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Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 10 Mai (Reuters) – O pré-candidato do PSL ao
Palácio do Planalto, deputado Jair Bolsonaro (RJ), aposta na
força de sua atuação nas redes sociais para compensar as
dificuldades que terá para fazer uma campanha nos moldes
tradicionais, que seja baseada no tripé financiamento, estrutura
partidária e de palanques e tempo de rádio e TV, afirmaram
aliados diretos dele à Reuters.
Eles consideram que esses são os três principais entraves
para o deputado chegar ao segundo turno da eleição presidencial,
no momento em que, a cinco meses das eleições, ele lidera as
pesquisas de intenção de voto em cenários sem a presença do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva –preso há um mês
cumprindo pena por condenação no processo do tríplex do Guarujá
(SP) e que deve ser impedido de concorrer em razão da Lei da
Ficha Limpa.
Atualmente, o deputado é o líder entre os pré-candidatos em
fãs no Facebook, com 5,3 milhões, em número de assinantes no
Youtube, com quase 520 mil pessoas, e é o segundo em seguidores
no Twitter, com 1,1 milhão, atrás da ex-ministra e que já foi
candidata a presidente por duas vezes, Marina Silva, com 1,9
milhão, conforme o site Torabit, especializado em análise de
redes sociais.
Apesar dessa influência, o deputado conta apenas com uma
pequena estrutura de assessores e aliados para defender e
propagar suas ideias –é o único que se propaga publicamente
como de direita– durante o período pré-eleitoral.
Adversários dele, contudo, têm se mostrado céticos em
relação à viabilidade eleitoral de um projeto presidencial com
esse formato. Ainda acreditam que ele deverá perder consistência
na campanha diante da exposição de posições polêmicas.
Bolsonaro também já decidiu, segundo aliados, abrir mão dos
recursos do chamado fundo eleitoral, verba pública criada por
lei para financiar as campanhas após o fim do financiamento de
empresas.
O PSL tem reservados cerca de 9 milhões de reais para a
campanha de 2018, o que poderia garantir ao presidenciável 3
milhões de reais para bancar despesas eleitorais. Ainda não há
uma definição, segundo essas pessoas, sobre como o deputado vai
financiar sua campanha.

PERÍODO DE TURBULÊNCIA
O presidente licenciado do PSL, Luciano Bivar, admitiu à
Reuters dificuldades para estruturar a candidatura de Bolsonaro.
Ele disse que a legenda busca alianças para aumentar o tempo de
propaganda eleitoral. Nas estimativas dele, o partido só teria
direito a entre 15 e 20 segundos no rádio e na TV, de um total
de 12 minutos e 30 segundos em cada bloco.
Lideranças do partido admitem haver conversas para tentar
emplacar o senador Magno Malta (ES), do PR, como vice, o que
poderia aumentar o tempo de propaganda. Procurado pela
reportagem, Malta não atendeu aos pedidos de entrevista.
Para Bivar, a "grande turbulência" para a campanha de
Bolsonaro vai ocorrer no período de televisão na campanha, pouco
mais de 30 dias antes do primeiro turno, dia 7 de outubro.
"A rede social vai funcionar para contrabalançar essa falta
de tempo de TV. Precisamos de gordura para compensar a falta de
informação", afirmou o presidente licenciado do PSL, que disse
estar otimista quanto à "sobrevivência" do candidato nesse
futuro momento.
O dirigente partidário destacou que, passado esse período, a
disputa fica mais equilibrada no segundo turno, porque na
propaganda os candidatos terão idêntico tempo de TV e rádio.
Ele e o deputado Carlos Manato (PSL-ES), outro aliado de
Bolsonaro, disseram que a campanha deverá buscar uma espécie de
crowdfunding para custear as despesas.
A partir de 15 de maio já será permitida a arrecadação
prévia a pré-candidatos por meio do crowdfunding, que é um
mecanismo de arrecadação coletiva de recursos.

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CAMPANHA CURTA AJUDA
Aliados consideram que, com a redução do período de campanha
eleitoral –de 90 dias para 45 dias; ela começará oficialmente
apenas em 16 de agosto– e sem financiamento de empresas será
possível ter uma disputa mais igualitária para o nome do PSL.
A previsão durante a campanha é de aumentar a equipe que
trabalha com redes sociais e intensificar parcerias com
apoiadores nos Estados –outra iniciativa para suprir a provável
falta de palanques regionais.
"A campanha dele vai ser barata. Não tem tempo de TV, não
vai gastar com megaprodução e vai viajar de avião de carreira",
disse Manato, ao citar que um importante gasto que o colega de
partido deve ter na campanha ao Planalto é com advogados, para
defendê-lo de potenciais acusações de homofobia.
Uma fonte do MDB, partido com maior tempo de propaganda
eleitoral e capilaridade nos Estados, avaliou que esses
percalços de Bolsonaro vão pesar na campanha. Para essa fonte, o
deputado apresenta um interessante piso de intenção de voto no
momento, mas terá dificuldades para ampliar seus apoios com a
forma que atua.
"Bolsonaro prega para os convertidos", disse a fonte, para
quem a corrida eleitoral, apesar de aberta, deverá afunilar
entre candidatos de partidos tradicionais.
Já o presidente licenciado do PSL avalia que a campanha de
Bolsonaro é uma novidade que assusta.
"Eu acho que é um novo paradigma de campanha e isso está
assustando todo mundo", afirmou Bivar.

(Edição de Alexandre Caverni e Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))


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