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SÃO PAULO, 29 Jan (Reuters) – O valor da elétrica Cesp
, que o governo paulista pretende privatizar neste
ano, deve subir significativamente após um decreto federal que
abre margem para uma renovação posterior das concessões de
hidrelétricas da empresa, disseram analistas do Itaú BBA em
relatório publicado na noite de domingo.
"A medida provavelmente vai encorajar o governo do Estado de
São Paulo a tentar privatizar a companhia de novo –nós
estimamos que a renovação vai adicionar até cerca de 7,5 reais
por ação ao valor da Cesp", escreveu o time de analistas
liderado por Pedro Manfredini.
O decreto do governo federal, publicado na última
sexta-feira, permite que vencedores de leilões de privatização
de empresas geradoras de energia municipais, estaduais ou
federais renovem suas concessões por 30 anos.
O governo de São Paulo chegou a agendar um leilão de venda
de sua fatia controladora na Cesp para setembro do ano passado,
a um preço de 16,80 reais por ação, mas na época houve falta de
interesse de investidores devido ao pouco prazo para explorar os
ativos da companhia, cujas concessões vencem entre 2020 e 2028.
A Cesp opera três hidrelétricas em São Paulo que somam 1,65
gigawatts em capacidade instalada.
O texto do governo condiciona a renovação dos contratos ao
pagamento de um bônus ao Tesouro, que o Itaú BBA estimou em 2,5
bilhões de reais.
Os analistas do banco disseram esperar que o governo
paulista mantenha o preço de 16,80 reais por ação ordinária da
Cesp quando retomar o processo de privatização, mas como o
desembolso total ainda precisará levar em conta esse bônus à
União o preço mínimo pela companhia deve alcançar 24,30 reais
por papel.
Além da renovação dos contratos da Cesp, uma melhoria no
cenário de chuvas no Brasil neste ano também deve favorecer o
leilão de privatização, uma vez que a empresa opera somente
hidrelétricas e vem sofrendo com uma menor produção em suas
usinas devido ao nível baixo dos reservatórios hídricos no país.
"Nós reconhecemos que o preço agora parece levemente mais
atraente, devido às expectativas de que a companhia vá se
beneficiar de uma melhor perspectiva hidrológica para 2018",
afirmaram os analistas do Itaú BBA.
Eles também escreveram que com o pagamento do bônus ao
governo na privatização, é pouco provável que a renovação dos
contratos gere valor para os acionistas minoritários da Cesp.
O decreto do governo federal definiu que uma eventual
arrecadação maior com o leilão da Cesp devido à perspectiva de
renovação das concessões deverá ser compartilhada com a União.
"Qualquer prêmio pago sobre o preço inicial será dividido
entre Cesp e o governo federal. Por exemplo, se o lance vencedor
chegar a 30 reais por ação, representando um ágio de 23 por
cento sobre o preço mínimo, 20,7 reais por ação iriam para a
Cesp e 9,30 reais para o governo federal", exemplificou o
relatório.
O Itaú BBA colocou um preço-alvo de 17 reais para a Cesp ao
final de 2018, contra 15,22 reais atualmente.
As ações da Cesp garantem aos minoritários direito de
tag-along, o que significa que após a privatização eles poderão
vender seus papéis na companhia ao novo controlador pelo mesmo
preço do leilão de desestatização –sem contar o valor
representado pelo bônus de outorga.

(Por Luciano Costa; edição de José Roberto Gomes)
(([email protected]; 5511 5644 7519;
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