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Por Jake Spring
RIO DE JANEIRO, 9 Mai (Reuters) – Quando o cineasta negro
Anderson Quack e a rapper Nega Gizza lançaram suas candidaturas
para concorrer nas eleições de outubro no Brasil, a ausência de
uma colega assassinada deixou uma forte marca sobre o evento em
um distrito pobre no subúrbio do Rio de Janeiro.
A estrela política em ascensão Marielle Franco, uma
vereadora negra do Rio, foi instrumental em unir os dois
candidatos sob a bandeira de seu partido, o PSOL, mas não viveu
para vê-los começarem suas campanhas.
Ela foi morta a tiros em março em um assassinato que
investigadores relacionaram aos seus muitos anos de denúncia de
atividades de milícias nas favelas do Rio. Um suspeito é um
também vereador acusado de ligações com as milícias, disseram
duas fontes com conhecimento da investigação na terça-feira.
Milhares tomaram as ruas para protestar contra sua morte,
que se tornou uma bandeira para moradores de favelas e
brasileiros negros que buscam uma voz maior na política de seu
país.
"Queria pedir uma salva de palmas para a nossa companheira
Marielle que foi uma das maiores incentivadoras neste processo",
disse Quack à plateia animada de cerca de 200 pessoas reunidas
na terça-feira em um quintal entre prédios no bairro de
Madureira, no subúrbio do Rio. "Marielle presente!"
Quack e Gizza fazem parte da Frente de Favelas do Brasil, um
movimento político que tenta unificar o poder de voto de favelas
e outros bairros negros suburbanos que historicamente são
ignorados e pouco representados na política brasileira.
Cerca de 11,4 milhões de brasileiros moram em favelas,
segundo dados do governo, embora um estudo da Organização das
Nações Unidas estime a população das favelas em cinco vezes este
número, englobando cerca de um terço da população do país.
No entanto, no fim do século 20, favelas recebiam poucos, se
algum, serviços públicos e frequentemente eram deixadas fora de
mapas oficiais.
Os protestos em razão da morte da vereadora Marielle
galvanizaram os esforços da Frente de Favelas para mudar essa
dinâmica, tocando a desilusão generalizada com políticos
tradicionais para ganhar mais visibilidade para as preocupações
dos brasileiros negros pobres.
"Para a gente foi um tiro em nós mesmos, foi um ataque à
nossa voz", disse Derson Maia, presidente da Frente de Favelas.
"(Ela) é uma referência para nós."

BARREIRAS TRADICIONAIS
Brasileiros que são negros ou "pardos", um termo para
pessoas miscigenadas, compõem 55 por cento da população do país,
mas constituem apenas 20 por cento do Congresso.
"Essa democracia que todo mundo fala, às vezes ela não
acontece. Ele vai acontecer no momento que a gente fizer com que
tenhamos muitos parlamentares negros", disse Gizza, a rapper que
está concorrendo a um cargo na Assembleia Legislativa do Rio de
Janeiro, cujo nome real é Giselle Gomes Souza.
O Brasil nunca teve um presidente negro ou pardo e desta
vez, apenas uma candidata negra, Marina Silva, da Rede
Sustentabilidade, é uma das principais concorrentes na corrida
presidencial.
"Conseguir candidatura dentro dos partidos da ordem para
quem vem de movimentos populares é muito difícil", disse o
deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), que se identifica como
pardo. Ele culpou o alto custo das campanhas para empoderar
interesses tradicionais.
Antes mesmo da arrecadação, a Frente de Favelas enfrentou
obstáculos tentando se registrar formalmente como partido, um
processo que exige milhares de assinaturas e não será concluído
antes da eleição de outubro.
Dado que candidatos precisam estar filiados a um partido
registrado para concorrer, a Frente trabalhou para afiliar mais
de 70 de seus possíveis candidatos a diversos partidos de
centro-esquerda ao redor do Brasil, segundo Maia, que está
baseado em Brasília.
Muitos deles ainda enfrentarão batalhas internas do partido
para garantir espaço na eleição, disse ele.
Enquanto barreiras para entrar na política brasileira são
altas, o cientista político Sérgio Praça disse que uma grave
recessão e grandes escândalos de corrupção política criaram uma
abertura para candidatos outsiders em 2018 que eles raramente
tiveram antes.
"Eu não acho que o sucesso eleitoral desse movimento vai ser
enorme, é difícil entrar no sistema político brasileiro, mas
certamente as condições hoje são favoráveis para isso. Muito
mais do que nas últimas eleições", disse Praça, professor da
Fundação Getulio Vargas do Rio.
Ele disse que a Frente de Favelas pode ter suas melhores
perspectivas no Rio, que foi especialmente atingido pela
instabilidade política e econômica dos últimos anos.
"É o momento certo para começar um novo movimento político",
disse Praça.
(Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS LM AC ES

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