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Por Kate Kelland
LONDRES, 18 Jan (Reuters) – Uma pesquisa realizada com a
participação de um "robô cientista" de inteligência artificial
descobriu que um ingrediente comum nas pastas de dente pode ser
desenvolvido para combater cepas da malária resistentes a
medicamentos.
Em estudo publicado no jornal Scientific Reports, cientistas
da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que usaram o robô
de inteligência artificial para realizar rastreamentos de alto
rendimento, disseram que o ingrediente, o triclosan, indicou
potencial de interromper infecções da malária em dois estágios
críticos — no fígado e no sangue.
A malária mata cerca de meio milhão de pessoas todos os
anos, a maioria delas crianças em regiões mais pobres da África.
A doença pode ser tratada com diversos medicamentos, mas a
resistência a esses remédios está crescendo, aumentando o risco
de que algumas cepas possam ficar sem tratamento no futuro.
Por conta disso, a busca por novos medicamentos está se
tornando cada vez mais urgente, disse Steve Oliver, do
departamento de bioquímica da Universidade de Cambridge e que
coliderou o projeto, ao lado de Elizabeth Bilsland.
Após ser transferido para um novo hospedeiro através de
picada de mosquito, parasitas da malária seguem para o fígado,
onde amadurecem e se reproduzem. Então seguem para os glóbulos
vermelhos, se multiplicam e se espalham pelo corpo, causando
febre e possivelmente complicações fatais.
Cientistas sabem há algum tempo que o triclosan pode impedir
o crescimento de parasitas da malária no estágio sanguíneo da
infecção ao inibir a ação de uma enzima conhecida como enoyl
reductase (ENR). Nas pastas de dente, o triclosan ajuda a
prevenir acúmulo de placas bacterianas.
No projeto mais recente, no entanto, a equipe de Bilsland
descobriu que o triclosan também inibe uma enzima totalmente
diferente do parasita da malária, chamada DHFR.
A DHFR é o alvo da pirimetamina antimalárica — uma
medicação para a qual parasitas da malária estão desenvolvendo
cada vez mais resistência, especialmente na África. O projeto da
equipe de Cambridge indicou que o triclosan é capaz de mirar e
agir sobre esta enzima, até mesmo em parasitas resistentes à
pirimetamina.
"Esta descoberta por nosso colega robô de que o triclosan é
eficaz contra alvos da malária oferece esperança de que podemos
usar isto para desenvolver um novo medicamento", disse Elizabeth
Bilsland, colíder do projeto.
"Nós sabemos que é um componente seguro, e sua habilidade de
mirar dois pontos do ciclo do parasita da malária significa que
o parasita terá dificuldades em desenvolver resistência".
O cientista robô de inteligência artificial do estudo
–apelidado de Eve– foi projetado para automatizar e acelerar o
processo de descoberta de medicamentos.
O robô faz isto ao automaticamente desenvolver e testar
hipóteses para explicar observações, testar experimentos usando
laboratórios robóticos, interpretar os resultados, alterar as
hipóteses e então repetir o ciclo.
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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