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A semana termina com os mercados acionários globais divididos, porém, as atenções ficaram para as declarações dos bancos centrais – Banco Central Europeu (BCE), Banco Central do Brasil (BCB) e Livro Bege do Federal Reserve (FED), dos Estados Unidos. Porém, um dia da semana foi marcante: a quarta-feira (19), mais precisamente a “Quarta D”.

Começamos com dois destaques no radar para a quarta-feira no cenário externo: os indicadores da China e o debate entre Hillary Clinton (Democratas) e Donald Trump (Republicanos).

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A China não decepcionou, mas também não animou ao mostrar o produto interno bruto (PIB), com a taxa anualizada, crescendo 6,7% no terceiro trimestre, após um ganho similar no segundo. A taxa de crescimento ficou em linha com a meta para o ano inteiro de Pequim de entre 6,5% e 7%.

O debate gerou muita conversa ao redor do mundo, com Donald Trump tentando manter a confiança para os questionamentos de Hillary Clinton nos primeiros quinze minutos, mas em seguida perdeu a linha e acabou complicando ainda mais sua campanha. Pesquisas nos Estados Unidos mostraram a vitória de Hillary no debate e o avanço de nove pontos à frente de Trump.

Já por aqui, a quarta-feira seguia normal até que no começo da tarde, mas sem que ninguém esperasse a “bomba” veio novamente pelas mãos do Juiz da 13ªVara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, que mandou prender preventivamente o ex-deputado cassado e ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha – (PMDB –RJ), que estava em Brasília.

Depois da prisão, em menos de duas horas, Cunha já estava embarcado e seguindo para Curitiba, onde até hoje aguardava numa cela da Superintendência da Polícia Federal o momento de prestar depoimento ao Juiz responsável pela Operação Lava Jato. Cunha disse que estava “indignado”. O jargão pegou: “Sem foro vai pro Moro”.

A prisão de um dos principais envolvidos no impeachment da ex-presidente, Dilma Rousseff, preocupou muita gente em Brasília. O temor é de uma delação premiada de Eduardo Cunha, que logo depois de ter seu nome envolvido no “possível” recebimento de propina ao intermediar a compra de sondas para a Petrobras na Operação Lava Jato passou a disparar uma série de ameaças. Comportamento que manteve até ser cassado em setembro.

Enquanto isso, o presidente Michel Temer voltava da viagem de uma semana à Ásia. A primeira atitude de Temer foi acalmar os ânimos sobre a prisão de Cunha.

Para terminar a “Quarta D”, uma notícia foi bem aceita no mercado e seguiu pesando até o fim da semana. O Comitê de Política Monetária (Copom) , Banco Central do Brasil, cortou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 p.p para 14% a.a., decisão esperada por quatro anos.

Outra notícia importante, divulgada ainda na segunda-feira (17), foi a queda no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 0,08%, em setembro, o menor nível para o mês desde 1998, quando chegou a -0,22%. Em 12 meses, a taxa acumulada chega a 8,48%, abaixo dos 8,97% acumulados até agosto deste ano, mas acima do teto da meta de inflação do governo federal, que é de 6,5%.

Hoje, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,19% em outubro, a menor que a registrada em setembro (0,23%) e é a mais baixa para o mês de outubro desde de 2009 (0,18%).

O IPCA-15 acumula 6,11% no ano, bem abaixo dos 8,49% registrados no mesmo período de 2015. Em 12 meses, o acumulado chega a 8,27%, abaixo dos 8,78% dos 12 meses imediatamente anteriores.

Para encerrar a semana, ainda em Brasília, um fato inédito: polícia prendendo polícia.

A PF cumpriu mandados judiciais no Senado Federal ligados a Operação Métis, que apura a atuação de agentes da Polícia Legislativa para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato e também de outros casos envolvendo políticos.
E, para encerrar, a Bovespa manteve o humor acima dos 64 mil pontos, o dólar comercial ganhou força, mas ficou em R$3,16.

No Velho Continente, o Banco Central Europeu (BCE) não mexeu ainda com o programa de flexibilização quantitativa, mas sinaliza para dezembro disse o presidente Mario Draghi.

