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Por Lisa Barrington e Laila Bassam
BEIRUTE, 13 Nov (Reuters) – Saad al-Hariri alertou no
domingo que o Líbano corre risco de sofrer sanções de países do
Golfo Pérsico devido à interferência do grupo xiita Hezbollah na
região, e disse que voltará ao Líbano dentro de dias para
confirmar que renunciou ao cargo de primeiro-ministro do país.
Em entrevista a uma emissora televisão, Hariri, aliado da
Arábia Saudita, aventou a possibilidade de rescindir sua
renúncia se o Hezbollah concordar em se manter longe de
conflitos regionais como o do Iêmen, em seus primeiros
comentários públicos desde que leu sua renúncia na TV em Riad
oito dias atrás.
Hariri indicou que a subsistência de centenas de milhares de
libaneses pode estar ameaçada, além do comércio, vital para a
estabilidade da economia de sua nação. Ele disse que sua
renúncia foi concebida como um "choque positivo" para seu país,
que ele acredita estar em perigo.
Autoridades de alto escalão do governo libanês e fontes
experientes próximas a Hariri acreditam que a Arábia Saudita
coagiu o ex-premiê a renunciar e o submeteu à prisão domiciliar
depois que ele voou para o país vizinho mais de uma semana
atrás.
Antes da entrevista de Hariri, o presidente do Líbano,
Michel Aoun, disse que a movimentação de Hariri na Arábia
Saudita está sendo restringida, a primeira vez que autoridades
libanesas declararam publicamente acreditar que Riad o está
mantendo contra sua vontade. Hariri disse ser um homem livre.
A renúncia e sua repercussão lançaram o Líbano na linha de
frente do conflito entre a sunita Arábia Saudita e o xiita Irã.
Aoun se recusou a aceitar a demissão de Hariri a menos que ele a
entregue no Líbano.
Hariri, que não voltou a seu país desde que anunciou sua
renúncia surpreendente, disse ter saído em nome do interesse
nacional libanês, repetindo que o Líbano precisa se ater a uma
política de "desassociação" de conflitos regionais.
"Estou livremente no reino, e se quiser viajar amanhã,
viajarei", disse ele sobre sua presença em solo saudita. Ele
afirmou que voltará ao Líbano dentro de dois ou três dias.
Quando renunciou, em 4 de novembro, ele disse temer ser
assassinado. Seu pai, que foi primeiro-ministro por muito tempo,
foi morto por uma bomba em 2005. Hariri disse que precisa ter
certeza de que sua segurança não foi violada antes de retornar.
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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