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A semana bem que começou tranquila nos mercados acionários globais, com os investidores comprando na segunda-feira (07) e aproveitando para ajustar as carteiras com as agendas econômicas enfraquecidas.

Na terça-feira (08), porém, o cenário mudou completamente com o avanços nas diferenças entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, principalmente nesta quinta-feira (10), com os dois líderes, Donald Trump e Kim Jong-Un, elevando o tom das falas e assustando o mundo com um possível conflito com armas nucleares.

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O tom ficou ainda mais duro nesta sexta-feira, com as provocações acirradas e colocando a ilha de Guam, território norte-americano na Ásia, em estado de alerta total.

Voltando para a semana, os poucos indicadores econômicos mostraram que a Ásia segue fortalecida, em especial o Japão e a China.

Na Europa, o movimento dos mercados também ficou pautado no conflito geopolítico das duas nações. Os dados econômicos da Alemanha, Reino Unido e França, mistos, não despertaram cautela e os investidores seguiram analisando a temporada de balanços e atentos para os dois presidentes brigões.

Nos Estados Unidos, os índices que movimentam Wall Street reagiram forte ao clima tenso entre os dois países. Nesta quinta-feira (10), a bolsa de Nova York despencou e a recomposição de hoje ficou com os números da inflação, abaixo das estimativas. Os investidores esperam que o Federal Reserve não deverá mexer com as taxas de juros no curto prazo.

Embora nesta sexta-feira, Jong-Un e Trump sigam nos ataques verbais, a diplomacia norte-americana ainda acredita no diálogo com os comunistas.

Por aqui, a agenda fraca da semana trouxe um pouco de tranquilidade aos mercados. O IPCA veio em linha e o Caged mostrou ligeira reação na oferta de empregos. A balança comercial revelou números positivos e com o setor agropecuário mantendo a economia do País. Porém, as agências de classificação de risco, S&P, Moody’s e Fitch Ratings estão se preparando para desembarcar em Brasília.

O presidente Michel Temer, que segue no foco dos adversários, deixou para segunda-feira (14) a divulgação da meta fiscal e anunciou nesta quinta-feira mais dinheiro para os trabalhadores através dos juros do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS, que apesar de pouco pode representar o começo da oferta de um benefício que o trabalhador brasileiro desconhecia e que ficava para a União.

No quadro político é esperada novas discussões sobre as reformas, Política e da Previdência, novas delações premiadas na Operação Lava Jato e as decisões na Procuradoria Geral da República. A posse da nova procuradora geral da República, Raquel Dodge, está marcada para o próximo dia 18, em Brasília. Raquel vai substituir o procurador, Rodrigo Janot, que deixará cargo depois de quatro anos na chefia do Ministério Público Federal (MPF).

Diante desse cenário, com o conflito externo, a bolsa de valores de São Paulo conseguiu fechar a semana em alta e o dólar disparou na semana, alta de 1,55%.

ÁSIA

As bolsas encerraram a semana em queda, com o aumento de tensão geopolítica na península coreana. A bolsa de Tóquio não abriu com um feriado no Japão.

Ao final da jornada, o índice MSCI Asian Pacific ficou em queda de 1,6% para 155,61, em Hong Kong. O índice Asia Dow ficou em queda de 1,17% para 3.453. O Hang Seng, Hong Kong, ficou em queda de 2,04% aos 26.883. O Xangai Composite ficou em queda de 1,63% aos 3.208. O índice Kospi, Coreia do Sul, fechou em queda de 1,69% aos 2.319 pontos. O índice Sensex, bolsa da Índia, ficou em queda de 1,01% aos 31.213. O FTSE Straits, Cingapura, ficou em queda de 1,31% aos 3.279. Topix, Nikkei 225 ficou abaixo de 0,1%.

O MSCI marcou o pior resultado desde 04 de julho. As ações financeiras e de tecnologia caíram para as máximas.

O aumento na tensão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte também causou reações na China, Coreia do Sul e Indonésia, com os mercados despencando mais de 1%.

EUROPA

As bolsas de valores da Europa mantiveram as perdas nesta sexta-feira pelo terceiro dia, os piores resultados de novembro, antes da eleição do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, com aumento das tensões geopolíticas entre os norte-americanos e a Coreia do Norte.

