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Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 6 Dez (Reuters) – No que tem sido considerado como
"Dia D", o Palácio do Planalto e aliados querem definir nesta
quarta-feira qual o real apoio dos deputados da base aliada para
tentar votar o primeiro turno da nova versão da reforma da
Previdência na Câmara dos Deputados na próxima semana.
Pela manhã, o presidente Michel Temer reúne líderes de
partidos da base num café da manhã no Palácio da Alvorada para
fazer uma avaliação dos votos que o governo tem para votar a
proposta.
Ao longo do dia, partidos como o PMDB e o PSDB marcaram
reuniões para decidir se vão fechar questão em favor da reforma,
iniciativa que obriga os parlamentares a apoiar a proposta, sob
pena de serem punidos até mesmo com a expulsão.
A aposta de governistas é que o fechamento de questão do
PMDB, partido de Temer, pode impulsionar os demais partidos da
base a votar a reforma. Por ora, projeções feitas por aliados
indicam que o Planalto não tem os 308 votos mínimos para passar
a proposta no plenário da Câmara.
Na véspera, Temer e o ministro da Casa Civil, Eliseu
Padilha, procuraram demonstrar otimismo com a possibilidade de
aprovação da proposta. Mas a ordem do governo é só colocá-la em
votação se houver votos.
"Havendo voto, vai a voto. Se não tiver votos, não tem
sentido (votar). Acho que vai ser agora. Pelo menos o ambiente
está muito bom. Estou animadíssimo. Mudou o clima", disse Temer.
"A probababilidade de a gente aprovar cresceu muito. Na medida
em que os sete partidos fecharem questão, seguramente nós
teremos do PSDB uma posição favorável, sem dúvida nenhuma, é uma
questão programática do PSDB o compromisso com o ajuste fiscal",
afirmou Padilha.
O relator da reforma na Câmara, Arthur Oliveira Maia
(PPS-BA), que se reuniu com o presidente também na terça, disse
que há condições para se começar a discutir o texto a partir da
segunda-feira da próxima semana de modo a tentar votar a
matéria, em primeiro turno, em seguida.
Apesar da sinalização positiva, a tendência é que somente o
PMDB feche questão a favor da reforma nesta quarta. De passagem
por Brasília na terça-feira, o futuro presidente do PSDB e
governador paulista, Geraldo Alckmin, defendeu o apoio à
proposta na base do "convencimento" e avaliou que não haverá
unanimidade em nenhum partido.
Outros partidos resistem a fechar questão. O DEM deve votar
em sua maioria a favor da proposta sem tomar essa decisão, disse
o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ). O PP só vai se reunir
para discutir fechamento de questão se a proposta for incluída
na pauta da Câmara, informou em nota o presidente da legenda,
senador Ciro Nogueira (PI).
Responsável por ter sugerido no domingo a Temer o fechamento
de questão em encontro no domingo com dirigentes partidários, o
presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse à Reuters que está
consultando dirigentes petebistas e deverá oficializar tal
posição até o fim de semana.
Além do fechamento de questão, outra estratégia articulada
pelo governo com aliados para convencer a base a aprovar a
reforma é apoiar a adoção de uma "verba extra" nos recursos
previstos para serem usados pelos parlamentares por meio de
emendas individuais em 2018, ano de eleições gerais, conforme
revelou a Reuters na terça.

(Edição de Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))

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