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(Repete matéria publicada na quarta-feira)
Por Marcela Ayres
BRASÍLIA, 6 Dez (Reuters) – O Banco Central cortou nesta
quarta-feira a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, a 7
por cento ao ano, movimento amplamente esperado pelo mercado e
que leva a Selic ao seu menor nível histórico, deixando a porta
aberta para nova redução adiante, mas ressalvando que encarará a
investida com "cautela".
Isso porque o BC deixou claro que os passos seguintes estão
mais sensíveis a eventuais mudanças no cenário de riscos o que,
para analistas, foi uma sinalização sobre como será o desfecho
da reforma da Previdência.
"Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua
conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de
flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma
nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária"
informou o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.
Mas completou em seguida: "essa visão para a próxima reunião
é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus
riscos que nas reuniões anteriores. Para frente, o Comitê
entende que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na
condução da política monetária".
Em pesquisa Reuters, 52 de 53 economistas esperavam que o
Copom reduzisse os juros em 0,50 ponto percentual. A única
aposta dissidente foi do HSBC, que previa corte de 0,25 ponto.

"A próxima reunião é só daqui a longos dois meses e temos a
reforma da Previdência neste meio tempo. O cenário básico é
fazer (corte de) 0,25 ponto no próximo Copom", afirmou a
economista-chefe da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina
Latif, que ainda matém a perspectiva de que o BC possa reduzir a
taxa em 0,50 ponto em fevereiro.
"Vou esperar até a ata do Copom (na próxima terça-feira)
para eventualmente mudar meu cenário", acrescentou ela.
O governo tem se esforçado para garantir apoio político para
aprovar a reforma da Previdência, considerada essencial para
colocar as contas públicas em ordem, ainda neste ano na Câmara
dos Deputados.
A mínima histórica da Selic, de 7,25 por cento, havia sido
atingida em outubro de 2012, durante o governo da ex-presidente
Dilma Rousseff. Mesmo com um novo patamar recorde, o Brasil
continua com uma das maiores taxas de juros reais do mundo,
perdendo apenas para Turquia, Rússia e Argentina, segundo
levantamento da gestora Infinity Asset.
A investida de agora dá sequência à estratégia do BC de
seguir cortando os juros para dar ímpeto à atividade num quadro
de inflação baixa, expectativas ancoradas e recuperação
econômica ainda gradual.
Diante da conjuntura, a maioria dos agentes econômicos já
esperava nova dose de afrouxamento monetário em fevereiro,
primeira reunião do Copom em 2018.
O economista-chefe do Santander, Mauricio Molon, ressaltou
que o corte adotado veio dentro do esperado, bem como a
sinalização de que os juros devem cair a 6,75 por cento em
fevereiro. A partir daí, o BC deixa em aberto o que pode fazer,
acrescentou.
"A gente acredita que a taxa não vai cair além dos 6,75 por
cento, estamos mais otimistas com a atividade econômica do que o
mercado. É fato que (o BC) deixou portas abertas. Se
continuarmos tendo surpresas do lado inflacionário, ele pode
seguir reduzindo", disse Molon.
No comunicado, o BC também reduziu a projeção de inflação
pelo cenário de mercado a 2,9 por cento em 2017, ante 3,3 por
cento em sua última estimativa, de outubro, e abaixo do piso da
meta oficial deste ano –de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem
de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
O caminho para a autoridade monetária seguir cortando os
juros é pavimentado justamente pela modesta alta de preços na
economia, sobretudo por conta dos alimentos.
Para 2018, o BC passou a ver o IPCA em 4,2 por cento, contra
4,3 por cento antes, e manteve seu cenário em 4,2 por cento para
2019. O cenário de mercado supõe Selic de 7 por cento ao fim
deste ano e do próximo e de 8 por cento ao fim de 2019.
Num comunicado com poucas mudanças em relação ao anterior, o
BC apontou que "o cenário básico para a inflação tem evoluído,
em boa medida, conforme o esperado".
Nos 12 meses até novembro, o IPCA-15, prévia da inflação
oficial, ficou em 2,77 por cento.
Na pesquisa Focus mais recente, feita pelo BC junto a uma
centena de economistas, a expectativa é de uma inflação de 3,03
por cento em 2017, 4,02 por cento para o ano que vem e de 4,25
por cento em 2019.

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(Reportagem adicional de Laís Martins; Edição de Patrícia
Duarte)
(([email protected]; 5561-3426-7021; Reuters
Messaging: [email protected]))


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