Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

O presidente Michel Temer retornou da China na tarde de 06 de setembro, com tempo para participar, em carro fechado, do desfile comemorativo da Independência.

Os áulicos do presidente temem que haja forte manifestação em todos os desfiles programados, principalmente depois do presidente ter minimizado os movimentos. O melhor exemplo disso foi a manifestação em São Paulo no final de semana.

MetaTrader 300×250

Temer cumpriu bom papel na reunião do G-20 na China, ressaltando que a constituição brasileira foi observada completamente no processo de impeachment (definitivamente não foi golpe como pregam à exaustão), e que o país vai reconstruir o crescimento, promover o ajuste fiscal necessário e manter ambiciosa agenda de reformas.

Aliás, o FMI por sua diretora gerente, Christine Lagarde, se posicionou sobre isso indicando que reformas no Brasil são “indispensáveis”.

Depois de sair da interinidade e de não ter governado (tomou posse e viajou), o presidente Temer terá que “cair na real” da situação brasileira. O governo terá praticamente uma semana de Congresso aberto, depois do qual entrará em recesso branco, até que o processo eleitoral municipal se extinga. Em prefeituras, onde haverá segundo turno a demora será ainda maior. Seus assessores também minimizam essa situação, mas a realidade é de adiamento de votações.

Até a cassação de Cunha (que querem transformar em suspensão) corre risco de não obter quórum.

Temer desembarca tendo que tentar consolidar fissura entre o PMDB que votou por deixar Dilma Rousseff elegível e criou mal estar com PSDB e DEM e, ainda lidar com coisas importantes do ajuste fiscal. Tem que resolver o imbróglio de estados e empresas públicas literalmente quebrado e com dificuldades, unificar e pacificar sua base de apoio para conseguir votar a PEC do teto de gastos e outras menos desidratadas possível e, conviver com pressões para alterar a lei de repatriação de recursos no exterior, que na teoria termina em 31 de outubro.

É como temos dito: virada a página do processo de impeachment (ainda pendente da arguição sobre fatiamento), os investidores, gestores de recursos e empreendedores vão ficar de olho na atuação do governo em propor ajustes e reformas importantes, assim como sua capacidade de imprimir velocidade nas votações requeridas e em sua implantação. Disso vai depender a ampliação da credibilidade e atração de recursos.

Não adianta muito divulgar ambicioso programa de privatizações e concessões, sem que o governo se mostre crível. Meirelles citou projetos que chegam a US$ 269 bilhões, mas isso só será viável com mudanças. Falamos ainda em mudanças amplas que abrangem marcos regulatórios importantes como o do petróleo (esse parece assegurado), mudanças na modelagem de leilão de concessões, etc.

A viagem de Michel Temer para a China foi oportuna e proveitosa e serviu para reinserir o Brasil no radar dos investidores.

Porém, Temer e sua equipe terão que produzir as mudanças necessárias para que esse clima seja mantido. Lidar com o exterior parece bem mais fácil que governar um país aonde o presidencialismo de coalisão chegou ao fim e a reforma política se faz necessária.

Fiquemos com a frase do saudoso Paulo Francis: “O Brasil é um asilo de lunáticos onde os pacientes assumiram o controle”.


Assuntos desta notícia