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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 6 Jun (Reuters) – A tabela de fretes instituída
por medida provisória para atender a pedidos de caminhoneiros,
visando acabar com os bloqueios de estradas que duraram mais de
dez dias no país, está afetando os negócios e o escoamento de
grãos, o que deve ter impacto negativo nas exportações agrícolas
do Brasil neste mês, na avaliação de representantes do
agronegócio.
Com estoques relativamente baixos nos portos após a
paralisação dos caminhoneiros, uma redução agora no escoamento
até os terminais tende a limitar os embarques neste mês, na
avaliação da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar),
que representa produtores no segundo maior Estado agrícola do
Brasil.
"Vai ter impacto nos embarques de junho, os estoques estavam
baixos nos portos…", disse à Reuters o gerente técnico e
econômico da Ocepar, Flávio Turra.
A situação ocorre em momento em que o país –maior
exportador global de soja e o segundo de milho– ainda tem
grande parte de sua safra recorde da oleaginosa para o escoar,
sem falar da produção de cereal, cujas exportações tendem a
ganhar ritmo no segundo semestre.
Questionado se os efeitos da tabela limitariam os embarques
neste mês, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias
de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, afirmou que os
embarques em junho serão menores.
"Hoje entendo que as exportações em junho devem cair em
relação a junho do ano passado", disse Nassar.
Como a tabela de frete elevou os custos em mais de 100 por
cento em algumas rotas, na comparação com os valores anteriores,
aqueles produtores e empresas que não detêm transporte próprio
estão enfrentando problemas para escoar os produtos aos portos
de exportação, comentou Turra.
"A tabela de fretes ficou muito alta em relação ao preço que
vinha sendo praticado anteriormente para o transporte de grãos,
e ficou inviabilizado o transporte, principalmente para os
contratos anteriores, que têm que usar a nova tabela", disse
ele.
O gerente da Ocepar explicou que, como a tabela prevê a
remuneração do retorno do caminhão vazio, o que não era previsto
anteriormente, isso quase dobra os custos.
"O que está acontecendo é que o pessoal está retendo as
cargas, no caso de quem não tem caminhão próprio. As
cooperativas, as grandes, a maioria tem um número pequeno para
atender a demanda deles, esses estão transportando o que podem",
disse
"Os demais (que não têm caminhão) estão aguardando a revisão
da tabela da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
Já teve reunião ontem (de ministros com o setor), e existe uma
expectativa de que seja revista a tabela", acrescentou ele.
O jornal O Estado de S.Paulo publicou nesta quarta-feira
que, sob pressão de produtores rurais, o governo vai mudar a
tabela de fretes, causando revolta de caminhoneiros, que ameaçam
retomar os protestos.
Turra disse que a tabela eleva os custos entre 20 a 120 por
cento, dependendo da rota, em relação ao preço praticado
anteriormente. No Paraná, na média, o valor subiu 37 por cento,
segundo ele.
De acordo com relatório da consultoria T&F Agroeconômica,
"quem tem soja no interior não está retirando, porque os fretes
foram calculados com um valor e agora há que se pagar cerca de
28 por cento a mais".
"Não tem comprador para junho e julho (tanto pela greve dos
caminheiros, como também porque as posições das tradings já
estão compradas para estes meses)…", disse a consultoria.
O mercado de trigo também está sendo afetado. "No Parará o
trigo está sem preço há dez dias, nem para o spot, nem para o
futuro na maioria das praças, diante da incerteza sobre o
frete", afirmou a T&F.
"Os compradores também não estão retirando, porque precisam
reavaliar o frete… Um grande problema muito comentado hoje no
Estado (Paraná) foi o frete de retorno: imagine pagar 100 reais
de ida e ter que pagar 100 reais de retorno, se o caminhão não
achar frete de volta."

(Por Roberto Samora; edição de Luciano Costa)
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