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Por Alastair Macdonald
ESTRASBURGO, 17 Abr (Reuters) – O presidente da França,
Emmanuel Macron, fez um apelo aos europeus nesta terça-feira
para que não busquem refúgio no nacionalismo, mas fortaleçam a
União Europeia como um bastião da democracia liberal contra um
mundo desordenado e perigoso.
Em discurso ao Parlamento Europeu na cidade francesa de
Estrasburgo, o chefe de Estado de 40 anos foi aplaudido de pé
pela maioria dos parlamentares depois de repudiar a ascensão de
"democracias nada liberais" mesmo dentro da UE.
Parlamentares nacionalistas franceses, britânicos e de
outras partes, porém, fizeram silêncio.
"Diante do autoritarismo, a resposta não é uma democracia
autoritária, mas a autoridade da democracia", disse Macron em
uma referência direta ao recém-reeleito primeiro-ministro da
Hungria, Viktor Orban, e ao partido governista da Polônia.
Um "nacionalismo egoísta" está ganhando terreno, alertou
Macron em referência a um clima de "guerra civil" na Europa. Mas
é ilusão, argumentou, dizer que a volta da soberania nacional à
custa de poderes compartilhados na UE proporcionaria a
tranquilidade que os eleitores desejam em um mundo de potências
autoritárias, em uma alusão aparente a nações como Rússia ou
China, e de multinacionais poderosas.
Conclamando outros líderes do bloco a seguirem seu exemplo
iniciando um diálogo público sobre o futuro da Europa, Macron
disse que a UE exige reformas que fortaleçam o que chamou de
"soberania europeia" no mundo.
A pouco mais de um ano das próximas eleições para o
Parlamento Europeu, ele lamentou o fato de que menos da metade
dos cidadãos do bloco se deu ao trabalho de votar em eleições
anteriores.
Macron percorreu uma lista de itens para uma integração
maior da UE no momento em que o Reino Unido, cético há tempos da
união, se prepara para se desfiliar em março do próximo ano —
entre eles uma nova taxação dos negócios digitais, mais apoio
aos refugiados, uma cooperação maior na defesa e uma abordagem
comum mais robusta na administração da moeda única.
Quanto ao euro, ele terá uma batalha árdua para convencer
seus aliados cruciais da Alemanha, onde os apoiadores
conservadores da chanceler Angela Merkel estão repelindo a ideia
de dar mais poderes a Bruxelas, o que poderia onerar os
contribuintes alemães.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker,
discursou depois de Macron e desaconselhou um foco muito grande
na parceria ou "motor" franco-alemão no cerne do projeto da UE,
lembrando que após a desfiliação britânica ainda haverá 27
países-membros no bloco, mas elogiou o líder francês por
privilegiar o fortalecimento da união na pauta política de seu
país.
(Reportagem adicional de Michel Rose, em Paris)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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