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Por Toby Sterling e Stephanie van den Berg e Anthony Deutsch
HAIA, 22 Nov (Reuters) – Um tribunal da Organização das
Nações Unidas (ONU) condenou o ex-comandante militar
bósnio-sérvio Ratko Mladic por genocídio e crimes contra a
humanidade por orquestrar massacres e uma faxina étnica durante
a guerra da Bósnia, e o sentenciou a prisão perpétua.
Mladic, de 74 anos, foi retirado da corte minutos após o
veredicto por gritar "isso tudo são mentiras, vocês são todos
mentirosos" depois de voltar do que seu filho descreveu como um
exame de pressão arterial que atrasou a leitura da decisão.
O Tribunal Penal das Nações Unidas para a ex-Iugoslávia
considerou Mladic culpado de 10 das 11 acusações, incluindo o
massacre de oito mil homens e meninos muçulmanos em Srebrenica e
o cerco à capital bósnia, Sarajevo, no qual mais de 11 mil civis
foram mortos por bombas e franco-atiradores ao longo de 43
meses.
Os assassinatos dos homens e meninos de Srebrenica, que
foram separados das mulheres e levados em ônibus ou a pé para
serem fuzilados, representaram a pior atrocidade cometida na
Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
"Os crimes cometidos estão entre os mais hediondos que a
humanidade conheceu, e incluem genocídio e extermínio como crime
contra a humanidade", disse o juiz Alphons Orie, que presidiu os
procedimentos, na leitura de um sumário do julgamento.
"Muitos destes homens e meninos foram ofendidos, insultados,
ameaçados, forçados a cantar canções sérvias e espancados
enquanto aguardavam as execuções", disse.
Mladic havia se declarado inocente de todas as acusações e
deve apelar contra sua condenação.
No sumário, o tribunal argumentou que Mladic "contribuiu
significativamente" para o genocídio cometido em Srebrenica com
o objetivo de destruir sua população muçulmana, que "dirigiu
pessoalmente" o longo bombardeio de Sarajevo e que foi parte de
um "empreendimento criminoso conjunto" visando expurgar a Bósnia
de muçulmanos e croatas.
Em Genebra, o alto comissário da ONU para os direitos
humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, classificou Mladic como "epítome
do mal" e disse que sua condenação depois de 16 anos em fuga e
mais de quatro anos de julgamento é uma "vitória impactante da
justiça".
"O processamento de Mladic é o epítome do que a Justiça
internacional representa", disse ele em um comunicado.
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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