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DUBAI, 4 Jan (Reuters) – Agraciada com o prêmio Nobel da
Paz, a iraniana Shirin Ebadi incentivou seus compatriotas a
praticarem a desobediência civil e levar adiante os protestos
nacionais que vêm representando o maior desafio aos líderes do
Irã desde tumultos pró-reformas em 2009.
Segundo o jornal pan-árabe Asharq Al-Awsat, de propriedade
parcialmente saudita, a mais famosa advogada de direitos humanos
da República Islâmica disse que os iranianos deveriam continuar
nas ruas, e a Constituição lhes garante o direito de realizar
manifestações.
Após seis dias de protestos que abalaram a liderança
clerical e mataram 21 pessoas, na quarta-feira a Guarda
Revolucionária, unidade de elite das forças de segurança do
país, enviou forças a três províncias para conter os distúrbios.
Os protestos, inicialmente motivados pelas dificuldades
econômicas enfrentadas pelos jovens e pela classe trabalhadora,
se transformaram em um levante contra os poderes e privilégios
de uma elite alienada, especialmente o líder supremo, aiatolá
Ali Khamenei.
O Irã realizou manifestações pró-governo em várias cidades
nesta quinta-feira, inclusive em Mashhad, a segunda maior cidade
da nação.
A televisão estatal mostrou milhares de manifestantes com
cartazes de Khamenei e faixas dizendo "Morte aos sediciosos".
As passeatas antigoverno, que parecem ser espontâneas e não
ter um líder claro, começaram em bairros da classe trabalhadora
e em cidades menores, mas também parecem estar ganhando impulso
junto à classe média instruída e aos ativistas que participaram
dos protestos de 2009.
Ebadi, que mora em Londres, recebeu o Nobel da Paz em 2003 e
está entre vários críticos da liderança iraniana exilados. Ela
incentivou seus conterrâneos a pararem de pagar as contas de
água, gás e eletricidade e os impostos, e também os encorajou a
retirar dinheiro de bancos estatais para fazer pressão econômica
sobre o governo e obrigá-lo a parar de recorrer à violência e a
atender suas exigências.
"Se o governo não ouviu vocês durante 38 anos, seu papel é
ignorar o que o governo diz a vocês agora", disse Ebadi em uma
entrevista, segundo o Asharq Al-Awsat, também sediado na capital
inglesa.
Os tumultos provocaram as respostas mais variadas no mundo –
europeus expressaram receio com a reação animada dos líderes dos
Estados Unidos e de Israel com a demonstração de oposição ao
establishment religioso do Irã.
Como sinal da preocupação crescente da liderança de Teerã
com a persistência dos protestos, o comandante da Guarda
Revolucionária, major-general Mohammad Ali Jafari, disse ter
despachado forças às províncias de Isfahan, Lorestan e Hamadan
para lidar com a "nova sedição".
A maioria das baixas entre os manifestantes ocorreram nestas
regiões. A Guarda Revolucionária, espada e escudo da teocracia
xiita iraniana, foi fundamental para suprimir o levante de 2009,
matando dezenas de manifestantes na ocasião.
Sayyed Hassan Nasrallah, líder do grupo libanês Hezbollah,
que tem apoio do Irã, minimizou a onda atual de protestos,
explicando-a como um descontentamento econômico.
(Por Michael Georgy)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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