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Por Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 10 Nov (Reuters) – Numa reunião reservada que não
constava sequer da agenda oficial do ministro da Justiça,
Torquato Jardim, o novo diretor-geral da Polícia Federal,
Fernando Segóvia, foi empossado no cargo na tarde desta
sexta-feira com o discurso de que pretende "ampliar" o combate à
corrupção no país, inclusive a atuação da operação Lava Jato.
Segóvia, que foi indicado ao cargo por escolha pessoal do
presidente Michel Temer e com o apoio de políticos do PMDB
implicados na Lava Jato, substitui o delegado Leandro Daiello,
que permaneceu à frente da PF por mais tempo, 6 anos e 10 meses.
A reunião ocorreu no Ministério da Justiça. Segundo a
assessoria de imprensa da pasta, o que ocorreu nesta sexta-feira
foi uma "mera assinatura" do termo de posse. A cerimônia de
transmissão do cargo, disse o órgão, ocorrerá no dia 20 de
dezembro, quando haverá "discursos, entrevistas e demais ações
protocolares".
Não houve aviso da assessoria do ministério ou da PF para a
imprensa de que haveria essa reunião. Contudo, uma equipe
televisiva da Rede Globo esteve presente ao encontro.
Em rápida entrevista após a posse, segundo informações da
assessoria do órgão publicada no site do Ministério da Justiça,
Segóvia afirmou que pretende reforçar o combate à corrupção, com
a ampliação e melhoria da Lava Jato e criação de mais operações.
"A Lava Jato na realidade é uma das operações de combate à
corrupção no país. O que a PF pretende é aumentar, ampliar o
combate à corrupção. Então não será só uma ampliação, uma
melhoria na Lava Jato, será em todas as operações que a PF já
vem empreendendo. Bem como ampliar, criar novas operações",
disse o novo diretor-geral.
Para Segóvia, uma única certeza é que a corrupção no Brasil
é sistêmica, mas existe a PF, o Ministério Público Federal e
outros órgãos que a combatem e pretendem continuar cada vez mais
fortes nessa atuação.
Ao ser questionado sobre ingerência política na PF, o novo
diretor-geral disse que "a política, na realidade, faz parte da
vida do ser humano".
"Então, como diretor-geral, eu tenho que realmente trabalhar
politicamente com vários órgãos, várias instituições, o que não
quer dizer que a gente não combata os crimes, que são cometidos
por pessoas. As instituições não cometem crimes, as pessoas
cometem crimes. Nas empresas, os funcionários cometem crimes, as
empresas não cometem crimes", disse.
Quanto a mudanças na cúpula da instituição, Segóvia informou
que já teve reuniões com os diretores e superintendentes
regionais e todos estão tranquilos.
"A gente está começando a trabalhar o processo de transição
natural dentro da Polícia Federal. Pretendemos continuar o
trabalho e é natural que, com o tempo, haja mudanças", disse.
"Com certeza sempre tem gente que está cansado e quer sair, e
tem gente que está novo e quer entrar, isso é natural",
completou.
Segundo apuração da Reuters, o delegado Sandro Torres Avelar
é apontado como principal nome para assumir o cargo de
secretário-executivo da PF, na prática, o número dois da
corporação.
Avelar foi filiado ao PMDB e ocupou o cargo de secretário de
Segurança Pública em Brasília com o aval direto do ex-assessor
especial do presidente Michel Temer, o ex-vice-governador do
Distrito Federal e também presidente do partido na capital,
Tadeu Fillipelli.

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 5511 56447702; Reuters
Messenger: [email protected]))

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