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(Repete matéria publicada na segunda-feira)
SÃO PAULO, 11 Jun (Reuters) – O país retomou a trajetória de
crescimento e mantém a inflação sob controle após os 11 dias de
paralisação dos caminhoneiros no fim de maio, mas o governo pode
reduzir sua projeção oficial de expansão do PIB ao revisar os
parâmetros do Orçamento, admitiu o ministro da Fazenda Eduardo
Guardia nesta segunda-feira.
"A gente revê a previsão (de crescimento) a cada dois meses
quando divulga a programação orçamentária e financeira", disse o
ministro. Indagado especificamente se a revisão poderia ser para
baixo, Guardia disse: "pode".
A revisão dos chamados parâmetros orçamentários inclui
previsão de crescimento da economia, variação da inflação,
coleta de impostos entre outros dados, explicou o ministro.
"O processo de revisão é contínuo, a cada dois meses temos
uma grade de parâmetros atualizada e levamos em consideração as
informações disponíveis", disse Guardia.
No fim do mês passado, o governo reconheceu que o
comportamento da economia estava aquém do que se esperava no
início do ano e baixou de 3 por cento para 2,5 por cento a
projeção para o crescimento deste ano.
A economia brasileira acelerou avançando 0,4 por cento no
primeiro trimestre sobre os três meses anteriores, em linha com
estimativas do mercado. Mas o ritmo perdeu força e não se
repetirá nos próximos trimestres, segundo o ministro do
Planejamento, Esteves Colnago.
Na avaliação de economistas do mercado consultados pelo
Banco Central todas as semanas no boletim Focus, a expansão
da economia será inferior a 2 por cento neste ano.
"A economia está crescendo há cinco trimestres consecutivos"
e retomou sua trajetória de expansão após a paralisação dos
caminhoneiros, que causou desabastecimentos e perdas econômicas,
segundo o ministro.
O desempenho do segundo trimestre se tornou mais difícil
de prever após os 11 dias de paralisação dos caminhoneiros,
que causou desabastecimento para a indústria e de produtos
básicos para o consumidor, além de gerar perdas estimadas de
mais de 5 bilhões de reais na agropecuária.
A questão foi solucionada com medidas com custo de 13,5
bilhões de reais, levantando ainda dúvidas sobre a
sustentabilidade das contas do governo.
"Não há dúvida de que a greve teve prejuízos, a greve
paralisou o país durante 10 dias, tivemos desabastecimento,
afetou diversos setores da economia, inclusive a atividade dos
próprios caminhoneiros", disse Guardia.
"O que a gente tem que discutir agora é qual é o impacto
disso e eu vi muitos números que me parecem excessivos."

INFLAÇÃO E META
Falando a jornalistas em São Paulo, o ministro disse que é
"descabido" fazer comentários sobre mudanças na meta de inflação
antes da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), prevista
para a última semana do mês.
Composto por Guardia, o presidente do Banco Central, Ilan
Goldfajn, e o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, o CMN
decidirá a meta de inflação de 2021 na reunião deste mês.
Segundo Guardia, a alta de preços influenciada pela falta de
produtos que não chegaram ao consumidor pela paralisação nas
estradas tende a não contaminar a economia por muito tempo.
"No momento da greve você teve desabastecimento e preços
subiram, refletindo a falta da disponibilidade desses bens. Na
medida que a economia volta a funcionar, os preços voltam à sua
normalidade", afirmou.

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(Por Laís Martins; Texto de Iuri Dantas; Edição de Claudia
Violante e Aluísio Alves)


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