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Por Maria Carolina Marcello e Leonardo Goy
BRASÍLIA, 25 Mai (Reuters) – O governo federal acredita em
um arrefecimento dos protestos e bloqueios nas estradas de todo
país por parte dos caminhoneiros e aposta na retomada do
abastecimento de itens críticos como combustíveis e
medicamentos, mas ao mesmo tempo adotou medidas duras, como o
uso das Forças Armadas.
Em coletiva na noite desta sexta-feira, ministros que
integram um grupo de monitoramento do assunto afirmaram ter
dados que comprovam a desmobilização parcial de caminhoneiros,
ainda que admitam que a liberação das rodovias não têm ocorrido
com a velocidade que esperavam após o acordo selado na véspera
com representantes da categoria.
Segundo o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann,
informações colhidas pela Polícia Rodoviária Federal e pelos
órgãos de inteligência ligados ao Gabinete de Segurança
Insitucional (GSI) apontam que as interdições restantes são
parciais.
"O nosso entendimento, com dados objetivos e são dados
absolutamete críveis, é que há de fato um declínio em termos de
movimento e as interdições que existem são parciais", disse
Jungmann a jornalistas. Segundo as autoridades, de um pico de
938 bloqueios, 419 já foram dissolvidos, enquanto 519 persistem.
Na visão do governo, muitos dos que protestam não se sentem
representados pelas lideranças que sentaram para negociar e
discordam do que foi acertado, por entenderem que poderiam ter
outras demandas atendidas.
Ainda assim, mesmo diante da resistência de boa parte dos
caminhoneiros, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos
Marun, garantiu que o governo cumprirá sua parte do acordo que
envolve, dentre outros pontos, a isenção da Cide sobre o óleo
diesel e prevê o congelamento do preço do combustível nos níveis
anunciados pela Petrobras nesta semana por 30 dias.
Em troca, os representantes dos caminhoneiros consultariam a
categoria para suspender a greve por 15 dias.
"O acordo está mantido", assegurou Marun. "Não há
negociação, mas há diálogo", acrescentou, logo após Padilha
afirmar que da parte do governo a negociação "está encerrada".
Segundo o ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, entre as
prioridades estabelecidas pelo governo está a liberação das
refinarias.
"Já começou hoje à tarde. Tão logo assinou o decreto, já
tinha tropa na refinaria de Duque de Caxias (RJ) em condições de
desobstruir. E foi feito isso hoje", disse o ministro.
Além disso, o ministro mencionou que 11 aeroportos foram
listados como prioridade para garantir o acesso de caminhões com
combustíveis para aeronaves. Ele citou, entre eles, os terminais
de Salvador (BA) e Brasília (DF).
O ministro disse que as Forças Armadas não imaginam que
haverá confronto para executar as ações de liberação das
estradas e das cargas. "A ação não é contra os caminhoneiros, é
para permitir o trânsito, o direito de ir e vir e o
abastecimento".
Também houve ações para liberar o tráfego no Porto de
Santos.

FORÇAS ARMADAS
Ainda que os ministros garantam estar munidos de dados
"científicos" que os permitem afirmar que há um arrefecimento
dos protestos, o governo mobilizou instrumentos mais rígidos
para liberar as estradas e garantir o abastecimento.
Segundo Padilha, o presidente Michel Temer assinou nesta
sexta-feira um decreto que institui a Garantia da Lei e da Ordem
(GLO), que autoriza o uso das Forças Armadas, em todo território
nacional, com validade até o dia 4 de junho.
Também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação
com pedido de liminar para o desbloqueio imediato de estradas
com o uso da Polícia Rodoviária Federal, da Força Nacional e das
Polícias Militares. A liminar foi concedida pelo tribunal.
Outra medida que pode ser adotada, segundo o ministro do
GSI, Sérgio Etchegoyen, é um decreto que autorize a requisição
de bens, nos casos em que houver resistência por parte de
caminhoneiros ou empresas transportadoras a reestabelecer o
abastecimento.
Os ministros explicaram que poderiam até ser utilizados,
nesses casos, motoristas das Forças Armadas para garantir o
transporte de cargas.
Segundo Etchegoyen, o "gatilho" para a decisão do governo de
lançar mão de ações como o uso das Forças Armadas foi o risco de
desabastecimento.
O ministro da Segurança, Jungmann, também informaram que já
solicitou investigação para apurar se há casos do chamado
locaute, quando empresários impedem funcionários de trabalharem,
na paralisação dos caminhoneiros.

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(Reportagem de Maria Carolina Marcello e Leonardo Goy
Edição de Pedro Fonseca)
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