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O primeiro semestre de 2017 chegou ao fim e com o cenário político na pauta global, porém, diferente do passado os mercados financeiros descolaram e os investidores apoiaram os negócios nos indicadores, commodities e no fortalecimento das relações entre os países. A economia global cresceu.

Na Ásia, os mercados atravessaram um período de calmaria. A China manteve a liderança econômica e seguida pelo Japão. Os dois líderes, Xi Jinping (China ) e Shinzo Abe (Japão) no comando das duas nações buscaram novos caminhos para garantir o avanço econômico e, mais que isso, tentaram diálogo simpático com o presidente norte-americano Donald Trump. Parece que não está dando muito certo.

Na Europa, a economia seguiu fortalecida, mesmo com a forte onda de ataques terroristas, no destaque Londres. Além disso, as eleições na França, Espanha e Reino Unido revelaram que os eleitores gostam mesmo de surpreender.

A eleição de Emmanuel Macron  como presidente mais jovem da França deu fôlego novo ao país.

Já no Reino Unido, quem deu um “tiro no pé” foi a primeira-ministra Theresa May ao antecipar as eleições, perdendo força e apoio para seguir com medidas mais severas para o Brexit. As economias do Velho Continente estão surpreendendo.

Nos Estados Unidos, a grande estrela é o presidente Donald Trump e suas propostas de campanha sem sucesso para avançar, pelo menos na área econômica. No social, o Trump vai muito bem com as ordens restritivas ao desembarque no País de pessoas vindas de países de maioria muçulmana. Além disso, o presidente segue firme na desconstrução do que o ex-presidente, Barack Obama, levou oito anos para construir. A saída do Acordo de Paris foi um deles e o programa de saúde, o Obamacare, também. Mas as decisões complicadas do presidente são mais que isso.

Deixando o presidente de lado, os indicadores da economia norte-americana divulgados em junho já estão mistos e não fortalecidos como no início do ano.  Porém, isso não vem impedindo do Federal Reserve, que é o banco central dos Estados Unidos, em dar prosseguimento ao aperto monetário.

Finalmente o Brasil, que começou o ano com o cenário político conturbado e na sequência da Operação Lava Jato.

Mas nada foi  tão sério para o País como o dia 17 de maio, quando o Brasil e o mundo tomaram conhecimento das delações premiadas dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, e assessores.

As gravações em vídeos e conversas quase custaram a permanência do presidente Michel Temer no cargo, além de ministros e executivos. O alvo também foi voltado para o BNDES, entre outros. Alguém esqueceu uma mala com R$500 mil.

Junho chegou e foi decisivo para discussões de quem vai e quem fica, mas neste último dia do mês todos ficaram.

No final desta tarde, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator das ações da Operação Lava Jato na Corte, mandou soltar o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) que está preso há mais de um mês na carceragem da Polícia Federal em Brasília. Ele carregou a mala com R$ 500 mil, que segundo Joesley era dinheiro de propina e seria para o presidente Temer. Em troca, Loures deverá cumprir algumas medidas cautelares, como recolhimento domiciliar.

O também ministro do STF, Marco Aurélio Mello, autorizou Aécio Neves (PSDB-MG) a retomar as atividades parlamentares no senado.  Aécio está suspenso desde 18 maio, quando foi afastado pelo ministro  Fachin, depois da Operação Patmos da PF. O senador foi citado pelos irmãos Batista. No texto, Marco Aurélio manteve decisão anterior de negar o pedido de prisão preventiva do senador.

Deixando a política, em meio ao imbróglio, as Reformas Trabalhista e da Previdência ainda estão em discussão, aliás, foram motivos de protestos em todo o País neste último dia do mês.

As pesquisas sobre o desemprego, como a PNAD Contínua, IBGE, revelaram que o desemprego no Brasil atinge mais de 13 milhões de trabalhadores. É como se todos os moradores de Portugal estivessem desempregados.

E, para fechar, o mercado financeiro descolou quase que completamente do cenário político e seguiu, apesar da forte queda no dia 18 de maio, mas a recuperação veio em seguida.

ÁSIA

As bolsas da Ásia fecharam sem direção nesta sexta-feira, com as ações de tecnologia liderando as perdas. Em dia de agendas cheias, os dados econômicos ficaram no radar.

Ao final da jornada, o índice MSCI Asian Pacific fechou em queda de 0,6% em Hong Kong.O  índice Asia Dow subiu 0,63% para 3.356. O Hang Seng, Hong Kong, ficou em queda de 0,77% aos 25.764. O Xangai Composite ficou em alta de 0,14% aos 3.192. O Nikkei 225, bolsa do Japão, ficou em queda de 0,92% aos 20.033 pontos. O índice Kospi, Coreia do Sul, fechou em queda de 0,16% aos 2.391 pontos. O índice Sensex, bolsa da Índia, fechou em alta de 0,21% aos 30.921. O índice FTSE Straits Times de Singapura fechou em queda de 0,99% aos 3.226.

As ações de tecnologias caíram 0,9% nesta sessão, mas até agora representaram os melhores desempenhos no ano.

