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(Repete matéria publicada na quinta-feira)
BRASÍLIA, 7 Jun (Reuters) – Após a forte disparada do dólar
e das taxas de juros futuros, o presidente do Banco Central,
Ilan Goldfajn, disse nesta quinta-feira que o órgão vai oferecer
mais 20 bilhões de dólares em contratos de swap cambial até o
fim da próxima semana, atuará de forma coordenada com o Tesouro
Nacional "enquanto necessário" para dar liquidez ao mercado e
não descartou vender dólares das reservas no mercado à vista.
Ilan negou rumores de que estaria considerando deixar o
cargo e afastou a possibilidade de encontros extraordinários do
Comitê de Política Monetária (Copom) antes dos 45 dias
regulamentares de intervalo. O próximo encontro está previsto
para 19 e 20 de junho.
"O Banco Central e o Tesouro vão continuar oferecendo de
forma coordenada liquidez ao mercado, seja no mercado de câmbio,
seja no mercado de juros, enquanto for necessário", disse Ilan.
"Vamos usar os instrumentos necessários para o mercado
Até o momento, nossa avaliação é que o que é necessário é prover
liquidez através dos swaps cambiais. Se essa situação mudar, se
houver demanda para alguma outra questão, nós vamos usar."
Segundo Ilan, a equipe econômica não descarta vender dólares
das reservas ou oferecer a moeda norte-americana nos chamados
leilões de linha, em que também vende a divisa à vista, mas com
compromisso de recompra após um período.
A intensidade e o período de uso deste arsenal contra a
turbulência serão decididos pelo BC a partir da demanda do
mercado, segundo Ilan, que também não detalhou como serão
oferecidos os 20 bilhões de dólares novos em swaps cambiais.
"A gente se reserva ao direito de, se precisar fazer alguma
outra coisa… se reserva ao direito de mudar."
O valor representa um total de 400 mil contratos de swap
cambial, em seis dias úteis – número que supera a quantidade de
contratos que o BC vinha leiloando diariamente. Desde meados de
maio, o BC realiza leilões diários de 15 mil contratos de swap
cambial, além de rolar os papeis que vencem no mês seguinte.
Neste mês, o BC fez dois leilões adicionais, acrescentando
30 mil contratos na terça-feira e outros 40 mil contratos nesta
quinta-feira. Ao mesmo tempo, o Tesouro fez leilões para
recomprar títulos da dívida brasileira com vencimento em
2023,2025, 2027 e 2029.
O BC confirmou o leilão de 15 mil contratos nesta
sexta-feira, além de 8.800 swaps para a rolagem dos contratos
que vendem em junho. O BC pode oferecer mais contratos ao
mercado a qualquer momento, mesmo durante o pregão.
Segundo Ilan, o BC monitora o mercado por meio da giro de
cupom cambial e fluxo de dólares no país, para avaliar que tipo
de instrumento deve ser usado para dar liquidez ao mercado.
Quando há fluxo de dólares positivo, a oferta de swaps resolve o
problema, disse ele, uma vez que não haveria falta de dólares
que justifique a venda à vista.
A atuação do BC no câmbio não tem relação com a política
monetária, ressaltou Ilan. Com o nervosismo dos mercados, a
curva a termo de juros chegou a precificar apostas de alta de
até 0,75 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Copom,
segundo dados da Reuters. No final do dia, apostas majoritárias
eram de elevação de 0,50 ponto.
Apesar da atuação paulatinamente mais forte do BC no câmbio,
a moeda norte-americana subiu 6,66 por cento em relação ao real
em maio, ante avanço de 6,16 por cento em abril e uma queda de
4,2 por cento em janeiro. Nesta sessão, o dólar avançou 2,28 por
cento, a 3,9258 reais na venda, pico desde 1º de março de 2016.
Na máxima do dia, a moeda norte-americana foi a 3,9684 reais.
Na avaliação do BC, a queda do real se explica também pela
reversão do cenário internacional, diante da perspectiva de
aumentos de juros nas principais economias do mundo,
influenciada ao mesmo tempo por questões locais.
No caso brasileiro, investidores atribuem a alta do dólar a
incertezas sobre como se dará a condução da política econômica
nos próximos anos diante de um cenário eleitoral incerto e após
Pedro Parente deixar o comando da Petrobras, indicando que
questões políticas como a greve dos caminhoneiros podem
interferir em medidas econômicas do governo Temer.

(Reportagem de Mateus Maia; Texto de Iuri Dantas
Edição de Eduardo Simões e Aluísio Alves)
(([email protected]; +55 11 5644-7757; Reuters
Messaging: [email protected]))

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