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(Repete texto publicado na noite de quarta-feira)
Por Ana Mano e Roberto Samora
SÃO PAULO, 29 Nov (Reuters) – Analistas brasileiros deverão
elevar suas previsões para a safra de soja do Brasil 2017/18 nas
próximas semanas, uma vez que as preocupações climáticas
diminuíram e as lavouras estão se desenvolvendo bem, disseram
quatro consultorias à Reuters nesta semana.
Atualmente, a safra do Brasil, maior exportador mundial da
oleaginosa e o segundo produtor depois dos Estados Unidos, está
estimada em 109,43 milhões de toneladas, com base em uma média
de previsões compiladas em uma pesquisa publicada em 14 de
novembro.
"Como a safra está indo bem até o momento –teve um atraso
no plantio… mas choveu–, achamos que deve ter um acréscimo na
produtividade média. Devemos revisar para cima o número de
produtividade, e com base nisso apontar um aumento da safra",
disse o analista da AgRural Adriano Gomes, em uma entrevista por
telefone.
Ao final de outubro, a produção de soja do Brasil havia sido
estimada pela AgRural em 110,2 milhões de toneladas, ante 114,1
milhões de toneladas na safra anterior, que registrou
produtividades recordes.
"Sim, tem um viés de aumentar a produtividade", ressaltou
ele, ponderando que até o momento a consultoria tinha por base
no seu levantamento a linha de tendência histórica, mas a partir
de dezembro passará a contar com números obtidos junto aos
agentes no campo.
Gomes comentou que o número atual da AgRural considera uma
produtividade média de 53 sacas por hectare, ante 56,1 sacas da
safra passada, considerada uma temporada "excepcional".
"Não teve problema na safra em nenhum lugar do Brasil, mas
para repetir a produtividade do ano passado tem que ser
perfeito", ressaltou.
Na hipótese de isso se repetir, o Brasil até mesmo poderia
superar a histórica produção da colheita passada, uma vez que o
plantio deve aumentar 2,6 por cento, para um recorde de 34,80
milhões de hectares, segundo a pesquisa da Reuters.

CAUTELA
Consultorias tendem a ficar cautelosas no início da
temporada de plantio, disse Luiz Fernando Roque, da Safras &
Mercado, uma vez que questões climáticas podem interferir no
desenvolvimento das plantações.
Contudo, Roque disse que o Brasil poderia "sem esforço"
alcançar 110 milhões de toneladas de produção de soja, mesmo no
caso da ocorrência de pequenas adversidades climáticas.
A Safras & Mercado já estima a produção de soja do Brasil em
2017/18 em 114,7 milhões de toneladas, praticamente o mesmo
volume produzido pelo Brasil na última temporada –a consultoria
tem a maior projeção na pesquisa da Reuters.
Ana Luiza Lodi, especialista de soja da INTL FCStone, não
exclui a possibilidade de o Brasil igualar os níveis de produção
da safra passada, e está pronta para revisar suas próprias
previsões nesta semana.
Embora os números estejam sendo finalizados, Ana Luiza disse
que projeções de produtividade poderiam ser revisadas para cima
conforme a safra se desenvolve e também por conta do aumento da
área de plantio.
Após produtores atrasarem o plantio no Centro-Oeste do
Brasil devido ao clima seco, plantações de soja e milho da
primeira safra melhoraram significativamente, disse Enilson
Nogueira, da consultoria Céleres.
Um fator que influenciaria as estimativas seria o fenômeno
climático La Niña, que poderia limitar as chuvas no Sul do
Brasil e Argentina e possivelmente danificar safras, dependendo
de se e quando ele ocorrer.
Porém Marco Antonio dos Santos, da empresa de consultoria
climática Rural Clima, disse que o La Niña, causado por
temperaturas mais baixas na superfície oceânica ao redor do
Pacífico Equatorial, provavelmente não vai acontecer nesta
temporada.
"Acredito que teremos um ano de neutralidade climática…
não tem tempo hábil para se formar um La Niña", disse Santos,
durante evento na semana passada em São Paulo.
"A safra tem tudo para ser muito boa", comentou ele,
lembrando que parte da desconfiança em relação à produtividade
da temporada atual se deve à safra passada, que foi
"maravilhosa".

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(Edição de Marta Nogueira)
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