Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

SÃO PAULO, 13 Nov (Reuters) – O conglomerado industrial
Votorantim teve salto no resultado do terceiro trimestre,
impulsionado por melhora dos preços commodities como metais,
celulose e laranja, além do recuo menor na demanda por cimento
no Brasil e crescimento em países como Estados Unidos e Turquia.
O grupo teve lucro líquido de 519 milhões de reais, avanço
sobre os 149 milhões obtidos um ano antes. O lucro antes de
juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de 1,3
bilhão de reais, em linha com o mesmo período de 2016. A relação
de endividamento caiu de 4,29 para 3,01 vezes, com apoio dos
recursos de venda de ativos e do IPO do negócio de mineração.
Para o quarto trimestre, a avaliação do vice-presidente
financeiro, Sergio Malacrida, é de crescimento no desempenho do
grupo tanto na comparação trimestral como na relação anual.
"Se tudo o mais se mantiver constante, deveremos ter um
resultado melhor no quarto trimestre, até porque no ano passado
tivemos impacto de efeitos não recorrentes que não espero que se
repitam neste trimestre", disse. "O quarto trimestre também
costuma ser melhor sazonalmente que o terceiro", acrescentou.
Segundo ele, dos três termômetros da economia operados pela
Votorantim no Brasil –alumínio, aço e cimento– apenas o último
ainda não começou a sentir efeitos mais pronunciados da melhora
da economia. "Cimento tem um atraso natural…Vai demorar um
pouco para começarmos a sentir a retomada", disse Malacrida.
Na semana passada, a associação de fabricantes de cimento do
Brasil, Snic, informou queda de 0,5 por cento nas vendas de
cimento no país em outubro, sobre um ano antes, estimando queda
de 6 a 7 por cento em 2017 e estabilidade em 2018.
É essa lentidão na retomada do consumo de cimento no Brasil
que tem segurado os planos de IPO da unidade, principal do grupo
Votorantim, disse Malacrida. Nem a alta de 23 por cento do
Ibovespa neste ano e o bem sucedido IPO de sua área de
mineração na América do Norte no fim de outubro
foram fatores para convencer o grupo a retomar os planos de
oferta de ações da área cimenteira, engavetados em 2013.
"Hoje com a capacidade ociosa que ela tem (no Brasil), muito
provavelmente teria uma questão sobre como se atribuir valor
para isso. O principal motor do cimento é o PIB. É natural que
tenha que haver uma perspectiva melhor da economia para
voltarmos", disse o executivo.
"Apesar das tendências positivas, tem uma série de eventos
ano que vem que podem mudar o curso das coisas (da economia). As
pessoas estão discutindo o impacto do Brexit, Catalunha, Coreia
do Norte, eleições no Brasil", disse Malacrida.
A Votorantim Cimentos fechou setembro com ociosidade de
cerca de 50 por cento de sua capacidade de produção no Brasil,
de 34 milhões de toneladas por ano. Sessenta por cento das
vendas da unidade no Brasil ocorrem em sacos e são destinadas ao
chamado "comércio formiga", de pequenas obras, que dependem da
recuperação da renda da população.
No terceiro trimestre, a área de cimentos da Votorantim teve
queda de 27 por cento no lucro antes de juros, impostos,
depreciação e amortização (Ebitda) sobre um ano antes, a 521
milhões de reais. O resultado foi impactado por efeitos não
recorrentes no Brasil. Sem esses efeitos, o recuo no Ebitda
seria de 8 por cento.
Apesar da queda no Brasil, nos Estados Unidos o Ebitda da
área de cimentos da Votorantim subiu 13 por cento, com a empresa
ocupando toda a capacidade de 5,2 milhões de toneladas,
concentradas na região dos Grandes Lagos. "Vimos preços melhores
(de cimento) no terceiro trimestre e perspectiva super positiva
na região", disse Malacrida, acrescentando que uma fábrica nova
do grupo, com capacidade para 600 mil toneladas anuais, deverá
iniciar operações no primeiro semestre de 2018 com perspectiva
de ter todo o volume ocupado.

CELULOSE
O resultado do grupo também foi impulsionado pela
participação na maior fabricante de celulose de eucalipto do
mundo, a Fibria , que tem se beneficiado nos últimos
meses de um quadro de demanda aquecida e seguidos aumentos de
preços no mercado mundial.
A Fibria, na qual a Votorantim tem cerca de 29 por cento,
divulgou no final de outubro que teve crescimento de 23 vezes no
lucro líquido do período sobre um ano antes.
Questionado sobre os movimentos de consolidação da indústria
de celulose no Brasil, Malacrida disse que a Votorantim hoje
"não tem nenhuma conversa" com outras empresas do setor. Em
setembro, a empresa perdeu a disputa pela rival vizinha Eldorado
Brasil para a holandesa Paper Excellence.
A expectativa do mercado com consolidação da indústria de
celulose vem de recorrentes declarações de executivos do setor.
Na semana passada, o presidente da Suzano , Walter
Schalka, afirmou a analistas que a consolidação do setor "é
alternativa para se gerar valor" aos investidores.
Malacrida citou relatórios de analistas do mercado de
celulose que calculam que o setor tem cerca de 6 bilhões a 8
bilhões de reais em sinergias que poderiam ser aproveitadas em
caso de consolidação. "Com esse dinheiro na mesa, é óbvio que
todo mundo fala sobre isso…Tudo o que fizer sentido para o
nosso portfólio nós vamos fazer. Mas hoje não tem conversa
acontecendo", afirmou.

MetaTrader 300×250

(Por Alberto Alerigi Jr., edição de Aluísio Alves)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
Messaging: [email protected]))


Assuntos desta notícia

Join the Conversation