No Japão, os principais preços subiram para o quinto ganho mensal consecutivo em maio, um sinal de que a política monetária estava lentamente puxando a terceira maior economia do mundo fora de uma espiral deflacionária. O índice de preços ao consumidor (IPC) menos os alimentos frescos – um indicador fundamental para a inflação subjacente – aumentou em 0,4% anual em maio, informou o Departamento de Estatística nesta sexta-feira. A leitura correspondia a uma estimativa mediana de economistas. A taxa nacional de IPC aumentou 0,4%, seguindo um aumento semelhante no mês anterior. Uma estimativa mediana mostrava um ganho ano a ano de 0,5%.

A inflação subjacente em Tóquio, uma medida líder de tendências de preços nacionais, manteve-se inalterada em maio. Os principais preços na capital subiram 0,1% em abril.

EUROPA

As bolsas da Europa fecham a última sessão do mês de junho em terreno negativo, o quarto dia consecutivo, uma vez que uma queda nas ações bancárias e químicas superaram as das empresas de tecnologia.

Já no ano, os índices da região estão elevados, considerando o Stoxx Europe 600 encerrando o primeiro semestre em alta de 5%.  Na sessão de hoje, em Londres, o índice ficou em queda de 0,34% aos 379.37 e na semana a perda  foi de 2,1%, a maior em cinco meses desde novembro.

Ao final da jornada, o FTSE-MIB (Milão) ficou em queda de 0,58% aos 20.584; o Ibex 35 (Madri) recuou 0,82% aos 10.444; o DAX 30 (Frankfurt) caiu 0,73% aos 12.325; o FTSE-100 (Londres) caiu 0,51% aos 7.312; o CAC 40 (Paris) perdeu 0,65% aos 5.120 pontos; e o PSI-20 (Lisboa) subiu 0,22% aos 5.152.

Nesta sessão, as ações da Bayer AG puxaram as químicas mais baixas para os piores resultados, 4,2%, depois de afirmar que planeja cortar suas previsões de vendas e lucros para este ano devido ao estoque inesperadamente elevado de seus produtos no Brasil.

Na contramão ficaram as ações da Adidas AG,  alta de 2,1%, depois que a rival norte-americano Nike Inc. apresentou uma previsão anual para baixo.

Ns sessões da semana, as falas dos presidentes dos bancos centrais, que não foram bem interpretadas, tiraram o apetite dos investidores e provocaram uma queda nos mercados de ações e títulos.

Apesar do recuo recente, os fundos de ações europeus viram influxos de investimentos líquidos de US $ 2,4 bilhões na semana até 28 de junho, marcando uma 14ª semana consecutiva de influxos para a região, de acordo com os estrategistas do Bank of America-Merrill Lynch, citando dados da EPFR Global.

Ainda no Velho Continente, os indicadores apresentados ao longo da semana, mês e ano revelaram que as economias estão em recuperação, com destaque para o Reino Unido, e já se preparam para uma política monetária mais apertada no segundo semestre. As pistas foram dadas pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi essa semana em Portugal.

ESTADOS UNIDOS

A bolsa de Nova York encerrou junho em alta, com as reações no final das negociações. As ações das empresas de tecnologia e saúde foram as que mais perderam, mas puxaram os desempenhos mensais e semanais dos índices de peso em mercado de touro.

Ao final, o S&P ficou em alta de 0,15% aos 2.423; o Dow Jones subiu 0,29% aos 21.349; e o Nasdaq caiu 0,06% aos 6.140.

No primeiro semestre, mesmo com a forte volatilidade, os três índices ficaram positivos.

O S&P fechou a semana com perda de 0,6%, ganho trimestral de 2,6% e 8,2% no semestre.

O Dow Jones ficou com ganho no mês em 1,6%, 0,2% na semana e 8% no ano.

Já o Nasdaq fechou a semana em queda de 2,5%, perda no mês em 0,9% e alta de 14,1% no primeiro semestre, o melhor desde 2009. No período, o benchmark registrou 38 máximas de fechamento de todos os tempos.

O setor de tecnologia subiu 16,4%.

BRASIL

O Ibovespa, índice principal da bolsa de valores de São Paulo, está fechado o primeiro semestre de 2017 com valorização de 4,43%. Já no mês de junho, o índice também acumula ganho de 0,30% e segue em terreno positivo na semana, 3%.

Nesta sexta-feira, o índice encerrou a sessão em alta de 1,06% aos 62.899 pontos. O volume financeiro foi de R$6,1 bilhões.

Em dia de agenda carregada em todos os mercados com o encerramento do mês e com o cenário político dando sinais de acomodação nos próximos dias,o índice também foi amparado pelas estatais, como Eletrobras, Petrobras, siderúrgicas e bancos. Mesmo com manifestações contra o governo de Michel Temer e, principalmente, com a Reforma Trabalhista, os investidores decidiram comprar, embora co baixo giro financeiro.

As ações com ganhos

Siderúrgica Nacional, alta de 4,51%; JBS ON, alta de 3,65%; Eletrobras ON, alta de 2,81%; Sabesp ON, alta de 2,76%; e MRV ON, alta de 2,74%.

