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Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 11 Mai (Reuters) – O medo da pulverização das
candidaturas de centro-direita levou um grupo de partidos a
tentar uma negociação prévia para organizar desde agora uma
frente única, mesmo que sem definir a cabeça de chapa, mas as
intenções fracassaram, barradas por interesses pessoais,
partidários e uma generalizada falta de vontade de ceder
espaços.
Iniciada pelo presidente de um dos partidos envolvidos, a
articulação começou há cerca de duas semanas. "Conversei com
DEM, com Solidariedade, com Podemos, com PR, com PP. Minha ideia
era que a gente sentasse e dissesse desde já 'estamos juntos e
quem estiver na frente em julho vai ter a cabeça de chapa', mas
não deu certo", contou a fonte. "Ninguém quer abrir mão de nada
agora".
As negociações tiveram o aval do presidente Michel Temer,
que chegou a dizer em entrevistas, na semana passada, que
abriria mão de uma suposta candidatura pessoal em prol de um
acordo. Em fala à emissora de TV estatal NBR, o presidente
chegou a dizer que as várias candidaturas não eram "úteis" e
confundiam o eleitor.
Esta semana, Temer já mudou de tom. Em entrevista ao jornal
Estado de S. Paulo, o presidente admitiu que a candidatura única
não prospera e é muito difícil haver um candidato único de
centro-direita.
"Com o passar do tempo, fica cada vez mais difícil essa
composição", admitiu à Reuters o ministro da Secretaria de
Governo, Carlos Marun, um ardoroso defensor, há meses, de um
candidato único da base do governo. "Até agora não se tem motivo
nenhum para se imaginar a consolidação dessa ideia."
Até agora, têm avançado as tratativas com vistas a um acordo
entre o Podemos, que lançou o senador Álvaro Dias como
pré-candidato, e o PRB, que apresentou a candidatura do
empresário Flávio Rocha, dono da rede de varejo Riachuelo.
Dias admitiu em entrevista à Reuters que concordaria com a
ideia de ceder a cabeça de chapa a quem estiver mais bem
colocado na corrida presidencial. "Estamos dispostos a conversar
e entendendo que esse é um critério válido", disse o senador à
Reuters.
Entre os supostos pré-candidatos que poderiam entrar nessa
negociação, Dias tem a posição mais confortável, já que é hoje o
mais bem colocado nas pesquisas, com exceção de Geraldo Alckmin
(PSDB). O senador, no entanto, não admite fazer alianças nem com
os tucanos, nem com o MDB, o que já elimina uma parte razoável
dos possíveis acordos.
"Não é possível fazer uma aliança com PSDB ou MDB. São mais
do mesmo, exatamente o contrário do que estamos pregando",
defendeu o senador.
Mais bem posicionado nas pesquisa, Alckmin seria o nome
natural para unir o campo da centro-direita mas, apesar de
recentes tentativas de Temer em se aproximas do tucano, as
conversas não prosperaram.
"Não tem conversa hoje. Nas últimas reuniões deu para tirar
o pulso do partido e não tem aliança com o PSDB. O DEM está mais
preocupado em não perder um eventual lugar de vice numa chapa
com Alckmin", disse à Reuters uma fonte palaciana.
Um dos tucanos mais próximos a Temer, o ex-presidente do
partido e suplente de senador José Aníbal (SP) trabalha ainda
para tentar aproximar o presidente de Alckmin e, mais otimista,
defende que é necessário uma convergência entre os partidos que
gravitam em torno do atual governo.
"Se isso vai ocorrer, eu não sei. Mas acho que é muito
provável", afirmou ele, ao ressalvar que ainda é muito cedo para
que haja um acordo entre as legendas. Aníbal defende que Alckmin
tem um "potencial grande de crescimento", ao contrário de outros
pré-candidatos.
O presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou que não tem
participado de conversas de partidos do chamado centro para
tentar fechar uma candidatura única, mas defende que o
ex-governador paulista seja o nome do centro ao Planalto e cobra
do tucano que atue para vencer essas resistências dos demais
aliados até julho.
Jefferson afirma que Alckmin é o candidato mais viável e os
demais postulantes estão criando "dificuldades" para depois
negociar. Questionado sobre o fato de o tucano não empolgar
potenciais aliados, o presidente do PTB disse que o centro é
"morno mesmo".
A intenção de Temer de apoiar um candidato que defenda o que
chama de "seu legado" também dificulta a formação de uma frente.
Nenhum dos pré-candidatos se anima com essa missão, com exceção
do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que estaria, na
verdade, defendendo suas próprias medidas econômicas.
"Ninguém vai defender legado nenhum, não tem isso. Alckmin
não defendeu Fernando Henrique, que é até hoje um deus do
partido, vai defender o governo? Só Meirelles, que pode usar as
medidas econômicas como credencial."
No entanto, a candidatura própria dentro do MDB já não seria
mais consenso. O presidente do partido, Romero Jucá (RR), já
admitiu que o MDB pode desistir de lançar candidato. Em
conversas com deputados, já há algumas semanas, a Reuters
mostrou que vários preferiam que o partido ficasse independente,
facilitando as alianças locais.
Marun diz que isso é um movimento de uma ala "derrotista" do
partido. "Tem um movimento, mas é uma ala minoritária", garante.
"O MDB tem uma questão fechada que é a de ter candidato
próprio".

(Reportagem adicional de Ricardo Brito
Edição de Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))

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