O Livro Bege, do Fed para os 12 distritos dos Estados Unidos, veio dentro do esperado. A instituição espera alta da inflação em 2% e 5% para o setor de trabalho, bem como o resultado da temporada de balanços.

ÁSIA

As Bolsas da Ásia fecharam sem direção nesta sexta-feira, com as empresas de saúde liderando as perdas com o terremoto no Oeste do Japão pesando nas ações da bolsa de Tóquio. Os mercados de Hong Kong foram fechados por conta do tufão Haima.

O Índice MSCI Asia Pacific caiu 0,3% para 139,70, em Hong Kong. O índice SSE Composite, bolsa de Xangai, ficou em alta de 0,21% aos 3.090 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi ficou em queda a de 0,37% a 2.033 pontos. Na Índia, o índice BSE da bolsa de Bombai ficou em queda de 0,19% aos 28.077 pontos. Em Tóquio, o Nikkei 225 ficou em queda de 0,30% aos 17.184 pontos. O índice Topix , Japão, caiu 0,4%.

No Japão, o tremor que atingiu a Prefeitura de Tottori, interrompeu a energia elétrica e parou trens-bala.

Em Hong Kong, as negociações foram canceladas com tufão atacando o centro financeiro.
As escolas foram fechadas e os voos suspensos.

As empresas de Microsoft Corp. a Keppel Corp. em Singapura estão atualizando acionistas sobre a evolução do lucro.

As probabilidades de que o Federal Reserve irá aumentar as taxas de juros em dezembro subiram cerca de dois pontos percentuais em relação a semana passada,68%, segundo pesquisas.

EUROPA

As bolsas europeias reverteram as perdas nesta sexta-feira, com os balanços financeiros da região, alguns melhores do que o estimado. A apresentação do presidente do Banco Central Europeu (BCE) também ficou no radar.

As ações da SAP AG subiram 3,4%, depois de elevar seus ganhos e projeções de vendas. As ações da British American Tobacco Plc deslizaram 2,9%, As ações da Burberry Group Plc saltaram 4,3%.

As da Ericsson AB deslizou 5,9%, depois de postar perda nos resultados. As ações da Daimler AG subiram 3,1%, depois sinalizar queda na previsão de receita.

Os comentários do presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi aliviaram as preocupações dos investidores e a flexibilização quantitativa deve seguir.

Perto do fechamento, em Londres, o índice Stoxx Europe 600 ficou estável aos 344,29 pontos. Em Milão, o índice FTSE-MIB ficou em queda 0,15% aos 17.166 pontos. Em Madri, o índice Ibex 35 subiu 0,43% aos 9.100 pontos.Em Frankfurt, o índice DAX 30 ficou em alta 0,09% aos 10.710 pontos.Em Paris, o índice CAC 40 ficou em queda de 0,09% aos 4.536 pontos. Em Londres, o índice FTSE-100 subiu 0,09% aos 7.020 pontos. E, em Lisboa, o índice PSI-20 caiu 0,22% aos 4.726 pontos.

Em outubro de 2016, a estimativa para o indicador de confiança dos consumidores manteve-se praticamente inalterada, tanto na União Europeia (E28), -0,1 pontos para -6,5, e Zona do Euro (E19), +0,2 pontos para -8,0, em relação a setembro.

Em setembro, o indicador de sentimento econômico (ESI) se recuperou tanto na E19, de 1,4 pontos para 104,9, e da E28, de 1,8 pontos para 105,6, depois de três meses de evolução negativa ou estáveis. Os dados são do Escritório de Estatísticas da União Europeia, Eurostat, e foram divulgados hoje.

ESTADOS UNIDOS

Os índices de peso em Wall Street fecharam em queda nesta sexta-feira, com apenas a Nasdaq reagindo com as ações da Microsoft Corp. subindo para um recorde com o lucro superando as estimativas. O dólar disparou para a maior alta de sete meses.

Ao final, Dow Jones ficou em queda de 0,09% aos 18.145 pontos; o S&P ficou estável aos 2.141 pontos; e o Nasdaq subiu 0,30% aos 5.257 pontos.

