Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

Por José Roberto Gomes
SÃO PAULO, 14 Mai (Reuters) – Desestimuladas pela queda dos
preços no mercado externo e maior atratividade do etanol, as
usinas brasileiras já cancelaram até 500 mil toneladas em
contratos de exportação de açúcar, e a fixação de vendas futuras
mostra-se lenta para esta época do ano, disseram especialistas à
Reuters nesta segunda-feira.
Só em 2018, a referência do açúcar bruto na Bolsa de Nova
York registra recuo de 26 por cento, para o menor patamar
em anos, dada a perspectiva de ampla oferta. Esse tombo
neutraliza, inclusive, o efeito positivo que o recente
fortalecimento do dólar ante o real poderia gerar às usinas.
"Com essa disparada do dólar, o valor em reais (do açúcar) é
o mesmo de quase um mês atrás. O valor de liquidação do açúcar é
praticamente o mesmo", afirmou o diretor da Archer Consulting,
Arnaldo Luiz Corrêa.
De acordo com ele, esse cenário levou as companhias a
cancelarem até agora "entre 400 mil e 500 mil toneladas" de
açúcar em contratos de exportação para a safra 2018/19, um
volume que equivale a cerca de 2 por cento dos embarques
potenciais do Brasil no ciclo –e mais "washouts", como são
conhecidas tais operações, podem ocorrer caso não haja reação
nos preços do adoçante.
"A usina cancela o contrato, e aquela cana que iria para
produção de açúcar, vai para a de etanol", explicou Corrêa.
O álcool, que já vinha se mostrando atrativo para as usinas
desde o ano passado, na esteira de mudanças tributárias, ganhou
ainda mais atenção em 2018 graças à melhor competitividade
frente a gasolina e ao derretimento das cotações do açúcar.
Em abril, por exemplo, a produção do biocombustível no
centro-sul saltou mais de 60 por cento, segundo dados da União
da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), após as vendas em postos
terem aumentado 36 por cento no primeiro trimestre, de acordo
com números da reguladora ANP.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar,
com vendas superiores a 20 milhões de toneladas por ano.

FIXAÇÃO ATRASADA
Na avaliação do analista Eduardo Sia, da Sucden, além de
"washouts", também são observadas neste ano operações de carrego
do açúcar para vendas posteriores. Em linhas gerais, é como se a
usina rolasse para o futuro a entrega de açúcar para focar na
fabricação de etanol agora.
Fora isso, acrescentou Sia, há também uma "lentidão" nos
destinos que adquirem o açúcar brasileiro –em abril, as
exportações nacionais do adoçante bruto diminuíram 31 por
cento.
"Não está em níveis críticos, de fazer estoques nos
terminais, mas está mais lento mesmo… O destino já fez sua
programação e está quieto, um pouco tímido", afirmou.
Perante tudo isso, chama atenção a fixação de preços para
vendas futuras de açúcar. Pela média histórica recente, a
comercialização já deveria estar nesta época em cerca de 60 por
cento da exportação total esperada, segundo o analista, que
mencionou que o Brasil não vendeu nem metade dos embarques
previstos para toda safra.
O sócio-diretor da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa
Carvalho, concorda e diz que a fixação até o momento está "entre
30 e 35 por cento".
"As usinas estão na expectativa de uma recuperação de
preços, que não vem, e a fixação não acontece", afirmou Corrêa
Carvalho, também presidente da Associação Brasileira do
Agronegócio (Abag).
O mais recente line-up da agência marítima Williams mostrou
que a fila de navios para embarcar açúcar no Brasil totalizava
23 na semana encerrada em 9 de maio. Em anos anteriores, com a
safra no centro-sul ganhando ritmo, essa quantidade se
aproximava de 40.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

(Edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))


Assuntos desta notícia

Join the Conversation