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A reação imediata da “Operação Carne Fraca” entre os principais compradores internacionais de carne in natura bovina, suína, de frango e embutidos do Brasil não foi surpresa durante todo o final de semana e, principalmente, nesta segunda-feira.

Vários países mandaram representantes e outros ordenaram aos embaixadores a cobrança de postura do Governo brasileiro sobre o teor das denúncias e das investigações da Polícia Federal. Empresas de alimentos, funcionários públicos e políticos (ainda não confirmados) estariam sendo beneficiados pelo pagamento de propina para adulteração de prazos de validade e aplicações de produtos químicos em carnes (frango, gado e de porco) e também em embutidos (linguiça e salsichas) para disfarçar os possíveis odores.

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Segundo a PF, o esquema envolvia servidores das superintendências regionais do Ministério da Agricultura nos estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás. Mais de mil policiais foram para as ruas cumprir mandados de busca e apreensão, prisão preventiva e coercitiva em que mais de 30 empresas estariam envolvidas na ação criminosa, entre elas a BRF e JBS.

O caso levou o presidente Michel Temer a anunciar, neste domingo (19), mais rigor na fiscalização dos frigoríficos brasileiros e a determinar celeridade nas auditorias a serem feitas nos estabelecimentos envolvidos no esquema. O anúncio foi feito na presença de ministros de estado e cerca de 40 representantes de países importadores de carne brasileira.

Mas a reação dos grandes compradores foi imediata, já que o Brasil é destaque entre os gigantes vendedores de carne para mais de 160 países, uma conquista que já dura mais de 20 anos.

Nesta segunda-feira, o Governo disse que informará as autoridades da China sobre detalhes da Operação Carne Fraca depois de Pequim suspender temporariamente as importações.

O comunicado oficial da China foi que “não desembarcará as carnes importadas do Brasil” até receber informações satisfatórias sobre a situação.

A responsabilidade ficou para o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que oferecerá todos os esclarecimentos aos chineses em uma videoconferência esta noite, disse o comunicado. Até agora, a China foi o único país que comunicou oficialmente restrições às importações de carnes brasileiras.

Já a Comissão Europeia anunciou hoje que está monitorando as importações de carne do Brasil e que todas as empresas envolvidas em um escândalo terão acesso negado ao mercado do Velho Continente, conforme disse a Agência Reuters.

Em coletiva de imprensa, um porta-voz disse que “a Comissão garantirá que quaisquer dos estabelecimentos implicados na fraude sejam suspensos de exportar para UE.”

A Comissão acrescentou que o escândalo da carne não terá qualquer impacto nas negociações em curso entre a UE e o Mercosul, no qual os dois lados esperam chegar a acordo de livre comércio.

A Coreia do Sul destacou que vai intensificar a fiscalização da carne de frango importada do Brasil e banir temporariamente as vendas de produtos da BRF informou o Ministério de Agricultura sul-coreano em comunicado e divulgado pela Agência Reuters.

O ministério disse que fornecedores brasileiros de carne de frango terão que enviar um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiro.

Vale destacar que mais de 80% das 107.400 toneladas de frango importadas pela Coreia do Sul no ano passado vieram do Brasil, sendo quase metade fornecida pela BRF.

O Chile também foi o primeiro comprador a suspender temporariamente suas importações de carne do Brasil. “O fechamento do mercado brasileiro de carne é temporário, até que eles informem se há frigoríficos autorizados a exportar para o Chile”, informou o ministro da Agricultura, Carlos Furche em sua conta no Twitter.

Ainda hoje, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) realizaram coletiva  para esclarecer as generalizações decorrentes da operação.

Os presidente-executivo da ABPA, Francisco Sérgio Turra, e da ABIEC, Antônio Jorge Camardelli, enfatizaram que os padrões sanitários da indústria de proteína animal – seja ela bovina, suína ou avícola – são um modelo internacional.

