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(Repete texto publicado na noite de quarta-feira)
Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 17 Jan (Reuters) – O Brasil deve atrair gigantes
globais do mercado de energia em leilões para contratação de
novos projetos de geração renovável previstos para este ano, em
meio a projeções de que uma forte competição restringirá a
participação de empresas locais e fundos de investimento,
disseram especialistas à Reuters.
O país já agendou uma licitação para abril, que viabilizará
usinas para iniciar a operação a partir de 2022, e ao menos mais
um certame deve ser realizado no ano, para empreendimentos com
entrega em 2024, este também aberto à termelétricas, disse o
presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz
Barroso.
Para o leilão de abril, o chamado "A-4", há um recorde de
48,7 gigawatts em projetos cadastrados por investidores, maior
volume já registrado em certames voltados a fontes renováveis —
o montante equivale a mais de três usinas do porte de Itaipu,
maior geradora do mundo.
"O grande número de projetos cadastrados indica um mercado
ainda muito atrativo para os investidores. Apesar de alguns
percalços, o Brasil possui a confiança de desenvolvedores e
investidores nacionais e internacionais", disse Barroso, em
respostas por e-mail.
Uma prova do apetite do mercado foi dada em dezembro
passado, quando após dois anos sem licitações o governo
brasileiro conseguiu contratar novas usinas solares e eólicas
pelos menores preços já registrados no país, com deságios de
cerca de 60 por cento ante os preços-teto definidos para a
produção futura dos empreendimentos.
A diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini,
avalia que esse novo cenário de preços deve continuar, o que
favorece grandes elétricas europeias em detrimento de fundos e
investidores locais.
"Tem um perfil de investidor que continua super animado,
animadíssimo, querendo participar. E tem quem está começando a
achar que os deságios estão muito grandes e não vale mais a
pena, as margens diminuem", disse.
Para o sócio da consultoria Thoreos, Rodrigo de Barros, os
retornos ficaram mais baixos e próximos dos oferecidos para
projetos de energia renovável em leilões recentes ao redor do
mundo, mas com a diferença de que no Brasil os contratos são em
reais, e não em dólar como em alguns outros países, o que
representa um risco cambial para o empreendedor.
"Está bem mais difícil para os players locais… A gente não
espera retornos muito bons. Ao preço que está, só quem tem
acesso a capital lá fora, com juros muito baixos. Só essas
gigantes", afirmou ele, que citou como exemplos o grupo italiano
Enel e a francesa Engie .
O especialista em energia da Deloitte, Luis Carlos Tsutomu,
afirmou que essas grandes elétricas possuem projetos por todo o
mundo e presença forte na América Latina, o que reduz o risco
cambial.
"No somatório de todo portfólio, se você está em vários
países, consegue diversificar e diluir esse risco. Mesmo grandes
players globais se assustaram com o que aconteceu no final do
ano passado. Aumentou muito o nível de competição", disse.
As expectativas são de que os leilões brasileiros em um ano
em que o país sai da maior recessão em décadas devem contratar
mais que os 4,5 gigawatts de 2017- um volume que poucos mercados
de energia no mundo movimentam anualmente.

RISCOS E RETORNO
O consultor da Deloitte ressaltou ainda que o governo
precisa ficar atento à evolução dos empreendimentos contratados,
uma vez que tarifas muito baixas acabam também por aumentar
chances de alguns projetos não saírem do papel.
"É só ver o que aconteceu com projetos solares do leilão de
2014… Na hora em que venderam, fazia sentido. Depois, teve uma
variação do câmbio e foi por água abaixo", afirmou.
No caso citado pelo especialista, diversos empreendedores
paralisaram projetos de energia após uma forte desvalorização do
real em 2015 e 2016, em meio à instabilidade gerada por um
processo que culminou no impeachment da então presidente Dilma
Rousseff.
Na época, o governo acabou por promover um inédito leilão
reverso, em que investidores pagaram um prêmio em troca de
desistir sem multas de 25 projetos que não saíram do papel,
incluindo usinas solares e eólicas.
Ainda assim, os consultores são unânimes em apontar que há
apetite suficiente dos investidores para manter os preços baixos
dos leilões do ano passado, embora já exista algum ceticismo no
mercado devido aos baixos retornos.
Nesta quarta-feira, o UBS cortou o preço-alvo para as ações
da geradora AES Tietê , que viabilizou um projeto
solar no leilão A-4 de 2017.
"Não acreditamos que os projetos solares anunciados
recentemente serão geradores de valor", afirmaram os analistas
do banco em relatório.
Além da AES Tietê, da norte-americana AES, os leilões de
2017 tiveram como principais vencedores elétricas estrangeiras
como a italiana Enel, a portuguesa EDP , a francesa
Voltalia e a dinamarquesa European Energy, todas já
com projetos anteriores no Brasil.

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(Edição de José Roberto Gomes)
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