As ações com perdas

Fibria ON, queda de 1,495; Ecorodovias ON, queda de 0,38%; Cielo ON, queda de 0,24%; Engie Brasil ON, queda de 0,24%; e Bradespar PN, queda de 0,19%.

A Petrobras ON ficou em alta de 1,46% e a PN, alta de 1,56%.

A Vale ON ficou em alta de 0,35% e a PN, alta de 0,11%.

Carteira Teórica

A Carteira Teórica, que passou a vigorar de 02 de maio a 01 de setembro no Ibovespa, mostra os cinco ativos com maior peso no índice: Itauunibanco PN (11,453%), Bradesco PN (8,244%), Ambev S/A ON (7,299%), Petrobras PN (5,331%) e Vale PNA (4,727%).

Análise por Alvaro Bandeira

O primeiro semestre de 2017 chega ao final e sem muitas mudanças no cenário político do Brasil. Porém, os indicadores da economia começaram a dar os primeiros sinais positivos e mesmo frágeis comemorados pela equipe econômica.

Já para o mês de junho, em consequência ainda das delações premiadas dos donos da JBS, o quadro político se agravou e despertou ainda mais cautela nos investidores. “ No mês, o movimento no segmento Bovespa foi o mesmo e o índice ficou praticamente em zero a zero, ou seja, trocando seis por meia dúzia. Houve muita especulação, mas nenhuma consistência de que alguma coisa poderia mudar e elavar o humor. Na economia não andamos nada e na política pior ainda. Votações, danca das cadeiras e, para piorar, a JBS no foco central”, considerou.

Sobre investimentos, Bandeira explica também que as saídas representaram R$1,3 bilhão em junho, mas o saldo ainda é positivo no ano em R$4,4 bilhões. “Se as incertezas não fossem tantas, os mercados estariam ajustados. Ontem, por exemplo, a meta de inflação poderia ser menor se o cenário político estivesse alinhado e não com tantas incertezas pela frente”, avaliou.

Para o cenário externo, quem andou bem foi a Europa. “Os números estão mostrando robustez e os bancos centrais já estão sinalizando reduzir a flexibilização monetária, aliás, uma proposta evidenciada pelos bancos centrais Europeu, do Reino Unido e Canadá mostrando que o 1º mundo está acreditando na recuperação global. Na lista apenas o BoJ decidiu manter a atua política de juros baixíssimos , sem esquecer do Fed que segue firme na elevação das taxas de juros dos Estados Unidos”, avaliou Bandeira.

Quanto às expectativas para julho, o analista mantém um pouco de otimismo. “Os números devem se manter em julho, já que o cenário político fica mais fraco com o recesso parlamentar”, finalizou o analista-chefe e sócio do ModalMais, Alvaro Bandeira.

Moedas

O dólar fecha o primeiro semestre de 2017 em alta de 1,95% e acumula alta mensal de 2,36%. Para a semana, a divisa ficou com desvalorização de 0,79%.

Nesta sexta-feira, no interbancário, a moeda norte-americana fechou cotada aos R$3, 312 para a compra e R$3,312 para a venda, alta de 0,14%.

O euro ficou em R$3,782 para a compra e R$3,784 para a venda, alta de 0,07%.

A libra ficou em R$4,313 para a compra e R$4,315 para a venda, alta de 0,39%.

O Banco Central do Brasil ofertou 7.600 contratos de swap tradicional cambial e fechou a rolagem de US$6.939 bilhões em contratos com vencimento para julho.

No cenário externo, o dólar mostrou recuperação nesta sexta-feira, mas fez pouco para reduzir a persistente fraqueza dos últimos seis meses. As sinalizações de que os bancos centrais globais estão começando a se juntar ao Federal Reserve no caminho do aperto monetário também não ajudou o dólar.

O índice ICE Dólar DXY, medida da moeda contra uma cesta de seis grandes rivais, subiu menos de 0,1% para 95,69 para o dia, mas caiu 6,4% ano a dia, perto da maior baixa de nove meses. O WSJ Dollar Index BUXX, que contém um número maior de moedas, caiu 5,6% no mesmo período.

O euro EURUSD, comprou US $ 1,1419 em comparação com US $ 1,0519, um ganho de 8,6% no primeiro semestre do ano. A moeda compartilhada subiu US $ 1,14 nesta quinta-feira (29) pela primeira vez em mais de um ano.

Apesar do potencial da saída da Grã-Bretanha da União Europeia pesar,  a libra ganhou força relação ao dólar. A libra esterlina subiu 5,4% para US $ 1,3017 ano até hoje.

O dólar caiu contra a moeda japonesa e ficou em ¥ 112,46 nesta sexta-feira, e ¥ 117,00 no início do ano.

Commodities

O preço do petróleo WTI para agosto ficou em alta de 2,92%, a US$ 46,24 o barril na Bolsa Mercantil de Futuros, Nova York.

O minério de ferro negociado no porto de Gingdao, China, fechou em alta de 0,37% a US$64,95 a tonelada seca e com 62% de pureza.


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