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Por Daniel Trotta
NOVA YORK, 22 Nov (Reuters) – Imigrantes haitianos
criticaram a decisão do governo norte-americano de encerrar um
programa que proporcionou 59 mil vistos temporários a cidadãos
do Haiti após o terremoto de 2010, dizendo que serão enviados de
volta a um país que ainda não se recuperou deste e de outros
desastres desde então.
Os Estados Unidos ofereceram o chamado Status Protegido
Temporário (TPS, na sigla em inglês) a haitianos após o tremor
de janeiro de 2010 que matou cerca de 300 mil pessoas e devastou
uma nação que há tempos é a mais pobre das Américas.
O governo do ex-presidente Barack Obama renovou o programa
várias vezes por considerar as condições no Haiti difíceis
demais para enviar seus beneficiários para casa. Já a gestão do
presidente Donald Trump, que inicialmente concedeu uma renovação
de seis meses, anunciou na segunda-feira que encerrará o TPS
para o Haiti em julho de 2019.
Qualquer haitiano que não conseguir obter outro tipo de
visto estará sujeito a ser deportado de volta para o país
caribenho, onde algumas das vítimas do terremoto continuam sem
moradia e que ainda sofre os efeitos do furacão Matthew, de um
surto de cólera e da instabilidade política.
"Fomos deixamos em um vácuo", disse Sebastian Joseph,
imigrante haitiano de 26 anos que mora em Flatbush, região do
bairro nova-iorquino do Brooklyn que concentra haitianos e
outros caribenhos.
Ele disse que praticamente todos seus compatriotas querem
ficar nos EUA, onde construíram um nicho nos setores da
construção e de serviços de saúde, como cuidar de idosos e
doentes.
Os apoiadores de Trump ressaltam que o programa de vistos
sempre foi considerado temporário e que o líder norte-americano
fez campanha em 2016 prometendo políticas imigratórias
restritivas.
Ao menos uma beneficiária do TPS moradora do Brooklyn
aceitou que eventualmente terá que voltar.
"Se eles dizem que tenho 18 meses e é isso, digo graças a
Deus, e depois irei", disse Margaret Etienne, que há três anos
teve um filho que hoje é cidadão dos EUA. "É o meu país. Eu amo
meu país".
Ao encerrar o TPS, a secretária de Segurança Interna
interina, Elaine Duke, disse ter determinado que "as condições
extraordinárias, mas temporárias, causadas pelo terremoto de
2010 não existem mais".
Alguns críticos duvidam da recuperação haitiana e questionam
como Duke chegou a tal conclusão. O senador Marco Rubio, um
republicano da Flórida, Estado com maior número de haitianos,
exortou Trump a prorrogar o TPS, alertando que "os haitianos
enviados de volta para casa enfrentarão condições duras,
incluindo falta de moradia, serviços de saúde inadequados e
pouca perspectiva de emprego".
(Reportagem adicional de Peter Szekely)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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