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Estamos em um período de discussões acaloradas em torno da reforma trabalhista aprovada pelo atual governo. Os que são contra, dizem que os trabalhadores irão perder direitos, já os defensores afirmam que as mudanças irão flexibilizar a relação entre patrões e colaboradores, gerando mais empregos. Acho muito importante esse tipo de debate, afinal vivemos em uma democracia. Porém, creio que a discussão vai muito mais além.

A relação trabalhista vai mudar consideravelmente nos próximos anos e a tecnologia é uma aliada nessa situação. Você não precisa mais seguir um modelo secular, onde a jornada é das 8h às 18h e, caso chegue com dez minutos de atraso, corre o risco de ter um desconto no seu salário. É inacreditável, mas isso ainda acontece em pleno século XXI. Hoje muitas as pessoas podem trabalhar de qualquer lugar, para isso basta ter um laptop e conexão a internet. Claro que temos exceções a isso, porém até para esses casos é possível prever mudanças.

Há uma geração entrando para o mercado de trabalho que nunca conseguirá se adaptar ao velho modelo, pois sua relação com o mundo vai muito além do trabalho. Todos querem fazer carreiras, claro, mas a flexibilidade de horários dá uma liberdade que, infelizmente, nossos pais e avós não puderam aproveitar. Quantas vezes vimos eles falando que trabalharam demais durante a vida e isso fez como que não aproveitassem as coisas simples da vida, como o crescimento dos filhos?

Temos que levar para o centro da discussão a nova maneira de se trabalhar, no qual os horários não são mais o fator principal, mas sim os resultados nos prazos corretos. Muitos “patrões” dizem que esse modelo é utópico, por isso, faço um convite para eles conheçam o funcionamento de um coworking e toda relação entre as pessoas, startups e empresas que lá estão. A conexão colaborativa, sem o condicionamento de antigas regras trabalhistas e valorizando as pessoas induz ao crescimento, a inovação e tantos outros fatores que favorecem a cadeia econômica como um todo. Fora a isso, tem outro fator fundamental, a felicidade.

Sim, a felicidade é um assunto que deve fazer parte desse novo modelo de trabalho. Colaboradores felizes, satisfeitos na vida pessoal e profissional rendem mais, aumentam a produtividade e por fim, apresentam retorno positivo para as empresas. Chega de pessoas infelizes em seus trabalhos, vamos dar um basta de vez nesse quadro. Para isso, teremos que entender como esse formato livre de trabalho entrará na nova reforma, pois tanto empresas como seus colaboradores deverão ter diretos assegurados para que a relação seja de transparência e benefícios para todos.

* Jorge Pacheco, CEO e fundador da Plug, pioneira na cultura de coworkings no Brasil


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