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Por Mitra Taj
LIMA, 18 Jan (Reuters) – Em sua viagem de 2015 à Bolívia, o
papa Francisco pediu perdão pelos "graves pecados" cometidos
contra povos nativos das Américas em nome da Igreja Católica.
No Peru nesta semana, ele será solicitado a ir um passo além
e se desculpar pela tomada pela Igreja no século 16 do tempo
mais sagrado do Império Inca: Coricancha.
Praticantes de rituais indígenas andinos querem a ajuda do
papa para assegurar acesso mais amplo ao templo na cidade
peruana de Cusco, antiga capital do Império Inca e coração de
uma próspera indústria turística construída sobre o rico passado
pré-colombiano da região.
Os espanhóis demoliram grande parte do templo original de
Coricancha após roubarem seu ouro há cerca de 500 anos,
construindo a Igreja de Santo Domingo no topo das ruínas como
parte de uma prática comum na época de transformar locais
sagrados nativos em católicos.
As sofisticadas construções de pedras dos incas ainda são
visíveis na base da Igreja de Santo Domingo, que cobra dos
turistas para visitas a Coricancha.
O Hatun Ayllu, um dos grupos que assinou uma carta entregue
a representantes do papa antes de sua visita ao Peru, que começa
nesta quinta-feira, disse que permitir que rituais nativos sejam
retomados regularmente em Coricancha transformaria o gesto papal
de arrependimento em verdadeira reparação por crimes passados.
"Cusco foi conquistada pela cruz e pela espada", disse
Enrique Riversos, representante do Hatun Ayllu. "Mas refletir
sobre isso não é suficiente. É hora de devolver ao povo indígena
o que pertence a ele".
A Igreja de Santo Domingo e representantes do papa no Peru
não responderam de imediato a pedidos de comentários.
Embora Francisco tenha pedido perdão por erros "durante a
chamada conquista da América", ele não expressou explicitamente
arrependimento pela evangelização do povo indígena.
Riveros e outros que acreditam em deuses nativos se reuniram
em um local sagrado de Lima nesta semana para fazer oferendas à
Terra, em uma tradição que sobreviveu apesar da maioria católica
do Peru.
(Reportagem adicional da Reuters TV)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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