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A greve dos caminhoneiros afetou severamente os resultados da segunda quinzena de maio da safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do País. O levantamento é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar -UNICA e foram apresentados nesta manhã.

Na segunda quinzena de maio, 67,46% da cana processada destinou-se à fabricação de etanol, frente a 52,53% em igual período de 2017. No acumulado desde o início da atual safra até 1º de junho, esse percentual atingiu 65,46%. Estas cifras ratificam o entendimento quanto a um mix de produção bastante alcooleiro para o ciclo 2018/2019.

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A saber, no acumulado desta safra, a quantidade fabricada de açúcar atingiu 40,71 kg por tonelada de cana contra 50,93 kg por tonelada verificados até a mesma data de 2017. Essa redução do rendimento, por sua vez, reflete a quebra da produção próxima de 1,50 milhão de toneladas, a qual, mantida a atual tendência para o mix, resultará em uma queda acumulada da fabricação de açúcar superior a 5 milhões de toneladas no agregado da safra 2018/2019.

Produção

A produção de etanol anidro totalizou 546,36 milhões de litros nos 15 dias finais de maio, recuo de 16,95% sobre a primeira metade do mês. No caso do etanol hidratado, a redução alcançou 15,46%, com 1,20 bilhão de litros produzidos.

O açúcar apresentou a maior retratação. A quantidade fabricada somou 1,34 milhão de toneladas na segunda quinzena de maio, queda de mais de 550 mil toneladas sobre a quinzena anterior (1,91 milhão de toneladas). Trata-se também do menor volume já apurado para esse período.

Essa queda da produção é claramente demostrada nas vendas de açúcar ao mercado externo pelas unidades do Centro-Sul e por conta de um mix mais alcooleiro, priorizando a produção de etanol.

Vendas

As vendas de açúcar para o mercado externo pelas unidades produtoras do Centro-Sul alcançaram 703,68 mil toneladas nos últimos 15 dias de maio. A média nessa quinzena nas três últimas safras é de 1,30 milhão de toneladas.

“O Centro-Sul deixou de entregar 160 mil toneladas de açúcar para comercialização no mercado doméstico e mais de 170 mil toneladas para exportação”, destaca Antonio de Padua Rodrigues, diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Depois de sucessivos recordes, o volume de etanol hidratado comercializado no mercado interno pelas unidades do Centro-Sul caiu para 564,45 milhões de litros na metade final de maio – aquém dos 760,03 milhões de litros contabilizados na quinzena passada e dos 601,47 milhões de litros vendidos em igual data de 2017.

Em relação ao etanol anidro, apenas 226,95 milhões de litros foram comercializados, menos da metade do valor registrado no mesmo período da safra 2017/2018. Nesse ponto, importante ressaltar o aspecto do etanol importado como agente redutor das vendas das unidades produtoras.

Estas quedas foram de tal ordem que, no acumulado mensal, as vendas de etanol pelas unidades produtoras do Centro-Sul diminuíram. Somaram 1,88 bilhão de litros, contra 2 bilhões de litros em maio do ano passado.

“Embora em plena safra e com produção crescente de etanol, as distribuidoras não conseguiam retirar o biocombustível nas usinas e destilarias. Nos dias de paralisação, as unidades deixaram de entregar 300 milhões de litros de etanol hidratado e 150 milhões de litros de anidro”, acrescenta o diretor da UNICA.

Contudo, o impacto efetivo sobre a demanda de etanol devido à greve será conhecido após a divulgação das estatísticas pertinentes pela ANP.

A demanda de combustíveis do ciclo Otto (gasolina C + etanol hidratado), em gasolina equivalente, no período de janeiro a abril de 2018, apresentou uma sensível queda de 1,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O cenário deve se acentuar nos próximos meses, também em função da queda no consumo indicada em maio decorrente da greve dos caminhoneiros.

A previsão para o ciclo de abril/2018 a março/2019 indica que a demanda de ciclo Otto deverá indicar uma retração entre 2% a 2,5%.


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