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BRASÍLIA, 22 Jan (Reuters) – O Centro de Investigação e
Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) descartou nesta
segunda-feira a hipótese de sabotagem no acidente com o avião
que resultou na morte do ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Teori Zavascki e sugeriu que o piloto da aeronave pode ter
enfrentado uma situação de desorientação espacial instantes
antes do acidente.
As informações colhidas pelo Cenipa sobre o acidente
ocorrido em janeiro de 2017 apontam em relatório, além da
desorientação enfrentada pelo piloto, uma conjunção de fatores,
como as condições meteorológicas adversas no momento do
acidente, a baixa visibilidade e possível comprometimento na
tomada de decisões do piloto por questões emocionais, apesar de
sua larga experiência.
"Naquele momento não havia as condições mínimas de
visibilidade requeridas para as operações de pousos e
decolagens", disse o investigador encarregado do Cenipa Coronel
Aviador Marcelo Moreno.
"O campo visual do piloto estava restrito e com poucas
referências visuais do solo que pudessem permitir a sua adequada
orientação", afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de sabotagem da aeronave
que transportava Teori, que à época concentrava concentrava os
inquéritos da operação Lava Jato no STF, o investigador afirmou
que "no caso de indício de crime ou ato ilícito doloso, o
Cenipa interrompe a investigação e comunica a autoridade
policial competente". Segundo ele, os elementos colhidos na
investigação não sustentam "nenhum indício" que leve a uma
"interferência ilícita".
O avião que levava Teori, o empresário Carlos Alberto
Fernandes Filgueiras e outras duas pessoas, além do piloto, caiu
no mar em 19 de janeiro de 2017 no trajeto entre São Paulo e
Angra dos Reis. À época, a morte do ministro suscitou teorias
que questionavam se teria mesmo sido um acidente.
A análise dos dados também descartou mal funcionamento dos
motores ou dos equipamentos da aeronave e aponta que o acidente
ocorreu durante uma arremetida, após duas tentativas de pouso em
Paraty, segundo Moreno.
O investigador citou ainda uma cultura de "informalidade"
que permeava o grupo de pilotos que trabalham na região, além de
uma "autoimposição" a eles para que realizassem pousos e
decolagens mesmo em condições adversas. O investigador afirmou
que as condições meteorológicas tornavam o pouso "impraticável"
naquele momento.
"Essa mesma informalidade do grupo de trabalho…
influenciou na tomada de decisão do piloto que, a despeito de
encontrar condições adversas e de seu estado emocional, optou
por insistir na tentativa de pouso", avaliou Moreno.
O investigador explicou que a possível desorientação do
piloto pode ter ocorrido devido à curva acentuada realizada no
momento da arremetida –que pode ter confundido os mecanismos de
orientação do corpo humano por meio do sistema vestibular–,
aliada a ilusões visuais que podem ter sido causadas pelo
terreno homogêneo e sem pontos de referência que o avião
sobrevoava.
"As condições de baixa visibilidade e de curva à baixa
altura sobre a água sugerem que o piloto tenha experimentado os
efeitos da ilusão vestibular por excesso de (força) G e da
ilusão de terreno homogêneo, tendo por consequência vivenciado
uma desorientação espacial."
O chefe do Cenipa, Brigadeiro do Ar Frederico Felipe,
explicou que o órgão não tem a finalidade de atribuir culpa ou
estabelecer responsabilidades, mas apenas identificar os fatores
que resultaram no acidente.
"A única finalidade é a prevenção de acidentes
aeronáuticos", afirmou.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello; Edição de Alexandre
Caverni)
(([email protected]; 55-11-56447702; Reuters
Messaging: [email protected]))

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