Segundo a ABPA e ABIEC, os eventuais desvios de conduta nas fábricas nacionais representam uma fração mínima da produção brasileira de proteína animal, devendo ser repudiados e combatidos. Para as entidades, a luta pela excelência em qualidade é contínua e não se pode contaminar a imagem do setor em razão de exceções isoladas.

“A comunicação da operação policial ensejou generalizações, que tanto o governo federal quanto as entidades do setor estão esclarecendo aos consumidores brasileiros e mercado internacional. Mas não fomos ontem à Brasília protestar contra a PF e nem estamos hoje falando contra ninguém. Nossa preocupação é com mais de 6 milhões de trabalhadores brasileiros, que atuam nesta cadeia de produção de carnes bovina, suína e de aves. Estamos em uma missão patriótica, em defesa da indústria de proteína animal, que embarca anualmente 262 mil containers para 160 países, gerando uma receita que representa 15% do total das exportações brasileiras”, afirmou Turra, presidente da ABPA, entidade que representa as indústrias brasileiras de carnes suína e de aves.

De acordo com comunicado conjunto da ABPA e da ABIEC, publicado nesta segunda-feira nos principais jornais, é irresponsável colocar dúvidas sobre a qualidade da carne brasileira, tanto em âmbito nacional como mundial. “Estamos aqui, ABPA e ABIEC, juntas, para solidificar aos consumidores do Brasil e países importadores a orientação que podem consumir com segurança sanitária as carnes produzidas em nosso País”, disse Camardelli, presidente da ABIEC.

Para Camardelli, há uma grande tarefa conjunta de ambas as entidades, frente – nas suas palavras – a “esta crise desnecessária”. O dirigente da entidade cujas empresas representam 91% das exportações brasileiras de carne bovina ressaltou que foi determinante a rápida atitude da Presidência da República e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para dirimir as implicações da operação policial para os mercados interno e externo de carnes brasileiras. “Governo federal, entidades do setor e indústria de proteína animal brasileira, juntos, vamos superar esta situação com a verdade e a transparência”, complementou Turra.

Atualmente, o Brasil é líder global em exportação de carne de frango, bovina e suína, exportando para países e regiões com elevado padrão de exigências como Estados Unidos, Japão e União Europeia, que regularmente fazem visitas de inspeção dos rígidos sistemas de produção da indústria de proteína animal brasileira. “As associações representativas da indústria de proteína seguirão firmes na defesa de um setor em que o Brasil é exemplo global. As carnes são fonte de proteína segura. As entidades garantem a confiabilidade perante o consumidor”, afirmaram em comunicado conjunto as entidades. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, até 2020, a produção nacional de carne bovina deve suprir 44,5% da demanda mundial, enquanto a carne de frango terá 48,1%, e a suína, 14,2%. “Nenhum outro setor nacional tem números como esses”, ressalta o comunicado.

Para os dirigentes, foram necessárias décadas para que o Brasil construísse sua reputação internacional como grande produtor e exportador de carne de frango, bovina e suína. “A abertura de mercados foi lenta, país a país, uma conquista de todos os brasileiros. Hoje, as empresas brasileiras detêm as melhores certificações internacionais de excelência”, disse Camardelli. “Eventuais restrições à importação de carne brasileira, além de representarem um retrocesso de muitos anos, impactarão a economia e resultarão em perda de empregos e renda. O setor de proteínas de frango, bovina e suína emprega mais de 7 milhões de pessoas e representa 15% das exportações brasileiras”, adicionou Turra.

Ao longo do dia, várias entidades também se pronunciaram sobre as condições dos produtos, atuação da Polícia Federal, bem com as decisões das autoridades brasileiras sobre o tamanho do problema. As empresas mais citadas, JBS e BRF, divulgaram notas sobre as medidas que estão adotando.

No final desta tarde, a Marfrig, que não teve nenhum envolvimento com a Operação, divulgou nota de esclarecimento sobre suas atividades e exportações. Mesmo assim, as ações da companhia também foram influenciadas pelas demais.

