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Por Andrew Osborn
MOSCOU, 11 Mai (Reuters) – A Rússia não está negociando com
o governo da Síria o envio de mísseis terra-ar avançados S-300 e
não acredita que eles são necessários ao governo sírio, disse um
assessor de alto escalão do Kremlin nesta sexta-feira, segundo o
jornal Izvestia, em um aparente recuo de Moscou.
Os comentários de Vladimir Kozhin, assessor do presidente
russo, Vladimir Putin, responsável por supervisionar a
assistência militar da Rússia a outros países, foram feitos após
uma visita nesta semana a Moscou do primeiro-ministro de Israel,
Benjamin Netanyahu, que vem fazendo pressão para que Putin não
negocie os mísseis.
No mês passado, a Rússia insinuou que forneceria as armas ao
presidente sírio, Bashar al-Assad, apesar da objeções de Israel
depois de ataques militares ocidentais contra a Síria. O
ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que
os ataques acabaram com qualquer obrigação moral que seu país
tinha de não negociar os mísseis, e o jornal russo Kommersant
citou fontes militares não identificadas segundo as quais o
suprimento poderia começar imediatamente.
Mas as colocações de Kozhin, divulgadas tão pouco tempo
depois das conversas de Netanyahu com Putin, levam a crer que o
empenho do líder israelense deu resultado por ora.
"Neste momento não estamos conversando sobre qualquer
fornecimento de sistemas novos e modernos (de defesa aérea)",
disse Kozhin quando indagado sobre a possibilidade de enviar os
S-300 à Síria, segundo o Izvestia.
Os militares sírios já têm "tudo de que precisam",
acrescentou Kozhin.
O Kremlin minimizou a ideia de que voltou atrás na questão
dos mísseis ou que qualquer decisão tenha tido relação com a
visita do premiê de Israel. "O fornecimento (dos S-300) jamais
foi anunciado como tal", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry
Peskov, aos repórteres por videoconferência quando questionado
sobre o tema.
A possibilidade do envio de mísseis a Assad, além de seu
envolvimento militar na própria Síria, ajudou Moscou a ganhar
influência no Oriente Médio, e Putin recebeu desde Netanyahu até
os presidentes da Turquia e do Irã e o rei saudita.
(Reportagem adicional de Denis Pinchuk)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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