Clicky

mm black 728

Não poderia ser diferente o comportamento das Bolsas de Valores da Europa nesta sexta-feira, depois que mais da metade dos eleitores britânicos (52,9% ante os 48,1%) optou pela saída do Reino Unido do bloco da União Europeia na madrugada desta sexta-feira (24).

O Índice Stoxx Europe 600 afundou 7% no fechamento do pregão, juntando-se uma onda de vendas do mercado global a iniciativa dos eleitores e com o primeiro-ministro David Cameron pedindo demissão.

300×250 4 reais

O Índice FTSE 100, Bolsa de Londres, depois de recuar quase 9%, acabou voltando e para 3,2% com os exportadores ganhando em meio a desvalorização da libra em -10%, o pior patamar em 31 anos.

O volume de ações trocando de mãos na indicador europeu foi quase quatro vezes maior do que a média de 30 dias. Todos as empresas no Stoxx 600 caíram, com os bancos e seguradoras amargando os piores resultados.

Ao final, em Milão, o índice FTSE-MIB escorregou 12,48% aos 15.723 pontos; em Madri, o índice Ibex 35 desvalorizou 12,35% aos 7.787 pontos;  Paris, o índice CAC-40 perdeu 8,04% aos 4.106 pontos; em Frankfurt, o índice DAX 30 caiu 6,82% aos 9.557 pontos; em Londres, o índice FTSE-100 perdeu 3,15% aos 6.138 pontos; e, em Lisboa, o índice PSI-20 recuou 6,99% aos 4.362 pontos.

O resultado também dissolveu os mercados globais, com os investidores buscando ativos mais seguros enquanto aguardavam os pronunciamentos dos bancos centrais, políticos e representantes do grupo das maiores economias do Planeta, o G7.

A atitude imediata veio nesta manhã do primeiro-ministro britânico David Cameron, que foi pessoalmente comunicar sua decisão de deixar o cargo a Rainha Elizabeth II.

Bancos

O Banco da Inglaterra disse que preparou 250 bilhões de libras (310 bilhões de euros, em taxas de câmbio atuais) adicionais para sustentar o sistema financeiro do Reino Unido por conta de uma provável vitória do “Brexit”.

O presidente do banco, Mark Carney, advertiu que a saída da União Europeia (UE) vai envolver um período de “incerteza e ajuste”, mas insistiu que a instituição está “bem preparada” com um plano de contingência.

Carney, que tinha avisado previamente dos riscos para a economia que teria abandonar a UE, disse também que a instituição pode proporcionar também “liquidez em divisa estrangeira”.

“Esperamos que as instituições utilizem este financiamento quando for apropriado, da mesma forma que esperamos que recorram a seus próprios fundos conforme for necessário para facilitar o crédito, apoiar os mercados e oferecer outros serviços financeiros à economia real”, declarou.

O presidente do Banco da Inglaterra explicou que, graças às provas de resistência, os bancos do país estão bem capitalizados para enfrentar inclusive “cenários mais adversos que o que agora enfrenta” o Reino Unido.

As entidades britânicas, disse Carney, arrecadaram mais de 130 bilhões de libras (161,2 bilhões de euros), e têm agora mais de 600 bilhões de libras (745 bilhões de euros) de ativos de qualidade.

Na outra ponta, o Banco Popular da China (Banco Central Chinês) anunciou que iniciou um “plano de contingência” para minimizar os efeitos na segunda economia mundial da saída do Reino Unido da União Europeia, após o referendo realizado nesta quinta-feira.

“Tomamos nota da reação dos mercados financeiros depois que fosse anunciado o resultado e pusemos em prática um plano de contingência”, antecipou a autoridade monetária chinesa em comunicado.

O banco central do gigante asiático se comprometeu a utilizar sua política monetária para manter a liquidez do sistema financeiro “em volumes adequados e razoáveis” e preservar a estabilidade financeira.

G7

Os países-membros do G7, que reúne as sete economias mais industrializadas do mundo, asseguraram nesta sexta-feira que estão “prontos para usar os instrumentos de liquidez estabelecidos” para fazer frente aos efeitos adversos nos mercados da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia no referendo realizado ontem.

