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Por Iuri Dantas
SÃO PAULO, 23 Nov (Reuters) – Um dos principais motores da
atividade econômica, a taxa de investimento da economia
brasileira voltou a crescer a partir do terceiro trimestre e
permanecerá em terreno positivo, mas não o suficiente para o
crescimento do PIB ultrapassar 0,8 por cento neste ano,
avaliaram economistas do Itaú Unibanco.
"A gente espera que o investimento fique acima da linha. O
investimento é mais volátil, mas a tendência é continuar no
positivo", afirmou o economista-chefe do banco, Mário Mesquita,
durante evento com jornalistas nesta quinta-feira em São Paulo.
Nos próximos meses, o programa de concessões públicas, a
recuperação gradual do consumo e a taxa básica de juros em sua
mínima histórica devem ajudar os investimentos a contribuir
positivamente para o desempenho da economia, segundo Mesquita.
Depois de levar a Selic a 7,5 por cento ao ano, o Banco
Central deve promover um novo corte para 7 por cento em sua
última reunião do ano e deixar a taxa básica em 6,5 por cento no
início do ano que vem, segundo o Itaú, que vê possibilidade de
aumento dos juros somente em 2019.
"Boa parte dos investimentos até agora foi para manutenção
do parque, para evitar depreciação. O horizonte de investimentos
é de longo prazo, se houver condições favoráveis, como juros
baixos, pode ser que antecipem investimentos", avaliou Felipe
Salles, economista do Itaú Unibanco.
O PIB brasileiro cresceu 0,2 por cento no segundo trimestre
deste ano em relação aos três primeiros meses do ano,
impulsionado pelo consumo das famílias, mas com investimentos
produtivos em queda. Segundo o IBGE, a Formação Bruta de Capital
Fixo (FBCF) recuou 0,7 por cento na comparação com janeiro a
março e despencou 6,5 por cento sobre um ano antes.
Os dados do terceiro trimestre serão divulgados pelo IBGE no dia
1º de dezembro.
No cenário do Itaú, o principal risco nos próximos anos é a
questão fiscal. Em seu cenário principal, Mário Mesquita mantém
previsão de que a reforma da Previdência só será aprovada pelo
Congresso em 2019, a tempo de evitar que o futuro governo
descumpra no ano seguinte o teto de gastos previsto na
Constituição.
Porém, mesmo após a eventual modernização das leis
previdenciárias, as despesas do governo continuarão em foco.
Para que o teto de gastos não seja rompido até 2025, o governo
precisará eliminar o abono salarial, reformar o seguro
desemprego, reinstituir a contribuição previdenciária sobre a
folha de pagamento de empresas beneficiadas no governo da
ex-presidente Dilma Rousseff e cortar subsídios, avalia
Mesquita.
Ainda que cumpridas todas essas medidas, o resultado
primário sairá do negativo somente em 2021. "A equação fiscal é
uma agenda que não é mais de governo, é uma agenda de Estado",
avaliou Pedro Schneider, outro economista do Itaú Unibanco.
A taxa de desemprego, cujo comportamento tem influência
decisiva nas eleições presidenciais, deve reduzir o ritmo de
queda observado nos últimos meses, e terminar o ano que vem em
11,8 por cento, de acordo com o banco.

(Por Iuri Dantas; Edição de Maria Pia Palermo e Raquel Stenzel)
(([email protected]; +55 11 5644-7757; Reuters
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