As ações de consumo subiram depois da oferta da British American Tobacco Plc de US$ 47 bilhões para a Reynolds American Inc.

Mais fusões em andamento também ficaram no forco, com a AT & T Inc. avançando no acordo para comprar a Time Warner Inc.

A General Electric Co. e Advanced Micro Devices Inc . contribuíram para interromper o rali dos índices, já dando pistas de resultados abaixo das estimativas, ante a preocupação de que um dólar forte poderá pesar nos lucros das empresas.

O petróleo acima dos US $ 50 o barril levantaram a probabilidade de um acordo para reduzir a oferta na reunião do cartel (Opep) no final de novembro em Viena.

Os investidores estão digerindo os resultados financeiros das empresas, em meio a temporada de divulgações, mistos e com mais de 80% do grupo no S&P 500 superando as estimativas.

A cautela com o fortalecimento das empresas, na leitura do mercado, dá mais alternativas para uma decisão do Federal Reserve em mexer mesmo com as taxas de juros ainda esse ano.

O banco Central realiza a penúltima reunião na semana da eleição presidencial.

A agenda dos Estados Unidos estava vazia.

ARGENTINA

O índice Merval da Bolsa de Comércio de Buenos Aires fechou nesta sexta-feira em alta de 0,60%, aos 18.257,28 pontos.

Já o Índice Geral da Bolsa subiu 0,26%, para 791.437,36 pontos, enquanto o Merval 25 avançou 0,59% e fechou aos 19.720,51.

No pregão foram negociados 542,22 milhões de pesos argentinos em títulos (US$ 35,8 milhões), com 48 em alta, 40 em baixa e quatro estáveis.

No mercado de câmbio, o dólar fechou estável, cotado a 15 pesos para compra e 15,40 pesos para venda.

BRASIL

A Bovespa disparou na semana e fecha com valorização de 3,80% e acumula ganhos de 48% no ano. Já no pregão desta sexta-feira, a abertura foi fraca e acompanhando a cautela global. Alguns mercados asiáticos tiveram as sessões interrompidas por conta de terremoto e tufão, bem como Wall Street digerindo indicadores da sessão anterior, resultados fiscais e com o Federal Reserve no radar.

Passado o mau humor da manhã, o Ibovespa engatou alta no começo da tarde e seguiu sustentado pelas ações da Vale e Petrobras, além de siderúrgicas e metalúrgicas.
Ao final, o Ibovespa ficou em alta de 0,42% aos 64.108 pontos e volume financeiro estava em R$7,8 bilhões.

A agência de classificação de risco, Moody’s elevou nesta sexta-feira a nota de classificação da Petrobras para “B2” mudando para perspectiva estável.

No comunicado, a agência considerou que essa nova avaliação indica que a estatal no horizonte entre 12 a 18 meses a liquidez e riscos de crédito deverão melhorar gradualmente.

Hoje, a estatal anunciou mais uma negociação para a venda de ativo da Petrobras Biocombustível. As negociações com a Tereos Internacional para a venda de participação de 45,9% na empresa do setor sucroenergético Guarani.

A operação faz parte do Programa de Desinvestimentos da Petrobras e está alinhada ao Plano Estratégico da companhia, divulgado em 20/09/2016, que prevê a saída das atividades de produção de biocombustíveis.

Análise Álvaro Bandeira

Os indicadores da semana pesaram no humor dos investidores, alguns ruins e outros um pouco mais animadores. Porém, o cenário político também respingou. “Do lado econômico tivemos as vendas no varejo, o setor de serviços e outros indicadores negativos, mas o importante é que o mercado manteve o fluxo. O montante pode ser avaliado da seguinte forma: de 12 sessões da Bovespa, em 10 o fechamento foi para cima. O vencimento de opções e o exercício mostraram claramente o apetite dos investidores. Os estrangeiros estão claramente em posição comprada. Enquanto tiver fluxo, tem realização de lucro. Do lado político, que acabou pesando foi a prisão do ex-deputado, Eduardo Cunha. Porém, passado o impacto, os mercados descolaram e seguiram”, explicou.