“Os bancos centrais do G7 deram os passos para garantir a liquidez adequada e apoiar o funcionamento dos mercados”, explicaram em comunicado os ministros de Finanças e governadores de bancos centrais do grupo, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

“Reconhecemos que a excessiva volatilidade e os movimentos desordenados nos tipos de mudanças podem ter implicações adversas para a estabilidade econômica e financeira”, diz a nota, emitida após a vitória do “Brexit” no referendo britânico.

Os países-membros do G7 manifestaram seu “respeito” pela vontade expressada nas urnas pelos britânicos de sair da UE e que mostraram uma divisão entre os eleitores de Inglaterra e Gales, que apoiaram majoritariamente o “Brexit”, e a postura dos de Escócia e Irlanda do Norte, que querem permanecer na União Europeia.

“Estamos monitorando o desempenho dos mercados após o resultado do referendo sobre a continuação do Reino Unido na UE”, diz o comunicado, que foi emitido pouco antes da abertura dos mercados nos Estados Unidos.

Federica Mogherini

A alta representante da União Europeia para a Política Externa, Federica Mogherini, afirmou que, apesar da decisão dos britânicos pela saída do Reino Unido da União Europeia, o bloco continuará sendo um “ator forte” em nível mundial e uma “força de paz”.

“A União Europeia seguirá sendo um ator forte e um parceiro de confiança para nossos amigos no mundo todo. Continuaremos atuando como uma força de paz, um fornecedor de segurança e um firme partidário da cooperação internacional e do multilateralismo”, declarou ela em comunicado.

A política italiana reconheceu que os cidadãos britânicos tomaram uma decisão que, “por mais que lamentemos, respeitamos”.

“Por isso devemos avançar sobre a base de nossos valores e interesses compartilhados e trabalhando pela segurança e o bem-estar de nossos cidadãos, a inclusão e resiliência de nossas sociedades e um mundo mais justo e cooperativo”, afirmou.

Federica ressaltou que “a desvinculação não é uma opção”, mas que “também não se pode continuar como se nada tivesse acontecido”.

Barack Obama

O presidente dos Estados Unidos Barack Obama, em comunicado, disse que respeita a decisão do povo britânico de deixar a União Europeia (UE) e afirmou que tanto o Reino Unido como a UE “vão continuar sendo parceiros indispensáveis dos EUA”.

“O povo do Reino Unido falou e respeitamos sua decisão”, declarou Obama em comunicado. “A relação especial entre Estados Unidos e Reino Unido é duradoura e a filiação do Reino Unido à Otan continua sendo uma pedra fundamental da política econômica, externa e de segurança dos Estados Unidos”

“Igualmente (importante) é nossa relação com a União Europeia, que fez tanto para promover a estabilidade, estimular o crescimento econômico e promover os valores e ideais democráticos em todo o continente e fora de suas fronteiras”, afirmou Obama, que hoje vai fazer um pronunciamento em uma conferência de empreendedores na Califórnia.

Analistas

Conforme analistas internacionais, ainda é cedo para saber o tamanho do peso que a decisão trará para os países que integram a União Europeia (28) e também qual será a reação dos demais para um plebiscito semelhante. Ruídos não confirmados dão conta de que a França poderá decidir também por um referendo.

Enquanto isso, nesta sexta-feira, as moedas se valorizaram, bem como o ouro. As demais commodities, com o petróleo e minério de ferro, despencaram em todos os mercados.

O preço do ouro disparou nos mercados internacionais, mais de 4% em Londres, depois que os investidores passaram a optar pela compra do metal como uma saída segura para a volatilidade provocada pela vitória do “Brexit” e suas consequências.

O preço da onça de ouro à vista fechou no mercado de Londres em US$ 1.315,50, uma variação positiva de 4,2% em relação ao término do pregão anterior, enquanto a fábrica de moeda Royal Mint anunciou um aumento de 550% das compras de seus produtos nessa matéria-prima.

Indicador

O sentimento para a economia da Alemanha melhorou significativamente antes do referendo Brexit. Os dados são do Índice do Clima de Negócios, Ifo, divulgados nesta sexta-feira. O indicador a subiu para 108,7 pontos em junho de 107,8 pontos em maio (com ajuste sazonal).

Os níveis de satisfação com a situação atual dos negócios ficaram um pouco maior, mas as perspectivas de negócio a curto prazo melhoraram significativamente. A economia alemã permanece flutuante.


Assuntos desta notícia