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BRASÍLIA, 7 Mai (Reuters) – O policial militar Abel de
Queiroz disse ter ido ao menos duas vezes "com absoluta certeza"
ao escritório do advogado José Yunes, amigo do presidente Michel
Temer, para fazer entrega de dinheiro a ele entre 2013 e 2015,
segundo depoimento sigiloso dele prestado à Polícia Federal e
obtido pela Reuters.
As declarações de Queiroz foram prestadas no dia 28 de março
ao delegado da PF Thiago Machado Delabary em São Paulo.
Ele falou na condição de testemunha do inquérito que
investiga se houve crime numa contribuição de 10 milhões de
reais para o então PMDB, que teria sido formalizada em um jantar
no Palácio do Jaburu, com a presença de Temer, do empresário
Marcelo Odebrecht e dos hoje ministros Eliseu Padilha (Casa
Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia) em 2014.
O presidente entrou para o rol de investigados desse
inquérito em março, após o ministro Edson Fachin, relator do
caso no Supremo Tribunal Federal, ter aceitado pedido da
procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para inclui-lo. A
fala de Queiroz foi publicada primeiro pelo jornal Folha de
S.Paulo no domingo.
No depoimento, o policial militar confirmou ter estado no
escritório de Yunes "com absoluta certeza" em pelo menos duas
ocasiões. Ele trabalhou como motorista da Transnacional, empresa
de transporte de valores da Odebrecht, um dos alvos da operação
Lava Jato. A PF fez um reconhecimento "in loco" com Queiroz do
endereço do advogado amigo de Temer.
Queiroz disse que "salvo engano", dois colegas de trabalho
foram responsáveis por entregarem o dinheiro no endereço de
Yunes. Disse também que essas operações ocorreram em dias
diferentes.
Ao delegado, o PM, entretanto, afirmou que não se lembra se
as pessoas indicadas para receber os recursos eram "Yunes" ou
Shirley, que seria secretária dele.

OUTRO LADO
O advogado de Yunes, José Luís de Oliveira Lima, afirmou em
nota que seu cliente, “com mais de 50 anos de advocacia, jamais
se prestou a desempenhar o papel de intermediário”.
O advogado de Temer, Brian Alves Prado, afirmou que a defesa
do presidente não teve acesso ao depoimento e que, por isso, não
poderá se pronunciar sobre o assunto.
Em fevereiro do ano passado, Temer afirmou em nota que pediu
“auxílio formal e oficial” à Odebrecht na campanha de 2014, mas
ressaltou que não autorizou ou solicitou que “nada fosse feito
sem amparo nas regras da Lei Eleitoral”.

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(Reportagem de Ricardo Brito
Edição de Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))


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