Nesta segunda-feira, a Operação Carne Fraca não pesou diretamente no mercado acionário, que foi suavizado pelo exercício de opções e com a Petrobras e Vale operando para cima. O dólar comercial ficou desvalorizado com o cenário externo.

ÁSIA

As bolsas asiáticas ficaram sem direção nesta segunda-feira, com o Japão fechado por um feriado. Os índices que ficaram no positivo foram embalados pela divulgação dos dividendos da maior produtora de carvão do mundo.

O encontro de fim de semana do Grupo dos 20 omitiu uma promessa de resistir a todas as formas de protecionismo depois da reunião entre o presidente Donald Trump e a chanceler alemã Angela Merkel na Casa Branca. Funcionários chineses e americanos que participaram da reunião do G-20 concordaram em impulsionar a cooperação econômica, informou a agência de notícias Xinhua.

O índice Asia Dow ficou em alta de 0,50% aos 3.271 pontos. O Hang Seng, China, ficou em alta de 0,79% aos 24.501; O Xangai ficou em alta de 0,41% aos 3.250; Na Índia, o índice BSE da bolsa de Bombai ficou em queda 0,44% aos 29.518. O índice Kospi, Coreia do Sul, ficou em queda de 0,12% aos 3.165.

As ações da China Shenhua Energy subiram 16%, o maior patamar desde outubro de 2008. A China Coal Energy saltaram 4% e a Yanzhou Coal Mining subiu 3,7%.

EUROPA

As bolsas da Europa fecharam no negativo nesta segunda-feira, com os preços das commodities recuando e puxando as empresas de energia, a primeira desvalorização depois de quatro dias.

As ações do Deutsche Bank AG caíram 3,7%, as mais baixas este ano, depois de afirmar que vai arrecadar €8 bilhões vendendo ações com um desconto de 35% para o preço de fechamento da semana passada.

Ao final da jornada, o índice Stoxx Europe 600 ficou em queda de 0,17% aos 377.68, em Londres; o FTSE-MIB (Milão) ficou em queda de 0,53% aos 19.968; o Ibex 35 (Madri) ficou em queda de 0,31% aos 10.214; o DAX 30 (Frankfurt) ficou em queda de 0,35% aos 12.052; o CAC 40 (Paris) caiu 0,34% aos 5.012; o FTSE-100 (Londres) ficou em alta de 0,07% aos 7.429; e o PSI-20 (Lisboa) subiu 0,38% aos 4.631.

Entre outras ações ativas que reagiram com números corporativos estavam as da Hansteen Holdings, que subiu 1% quando o grupo Blackstone Group e M7 Real Estate Ltd. decidiram adquirir suas propriedades na Europa continental.

ESTADOS UNIDOS

Os índices de peso em Wall Street fecharam em queda nesta segunda-feira, com o presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, abordou o momento para apertar ainda mais o ciclo das taxas de juros dos Estados Unidos. O dólar caiu e os títulos do Tesouro mantiveram ganhos.

Ao final, S&P ficou em queda de 0,20% aos 2.373;o S& ficou em queda de 0,04% aos 20.905; e o Nasdaq ficou estável aos 5.901.

As financeiras marcaram as maiores baixas nesta sessão e pressionando o índice principal, S&P, que também reagiu às declarações de Evans sugerindo dois e até três aumentos na taxa de juros, caso os dados econômicos permanecem robustos. O Fed na semana passada aumentou as taxas de juros e sinalizou que antecipou outros dois aumentos no final do ano. O rendimento do Tesouro a 10 anos caiu abaixo de 2,48%. O petróleo bruto caiu pela nona vez em 11 dias. O ouro tocou o nível mais alto em duas semanas.

Já no Dow Jones refletiram as empresas blue-chip, Caterpillar Inc., alta de 2,68% e Nike Inc., alta de 0,12%.

A agenda norte-americana estava vazia.

