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Por Anastasia Moloney
BOGOTÁ, 26 Jan (Thomson Reuters Foundation) – Próximo à
estação rodoviária da cidade de Boa Vista, grupos de imigrantes
da Venezuela seguram cartazes dizendo "procuro emprego".
Pela cidade fronteiriça, outros imigrantes – tanto homens
quanto mulheres – dormem em tendas montadas em praças públicas e
em um ginásio esportivo que foi transformado em um lotado
abrigo, enquanto outros pedem dinheiro nas ruas e lavam
para-brisas de carros.
Dezenas de milhares de venezuelanos atravessaram a fronteira
para o Brasil no ano passado, buscando escapar de uma economia
em ruínas com uma inflação de três dígitos.
Muitos atravessam para comprar alimentos e remédios e então
voltam. Mas outros ficam, incluindo mais de 12 mil venezuelanos
que pediram asilo no ano passado no Estado de Roraima, em um
aumento de cinco vezes em relação a 2016, segundo dados da
polícia.
Desesperados para encontrar empregos e ganhar dinheiro para
alimentar suas famílias, estes imigrantes venezuelanos estão em
alto risco de serem traficados para trabalhos forçados e
prostituição.
"Venezuelanos estão escapando na esperança de uma vida
melhor e para ter alternativas", disse Euridice Marquez,
autoridade de prevenção de crimes e justiça criminal no
Escritório das Nações Unidas sobre Droga e Crime (UNODC).
"Quando você está nesta situação, você é realmente uma presa
para qualquer tipo de exploração e abuso", disse.
Com um fluxo de imigrantes vulneráveis, os Estados
brasileiros na Amazônia se tornaram centros para tráfico de
pessoas.
Os imigrantes homens são explorados como trabalhadores
rurais por salários baixos e as mulheres como prostitutas ou
ajudantes domésticas.
"Nós estamos tendo uma crise migratória no Amazonas e em
Roraima… estes Estados estão na fronteira e são os mais
vulneráveis", disse Fernanda Fuentes, analista do programa do
UNODC no Brasil.

TRABALHO FORÇADO
Apoiada pela União Europeia e pelo UNODC, a Defensoria
Pública da União (DPU) fornece assistência legal para pessoas
vulneráveis, incluindo imigrantes venezuelanos.
A DPU possui uma unidade móvel que viaja para áreas rurais
remotas e tem identificado casos de exploração trabalhista entre
imigrantes venezuelanos em grandes fazendas desde 2015, disse
Fuentes.
Fazendeiros e agricultores locais que buscam contratar mão
de obra barata e temporária exploram imigrantes venezuelanos,
incluindo os do grupo indígena venezuelano Warao, disse Fuentes.
Passando pela estação rodoviária de Boa Vista em caminhões,
eles buscam venezuelanos que procuram empregos, normalmente
oferecendo uma quantia de mil reais ao mês – mais que o salário
mínimo, segundo Fuentes.
Assim que chegam às fazendas de gado e plantações,
trabalhadores imigrantes bebem água de córregos e recebem uma
tigela de arroz para o almoço e para o jantar, disse.
Após terminarem um mês de trabalho, trabalhadores são
levados de volta a Boa Vista, mas frequentemente recebem metade
do que foi prometido.
"Eles dizem que é preciso deduzir a comida que você teve, a
água que você bebeu, as despesas, então é muito diferente do que
foi prometido quando você entra no caminhão", disse Fuentes.
Procuradores enfrentam uma batalha difícil para conseguir
condenações, já que trabalhadores imigrantes raramente conseguem
identificar a fazenda ou seus donos.
"Eles entram no caminhão e andam por cerca de seis horas,
sem saber onde estão indo, eles não têm ideia", disse Fuentes.
Mulheres venezuelanas são mais vulneráveis a serem forçadas
à prostituição e serem exploradas como empregadas domésticas,
segundo Fuentes.
Em maio, a Polícia Federal realizou uma investigação sobre
suposta exploração sexual de 15 mulheres venezuelanas no Estado
de Roraima.
"Às vezes recrutadores e fazendeiros pensam que estão
realmente ajudando… dando a eles algo para comer, algo para
trabalhar… não reconhecendo que pessoas possuem direitos",
disse Marquez.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
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