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Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 13 Nov (Reuters) – A Venezuela deixou de pagar uma
dívida com o Brasil de 262,5 milhões de dólares e o governo
brasileiro deve ir ao Clube de Paris contra o país vizinho,
confirmaram à Reuters fontes governamentais.
O atraso de mais de dois meses, dentro do chamado Convênio
de Créditos Recíprocos, uma câmara de compensação entre países
da América do Sul, já é considerado um calote pelo governo
brasileiro. Uma carta foi enviada à embaixada venezuelana no
Brasil avisando da possibilidade de o país levar o caso ao Clube
de Paris, ao qual aderiu formalmente em 2016.
O papel do Clube é justamente tratar da dívida dos países.
"O Brasil pretende usar essa estrutura para tratar da cobrança",
disse uma das fontes.
Apesar do valor não ser alto, o fato de a Venezuela não ter
conseguido honrar suas dívidas dentro do mecanismo de
compensação é um péssimo sinal para o governo de Nicolás Maduro.
No CCR, a compensação é multilateral. Países que têm a pagar
fazem os depósitos e as retiradas duas a três vezes por ano. O
CCR é uma garantia de pagamento, já que aquilo que um país tem a
receber é depositado e usado para pagar as dívidas com os
demais.
Em informação enviada à Reuters por e-mail, o Brasil deveria
ter recebido 334,50 milhões de dólares. "Tais valores eram
compostos pela soma dos saldos bilaterais do Brasil perante
todos os demais países da CCR. Tendo em conta o ocorrido com a
Venezuela, os valores a serem recebidos pelo Brasil foram
recalculados", explicou o BC.
No final, o Brasil recebeu apenas 72 milhões de dólares, dos
demais países.
Por ser teoricamente uma garantia de pagamento, o CCR ainda
permitia a Venezuela comprar produtos, especialmente alimentos e
medicamentos, dos países vizinhos. O não pagamento pelo CCR pode
piorar ainda mais a situação venezuelana, que já não tem crédito
direto em nenhum país.
Cálculos feitos pelo governo brasileiro e por empresas
apontam para uma dívida de 5 bilhões de dólares entre o governo
Maduro e empresas brasileiras. A situação perdura há mais de
dois anos, sem solução, e empresas brasileiras só têm aceitado
exportar para a Venezuela com pagamento adiantado.
No primeiro semestre deste ano, o governo brasileiro
anunciou que tentaria enviar uma missão de negociação a Caracas
para tratar das dívidas, mas até hoje não teve sucesso.

(Reportagem adicional de Marcela Ayres; Edição de Alexandre
Caverni)
(([email protected]; 55-11-56447702; Reuters
Messaging: [email protected]))

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