BRASIL

A Bovespa fechou em alta nesta segunda-feira, em dia de exercício de opções. O peso no índice ficou para Vale, Petrobras e siderúrgicas, o que acabou ofuscando as perdas das empresas frigoríficas com marcas citadas na Operação Carne Fraca.

Ao final, o Ibovespa ficou em alta de 1,05% aos 64.884 pontos. O volume de negócios ficou em R$12,2 bilhões.

“O dia foi de expectativa, com o dólar mais fraco no exterior por conta da postura do Federal Reserve, tanto no comunicado quanto na fala da presidente, Janet Yellen. O mercado acionário reagiu aos desdobramentos da Operação Carne Fraca, mas em dia de exercício de opções. Os papéis da Vale, Petrobras e siderúrgicas suavizaram as quedas das empresas citadas na Operação. O petróleo recuou e levou as elétricas”, considerou o analista-chefe e sócio da ModalMais, Alvaro Bandeira.

As ações com ganhos
Estácio Participações ON, alta de 2,76%; Siderúrgica Nacional ON, alta de 3,01%; Suzano Papel PNA, alta de 3,82%; e Fibria ON, alta de 4,29%.

As ações com perdas
Marfrig ON, queda de 4,29%; CEMIG PN, queda de 5,70%; BRF ON, queda de 2,16%; Sabesp ON, queda de 3,11%; e Smiles ON, queda de 3,65%.

A Petrobras ON ficou alta de 2,38% e PN, alta de 3,34%.
A Vale ON estava em alta de 1,05% e a PN, alta de 1%.

Pagam dividendos nesta segunda-feira (20) a Alpargatas e Smiles.

Carteira Teórica

A carteira teórica do Índice Bovespa que passou a vigorar entre e 02 de janeiro de 2017 a 28 de abril de 2017, com base no fechamento do pregão de 29 de dezembro de 2016, totaliza 59 ativos de 56 empresas e com a entrada da Eletrobras ON (ELET3). Os cinco ativos que apresentaram o maior peso na composição do índice foram: Itauunibanco PN (10,681%), Bradesco PN (7,740%), Ambev S/A ON (7,183%), Petrobras PN (6,008%) e Petrobras ON (4,592%).

Commodities

O preço do barril de petróleo WTI negociado na Bolsa Mercantil de Futuros, Nova York, ficou em queda de 1,17% aos US$48,21.

O minério de ferro negociado no porto de Gingdao, China, fechou em queda de 0,92% aos US$91,49 a tonelada seca e com 62% de pureza.

Moedas

O dólar comercial fecha em forte queda nesta segunda-feira, embalado pelo cenário externo, em grande parte.

No interbancário, a moeda ficou cotada aos R$3,070 para a compra e R$3,071 para a venda, queda de 0,94%.

O euro ficou cotado aos R$3,299 para a compra e R$3,302 para a venda, queda de 0,66%.

A libra ficou em R$3,794 para a compra e R$3,797 para a venda, queda de 1%.

“No primeiro momento, a moeda sinalizava alta e aos poucos foram recuando com o cenário externo. O que se viu foram os Treasuries acalmando e o Fed, com a decisão da semana passada, deixando o mercado mais calmo. O peso deve ficar para as exportações com a Operação Carne Fraca, mas tem fluxo real com o certame dos aeroportos e com a repatriação. Houve também a queda na rolagem de swap pelo BCB. O viés é de mais desvalorização ante as demais moedas”, considerou o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

Na quinta-feira (16), o governo federal realizou leilão para concessão de quatro aeroportos brasileiros. A estimativa era para a entrada de R$3,3 bilhões.

Na semana passada, o Federal Reserve, que é o banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa de juros entre 0,75% e 1% ao ano. Novas altas estão nos planos do Fed para 2017.

Commodities

O preço do barril de petróleo WTI negociado na Bolsa Mercantil de Futuros, Nova York, ficou em queda de 1,17% aos US$48,21.

O minério de ferro negociado no porto de Gingdao, China, fechou em queda de 0,92% aos US$91,49 a tonelada seca e com 62% de pureza.


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