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Por Ana Mano
VERA, Mato Grosso, 16 Mai (Reuters) – Produtores brasileiros
que pretendem expandir a área plantada com soja na próxima
temporada para atender ao forte apetite chinês terão de avaliar
os custos crescentes da terra no país, disseram agricultores e
analistas durante uma expedição de safra pelas lavouras de Mato
Grosso.
Os produtores no Estado, o maior produtor nacional de grãos,
podem preferir investir os lucros com colheitas recentes no
aumento da produtividade das plantações existentes, disseram
agricultores, citando, como exemplo, a compra de equipamentos
melhores.
A área de soja plantada no Mato Grosso deve crescer 1,2 por
cento na safra 2018/19, segundo a primeira estimativa do
Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea),
divulgada na segunda-feira, para a safra que será semeada a
partir de setembro.
Caso se confirme, a área plantada com soja no Estado iria
para um recorde de 9,58 milhões de hectares, aumento de 13,5 por
cento em cinco anos.
O crescimento ocorre na esteira da expectativas de que o
Brasil superará os Estados Unidos neste ano como o maior
produtor de soja pela primeira vez na história.
Mas o boom pode se enfraquecer em razão dos custos da terra.
"Gostaria de aumentar a área de soja, mas não com os preços
atuais da terra", disse o agricultor Elzo Pozzobon, na cidade de
Vera (MT), por onde passou a expedição técnica Rally da Safra,
organizado pela consultoria Agroconsult.
Ele disse que custa o equivalente a 15 sacas de soja para
arrendar um hectare na área. Com o rendimento médio em Mato
Grosso pairando em torno de 56 sacas por hectare, os produtores
correm o risco de não cobrir os custos de produção, que ele
estima em 45 sacas.
Rafael Gatto, que cultiva cerca de 800 hectares em Vera,
disse que ficou sem espaço para cultivar mais soja, de modo que
vai investir em um novo sistema de irrigação para plantar três
safras por ano: soja, milho e feijão.
O vasto território do Brasil o torna um dos poucos grandes
produtores de grãos onde as áreas agrícolas e a produção ainda
podem crescer em escala, mas alguns agricultores estão indo para
terras menos produtivas.
André Debastiani, sócio da Agroconsult, disse que os altos
preços da soja estão incentivando os agricultores a plantar em
terras degradadas, incluindo pastagens convertidas.
Mato Grosso tem entre 2 milhões e 4 milhões de hectares de
pastagens disponíveis para plantio, de acordo com a Embrapa.
O agricultor Darlan Anese disse que pretende arrendar 1.200
hectares, expandindo sua área de soja em 46 por cento na próxima
temporada, mas primeiro terá de negociar com cautela.
"Tudo é muito caro e os erros podem nos custar caro", disse
ele.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS JRG RS


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