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Por Jeffrey Heller e Marcin Goettig
JERUSALÉM/VARSÓVIA, 29 Jan (Reuters) – O primeiro-ministro
de Israel e sobreviventes do Holocausto repudiaram, no domingo,
uma proposta de lei polonesa que tornaria ilegal insinuar que a
Polônia teve qualquer responsabilidade pelas atrocidades
cometidas pelos nazistas em seu solo.
Devido à ausência do embaixador, o Ministério das Relações
Exteriores israelense convocou o encarregado de negócios polonês
para protestar contra o projeto de lei, que ainda está sendo
analisado pelo Parlamento da Polônia.
"Em nenhuma circunstância aceitaremos que se reescreva a
história", disse o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em
longos comentários públicos feitos a seu gabinete.
Netanyahu e seu homólogo polonês, Mateusz Morawiecki,
conversaram por telefone na noite de domingo, informou o
escritório do líder do Estado judeu, e "concordaram em iniciar
um diálogo imediato entre equipes dos dois países para tentar
chegar a entendimentos sobre a legislação".
Antes da Segunda Guerra Mundial, a Polônia abrigava a maior
comunidade judia da Europa — cerca de 3,2 milhões de pessoas. A
Alemanha nazista atacou e ocupou o país vizinho em 1939 e mais
tarde construiu campos de extermínio, entre eles Auschwitz e
Treblinka, em seu território.
A maioria dos judeus que viviam na Polônia foi morta pelos
ocupantes nazistas.
O governo de Varsóvia disse em um comunicado que a
legislação visa impedir que o povo ou o Estado polonês seja
culpado por crimes dos nazistas.
O projeto de lei, aprovado pela câmara baixa do Parlamento
na sexta-feira, tornaria o uso de frases como "campos de
extermínio poloneses" punível com até três anos de prisão.
Para se tornar lei, a proposta, que ainda pode receber
emendas, precisa ser endossada pelo Senado e pelo presidente
polonês, Andrzej Duda.
Varsóvia afirma que o projeto de lei não limitará a
liberdade para se pesquisar ou falar sobre o Holocausto.
"Judeus, poloneses e todas as vítimas deveriam se guardiães
da lembrança de todos que foram assassinados pelos nazistas
alemães. Auschwitz-Birkenau não é um nome polonês, e 'Arbeit
Macht Frei' não é uma frase polonesa", argumentou Morawiecki no
Twitter no sábado.
A frase em alemão, que significa "o trabalho liberta", foi
gravada nos portões de ferro de Auschwitz e em outros campos de
concentração nazistas.
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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