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Com os desafios colocados pelo mundo contemporâneo na questão migratória e do momento crucial da agenda pública brasileira sobre esse tema (regulamentação da nova lei de migração), a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP), em parceria acadêmica com o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), da UnB, divulgou nesta sexta-feira os resultados preliminares dos estudos mais recentes de sua linha de pesquisa Imigração & Desenvolvimento.

O Brasil é um país com baixo contingente de imigrantes (cerca de 0,3%) comparando-se a países como EUA, Canadá, Austrália, entre outros, que chegam a mais de 20%. Apesar disso, os fluxos migratórios recentes para o Brasil têm patamar semelhante a vários países (como Alemanha, Espanha e França), ao menos na questão das autorizações de trabalho. Em termos humanitários, o fluxo migratório para o Brasil ainda é baixo comparado aos países de renda alta, mas vale destacar que o nosso país foi o que mais recebeu sírios na América Latina desde o início da crise migratória.

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“Existe um espaço enorme para o Brasil se tornar mais receptivo para a imigração e tê-la como alavanca para avanços nas áreas técnicas e até culturais. O respeito aos direitos humanos deve marcar nossa estratégia como nação”, diz o diretor da FGV DAPP, Marco Aurelio Ruediger.

Numa análise comparativa com outros países membros da OCDE, o Brasil se aproxima em volume (58.812) de vistos a imigrantes, ao Reino Unido (76.200) e à Austrália (73.300). O país apresenta um maior contingente de imigrantes com visto de trabalho (46.740) em relação aos com visto humanitário (12.072). Alemanha e Canadá lideram dentre os países pesquisados com 170.300 e 112.700 vistos concedidos a imigrantes, respectivamente.

Análise dos fluxos migratórios e inserção laboral (em conjunto com OBMigra)

Como parte da parceria com o OBMIgra, a FGV/DAPP tem analisado dados resultantes dos cruzamentos entre diversas bases de dados governamentais atualmente não integradas. A partir do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho, observa-se que:

1) Os dados revelam mudança de tendência na inserção de estrangeiros no mercado de trabalho no período recente;
2) A tendência para estrangeiros era positiva até o início de 2016, quando passou-se a registrar saldos negativos. Há, no entanto, recuperação em 2017, sobretudo em empregos de baixa qualificação, que tiveram aumento mais expressivo no volume de desligamentos;
3) Entre os estrangeiros com ensino superior, apesar do comportamento das séries ser menos volátil, a situação ainda não se inverteu, revelando maiores dificuldades na recuperação da inserção laboral deste perfil.

Numa análise mais detalhada dos cargos ocupados pelos migrantes no país, vê-se que houve crescimento na ocupação de alguns postos, como gerência e docência no ensino superior, e queda de outros, como profissionais de medicina e arquitetos.

Análise de percepção utilizando redes sociais: o debate antes da regulamentação da Lei de Migração

– (60,5 mil tweets de 17 de abril a 25 de maio de 2017)

A análise do debate anterior à aprovação da Lei de Migração mostra dois grupos com argumentos opostos. A maior parte das postagens do grupo rosa, favorável à nova legislação, foca em dois aspectos centrais: criticar o grupo contrário à migração e defender os direitos dos migrantes e refugiados. O grupo apresenta uma diversidade de argumentos endossando seu ponto de vista, e tal pluralidade se reflete em uma menor coesão e densidade

O grupo azul apresenta maior coesão que o rosa, e compartilha postagens em repúdio à nova legislação. A diferença entre migração e imigração é ressaltada por diversos opositores da legislação, que chamam o conjunto de normas de “lei de (i)migração”, em uma alusão ao suposto objetivo de promover a entrada de imigrantes muçulmanos.

Análise de percepção utilizando redes sociais: o debate após a regulamentação da Lei de Migração

– (45,7 mil tweets de 22 de outubro a 22 de novembro de 2017)

Já no debate posterior à aprovação da legislação, observa-se uma maior dispersão. Dentre os principais grupos participando do debate, o grupo marrom é o que mais faz menções à nova Lei de Migração, ainda que em pouca proporção quando comparado ao debate do início do ano. Este cluster mostra-se contrário à visão do “politicamente correto”, além de ter caráter anti-globalista. E também aprova as ideias de políticas migratórias mais restritivas do presidente americano Donald Trump.

O grupo de perfis em azul compartilha mensagens criticando a intolerância em geral. Falam dos assédios sofridos por Judith Butler em sua passagem pelo Brasil, além de criticarem manifestações fascistas mundo afora.

O grupo roxo que, por sua vez, também se coloca contra a intolerância, foi puxado principalmente por um tweet que mostra a torcida do Palmeiras vaiando Bolsonaro e enfatiza a oposição do clube a nacionalistas por ter sido formado por imigrantes.


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