Sobre as duas sessões em queda, Bandeira explica que é normal. “Mesmo no negativo, a Bolsa sustentou os 63 mil pontos, que é uma tendência mostrada na alta de hoje acima dos 64 mil pontos. A decisão sobre o segundo turno da PEC 241, a inflação em queda e a retomada da produção industrial são fatores de peso para mais cortes na Selic. Não descarto a possibilidade da Bolsa seguir buscando os 69 mil pontos”, concluiu o analista-chefe e sócio da ModalMais, Álvaro Bandeira.

Ações

Entre as ações com ganhos estavam as da Usiminas PNA, alta de 6,45%; Vale ON, alta de 4,24%; Bradespar PN, alta de 4,05%; Gerdau Met PN, alta de 6,75%; e Vale PNA, alta de 4,02%.

Na contramão estavam as ações da Localiza ON, queda de 4,23%; Santander BR , queda de 1,52%; Cemig PN, queda de 1,58%; Rumo Log ON, queda de 1,17% Bradesco PN, queda de 0,95%.

A Petrobras ON subiu 1,90% e a PN, alta de 1,18%.

Carteira teórica

Na carteira teórica, que vigora entre 05 de setembro de 2016 a 29 de dezembro de 2016, estão os cinco ativos que apresentaram o maior peso na composição do Ibovespa estão Itauunibanco PN (10,594%), Ambev S/A ON (8,588%), Bradesco PN (7,955%), Petrobras PN (5,523%) e Petrobras ON (4,268%).

Moeda

O dólar comercial fechou a semana em queda de 1,37%. No ano, a divisa acumula perdas de 19,94%.

Nas negociações desta sexta-feira, no interbancário, a moeda fechou cotada aos R$3,160 para a compra e R$3, 160 para a venda, alta de 0,69%.

O euro fechou aos R$3, 433 para a compra e R$3, 437 para a venda, estável.

Em Frankfurt, O euro era cotado a US$ 1,0872 às 15h GMT (13h de Brasília) desta sexta-feira no mercado de divisas, abaixo do valor da sessão de ontem no mesmo horário, que foi de US$ 1,0919. Já o Banco Central Europeu (BCE) fixou o câmbio oficial do euro em US$ 1,0886.

O Banco Central ofertou 5.000 contratos de swap cambial. Todos os contratos foram vendidos.

Análise por Reginaldo Galhardo

Durante os últimos meses, a moeda vem perdendo força na cesta das globais. Por aqui, a desvalorização no ano é de 19,94%, com viés de mais recuo. “O movimento do dólar tem peso externo, com o Federal Reserve firme em mexer com a política monetária dos Estados Unidos ainda esse ano. No cenário doméstico, os indicadores estão recuando, em especial a inflação. A tendência para que o país ande depende mais da decisão dos parlamentares, como aprovação das emendas na PEC 241 e, consequentemente, entraremos em deflação com a probabilidade de mais cortes na taxa de juros”, disse Galhardo.

Na quarta-feira, o BC cortou em 0,25 p.p a taxa básica de juros, a Selic, depois de quatro anos. “É pouco? Sim, mas já é começo para uma série. Acho que poderia ter sido 0,50 p.p., porque tem espaço para isso. E olha o impacto: 14% são 14%, mas se fosse 13,25% a leitura seria bem diferente. Portanto, o viés da moeda é para mais desvalorização, porém, vai depender de mais medidas econômicas”, completou o diretor da Treviso, Reginaldo Galhardo.

Commodities

O barril do Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve) fechou nesta sexta-feira em alta de 0,4%, cotado a US$ 50,85, fechando a semana com um avanço acumulado de 1%.

Ao final da sessão na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), os contratos futuros do WTI para entrega em novembro subiram US$ 0,22 em relação ao fechamento de ontem.

O barril de petróleo Brent para entrega em dezembro fechou nesta sexta-feira em alta de 0,77% no mercado de futuros de Londres, cotado a US$ 51,78.

O petróleo do Mar do Norte, de referência na Europa, terminou a sessão no International Exchange Futures (ICE) US$ 0,40 acima do valor final da sessão da última quinta-feira, que foi de US$ 51,38.

O minério de ferro negociado no porto de Qingdao fechou em queda de 0,22% aos US$58,72 a tonelada seca.


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