicos em reais, não em dólares ou em euros.

As ações da Petrobras ON ficaram cotadas a R$11,43 e variação de -5,15% e a PN em R$9,25 e variação de -4,34%.

As ações da Vale também operam no vermelho, com a ON em R$15,21 aos -8,96% e a PN em R$12,20 e -8,96%.

Petróleo

O barril de petróleo Brent para entrega em agosto fechou nesta sexta-feira em baixa de 5,04% no mercado de futuros de Londres, cotado a US$ 48,34.

O petróleo do Mar do Norte terminou a sessão no International Exchange Futures (ICE) US$ 2,57 abaixo do valor final da sessão de ontem, que foi de US$ 50,91.

O preço do petróleo europeu caiu durante o dia devido aos temores de que a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) possa afetar a economia do bloco comunitário e reduzir a demanda pela commoditie.

O preço do Brent ficou abaixo dos US$ 50 durante a madrugada, quando a apuração de votos do referendo sobre o “brexit” começava a revelar a vantagem dos favoráveis ao rompimento com a União Europeia, e se manteve abaixo desse limite durante toda a jornada.

Mesmo assim, os analistas assinalaram que os mercados não acreditam que as perspectivas econômicas da zona do euro venham a pressionar para baixo os preços do petróleo no longo prazo.

“O continente (europeu) não está no foco das expectativas de crescimento global da demanda” de petróleo, afirmou em comunicado a firma S&P Global Platts.

“Em termos de oferta, a produção europeia, que se concentra no Mar do Norte, é relativamente marginal, abaixo de 4% do total global no ano passado, enquanto a produção britânica representa 1% do total global”, afirmou.

O barril do Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve) fechou em baixa de 4,93% nesta sexta-feira, cotado a US$ 47,64, um importante retrocesso vinculado com as turbulências vividas hoje nos mercados financeiros e de matérias-primas.

Ao final da sessão desta sexta-feira na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), os contratos futuros do WTI para entrega em agosto caíram US$ 2,47 em relação ao fechamento de ontem.

O valor de fechamento ficou conhecido apenas meia hora depois do habitual devido aos fortes movimentos nas operações na Nymex. Com a queda de hoje, a baixa acumulada esta semana no WTI é de 0,71%.

Desde o início da jornada, o WTI, o petróleo de referência nos Estados Unidos, estava operando em forte baixa, como reação à decisão dos cidadãos britânicos de votar em favor da saída de seu país da União Europeia.

A queda do WTI é muito parecida com a do Brent, o petróleo de referência na Europa e nos mercados globais, que hoje perdeu 5,04% e terminou em US$ 48,34 o barril.

No caso do WTI, o mínimo anual anotado até agora é de US$ 26,21 o barril, o preço de fechamento do dia 11 de fevereiro. O máximo anual, US$ 51,23 o barril, foi registrado no dia 8 de junho.

A queda de hoje aconteceu mesmo depois que a firma Baker Hughes anunciou uma queda de sete no número de plataformas petrolíferas operando nos Estados Unidos nesta semana, para 330, a metade das que estavam em atividade nesse mesmo período do ano passado.

Por sua vez, os contratos de gasolina com vencimento em julho caíram US$ 0,08, para US$ 1,52 o galão, enquanto os de gasóleo de calefação para entrega no mesmo mês fecharam US$ 0,07 mais baratos, avaliados em US$ 1,46.

Já os contratos de gás natural com vencimento em julho caíram US$ 0,04 e fecharam em US$ 2,64 para cada mil pés cúbicos.

O minério de ferro negociado no porto de Qingdao fechou em queda de 2,4% aos US$50,61 a tonelada seca.


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