Ao final da jornada, o índice Stoxx Europe 600 ficou em queda de 1,04% aos 372.14, em Londres; o FTSE-MIB (Milão) ficou em queda de 1,51% aos 21.354; o Ibex 35 (Madri) recuou 1,60% aos 10.282; o DAX 30 (Frankfurt) ficou estável aos 12.014; o FTSE-100 (Londres) perdeu 0,08% aos 7.309; o CAC 40 (Paris) ficou em queda de 1,06% aos 5.060 pontos; e o PSI-20 (Lisboa) ficou em queda de 0,97% aos 5.201.

A queda do Stoxx Europe soma 2,8% nos últimos três dias e, para a semana, a desvalorização é de 2,7%. Todos os 19 grupos da indústria no Stoxx 600 caíram.

A decisão do presidente Trump em intensificar o alerta para a Coreia do Norte sobre suas ameaças aos aliados americanos acabou por contaminar todos os mercados de ações desde a última segunda-feira (07) e puxaram os índices para os piores resultados desde fevereiro.

O índice VStoxx, que mede a volatilidade das operações em bolsas na Zona do Euro, subiu para 2,1% para o nível mais alto desde abril.

O índice de matérias-primas caiu 2,6% com o setor de mineração e puxou as ações da Rio Tinto Group e Glencore Plc para os piores resultados e refletindo as quedas nos preços de minério de ferro e aço. A ArcelorMittal, a maior siderúrgica do mundo, caiu 4,5%.

O euro, EURUSD, ficou em alta de 0,52% e comprado a US $ 1,1822, ante $ 1,774 no final da sessão de ontem em Nova York.

ESTADOS UNIDOS

Os índices de peso em Wall Street voltaram para o terreno positivo nesta sexta-feira, depois de mínimas de ontem, apesar do acirramento das tensões entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. Os resultados inferiores ao estimado pelos analistas da inflação norte-americana também contribuíram com os ganhos de hoje, já que na leitura do mercado o recuo afasta a possibilidade do Federal Reserve mexer com as taxas de juros.

Ao final, o S&P ficou em alta de 0,13% aos 2.441; o Dow Jones ficou em 0,07% aos 21.858; e o Nasdaq ficou em alta de 0,64% aos 6.256.

Na semana, o S&P abriu 1,4%, o pior resultado desde março, Dow Jones recuou 1,1%, a maior queda em uma semana desde novembro, e o Nasdaq registrou uma perda semanal de 1,5%, seu pior desde junho.

O índice Russell 2000, que mede as small caps, fechou a semana em queda de 2,7%, a maior desvalorização desde fevereiro de 2016.

Já o índice de volatilidade, que mede o temor de Wall Street para o risco, ficou em queda de 3,30%, um suspiro depois da forte alta de ontem.

O resultado das negociações de hoje também foi influenciado pelos números da economia norte-americana apresentados ao longo da semana, em especial a inflação de hoje que ficou abaixo do mês de junho e subindo apenas 0,1%. O resultado marca o quinto mês de fraqueza e distante dos 2% esperados pelo Federal Reserve, o que na leitura do mercado mostra um alongamento do prazo para que a autoridade monetária decida elevar ainda mais as taxas de juros.

Hoje, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, defendeu que o banco central interrompa os aumentos nas taxas de juros até a inflação pegar ganho e completou dizendo que seus colegas estão contando “uma história de fantasmas” sobre a inflação e os salários, que os assusta para aumentar as taxas de curto prazo.

BRASIL

A cautela global, com o acirramento da tensão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, pesou nos mercados acionários da Ásia e Europa, porém, na B3 e na bolsa de Nova York, os investidores ficaram de lado e seguiram com as negociações. O comportamento ajudou o índice Bovespa a fechar a semana em alta de 0,69%.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa manteve a alta de 0,55% para ficar aos 67.358 pontos. O volume financeiro ficou acima da média em R$7,7 bilhões. O IEE reagiu e ficou em alta 0,08%.

O preço do petróleo também ganhou força no bolsa Mercantil de Futuros. Já o minério de ferro também recuou forte nas negociações no porto de Gingdao, China.

Ainda pesaram no humor do mercado acionário doméstico os resultados financeiros apresentados por dezenas de empresas na noite desta quinta-feira (10) e madrugada de hoje. O volume, um dos maiores da temporada em um único dia, destacou o resultado da Petrobras e a influência está na desvalorização do papel.

As ações da Vale ficaram para baixo com a companhia alertando para o último dia para que os acionistas decidissem pela adesão da conversão voluntária.

As ações com ganhos
Kroton ON, alta de 5,33%; JBS ON, alta de 5,66%; BRF ON, alta de 5,26%; Copel PNB, alta de 4,95%; e Suzano Papel PNA, alta de 3,76%.

