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Conforme os dados divulgados pelo Banco Central do Brasil (EstBan), o Boletim Crédito do Ceper/Fundace mostra que saldo total da carteira de crédito – que inclui créditos tanto para pessoas jurídicas como para pessoas físicas – com recursos livres e direcionados, que vinha apresentando queda desde 2013, registrou uma queda expressiva em 2016, no período de janeiro a setembro de 2016. O levantamento é feito com base nos dados mais recentes divulgados pelo BC.

“Tal fato é reflexo do cenário de incertezas pelo qual passa a economia brasileira, com aumento da dívida pública, alta inflação e elevada instabilidade política, sendo que estes elementos têm reduzido o nível de atividade econômica e, dessa forma, as operações de crédito”, avalia o pesquisador do Ceper/Fundace e professor da FEA-RP/USP Luciano Nakabashi.

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O Boletim mostra também que o spread médio (a diferença entre o que o banco paga na captação de recursos e o que ele recebe ao conceder um empréstimo) das operações de crédito com recursos livres (aqueles cujas taxas de juros são definidas livremente entre os bancos e os tomadores em cada operação) começou a aumentar a partir de 2013, com aumento expressivo em 2016, tanto para pessoas jurídicas quanto físicas.

Esta elevação do spread reflete o cenário de maior risco devido à instabilidade econômica, indicando que a retração das operações de crédito decorre, principalmente, de uma restrição por parte da oferta. “Nota-se que o spread tem aumentado mais para as pessoas físicas, o que indica um crescimento relativamente maior do risco para este grupo em decorrência de problemas do mercado de trabalho”, avalia Nakabashi. A partir de 2015, quando a crise começa a afetar mais fortemente o mercado de trabalho, com elevação do desemprego e queda na renda real dos trabalhadores, o spread para pessoas físicas acelera o seu crescimento.

O spread médio das operações de crédito com recursos direcionados (em que os juros são subsidiados ou os empréstimos são concedidos com base em mecanismos estáveis de captação), quemostrava queda até meados de 2013 como mostra a o Boletim, passou a apresentar crescimento sobretudo a partir de 2015.

É interessante notar as diferenças em relação aos spreads com recursos livres. O spread menor dos recursos direcionados indica a existência de subsídios, com impactos fiscais negativos no déficit e dívida do governo. Adicionalmente, os spreads são menores para pessoas físicas, o oposto do que ocorre com recursos livres.

O crescimento das operações de crédito com recursos direcionados ocorreu, principalmente para pessoas físicas, indicando que o subsídio concedido era para estimular mais consumo do que investimento, o que indica uma decisão não acertada, avaliam os pesquisadores do Ceper.

“Se o estímulo fosse focado em investimentos, o potencial de estimular o crescimento econômico seria maior, visto que levaria a um aumento da capacidade produtiva. O estímulo ao consumo, com câmbio apreciado e excesso de manufaturados no mercado internacional afetou, sobretudo, as importações e a inflação, piorando o saldo da balança comercial e os fundamentos da economia brasileira”, conclui o Luciano Nakabashi.


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