As ações com perdas
Bradespar PN, queda de 1,29%; Gerdau PN, queda de 1,48%; e CCR ON, queda de 1,20%.

A Vale PNA ficou em queda de 2,22% e a PN, queda de 1,44%.

A Petrobras ON queda de 0,81% e a PN, queda de 1,82%.

Análise de Alvaro Bandeira

A semana foi marcada pela fraqueza das agendas econômicas, que contribuíram para o melhor desempenho do mercado financeiro. A bolsa ficou com bom desempenho e o dólar ficou em queda. Porém, na terça-feira (08), o cenário mudou com os primeiros sinais do conflito entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. “Essas diferenças elevaram a aversão do risco e acabou mexendo com a bolsa de São Paulo, mas hoje o índice acabou descolando e ganhando força. Do lado interno, o foco ficou para o presidente Temer e os desafios que estão pela frente. Com o centrão, reoneração da folha de pagamento, Refis, reformas Política e da Previdência e, o mais complicado, a mudança na meta fiscal. Diante desse cenário, segue o temor para as classificações das agências de riscos, que já estão no radar”, disse Bandeira.

Sobre os indicadores, o analista destaca a importância do IPCA. “Os resultados estão mostrando que a economia está reagindo e poderá evoluir ainda mais até o final deste ano. Lá fora, os indicadores estão mistos, como a inflação dos Estados Unidos e o PPI abaixo das estimativas mostrados hoje, e sugerem uma atuação mais para frente do Federal Reserve”, explica.

Para os próximos dias, a cautela deverá permanecer com a Coreia do Norte e os Estados Unidos e também com a meta fiscal do Brasil. “Na segunda-feira, pelo menos como está previsto, o governo deverá anunciar o resultado da meta fiscais, o que poderá dar rumo ao mercado doméstico. De outro lado, nos demais, tudo vai ficar em cima de indicadores e as diferenças entre os norte-americanos e os norte-coreanos”, finalizou o analista-chefe e sócio do ModalMais, Alvaro Bandeira.

Carteira Teórica

A Carteira Teórica, que passou a vigorar de 02 de maio a 01 de setembro no Ibovespa, mostra os cinco ativos com maior peso no índice: Itauunibanco PN (11,453%), Bradesco PN (8,244%), Ambev S/A ON (7,299%), Petrobras PN (5,331%) e Vale PNA (4,727%).

Moedas

O dólar comercial fechou a semana em alta de 1,55%, com a influência do clima tenso nos Estados Unidos.

Nesta sexta-feira, no interbancário, a moeda fechou cotada aos R$3,1734 para a compra e R$3,1741 para a venda, queda de 0,05%.

O euro ficou em R$3,772 para a compra e R$3,774 para a venda, alta de 0,96%.

A libra ficou em R$4, 153 para a compra e R$4,155 para a venda, alta de 0,82%.

Nos Estados Unidos, a moeda fechou a semana desvalorizada com os dados da inflação de julho e no alerta para a tensão com a Coreia do Norte e aliados.

O índice ICE Dólar DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas rivais, mergulhou em território negativo, 0,34%, depois dos dados da inflação, deslizando para 93,0840, abaixo de 93,460 nesta sexta-feira. Na semana, o índice perdeu 0,4%.

Os baixos números de inflação mantiveram os investidores bem, com a possibilidade do Federal Reserve aumentar as taxas de juros novamente ou de forma mais agressiva.

O euro, EURUSD, ficou em alta de 0,41% e comprado a US $ 1,1821, ante US $ 1,1774 no final desta quinta-feira em Nova York, enquanto a libra GBPUSD, alta de 0,25%, saltou brevemente para US $ 1,3009, comparado com US $ 1,2978 nesta quinta-feira. Na semana, o euro ganhou 0,4% contra o dólar, enquanto a libra esterlina diminuiu 0,3%.

O euro também ganhou força contra a libra, com um euro comprando £ 0.9088, em comparação com £ 0.907 no final da quinta-feira. Na semana, o euro ganhou 9,5% em relação à libra.

Commodities

O petróleo WTI, para entrega em setembro, ficou em queda de 0,41%, cotado a US$ 48,79 o barril na bolsa Mercantil de Futuros, Nova York.

O minério de ferro negociado no porto de Gingdao, China, fechou em queda de 1,94% aos US$75,19 a tonelada seca e com 62% de pureza.

Bom fim de semana!


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